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O Sporting é a paixão que nos inspira. Não confundimos competência com cultos de personalidade. 110 anos de história de um clube que resiste a tudo e que merece o melhor e os melhores de todos nós. Sporting Sempre


22
Mar17

Sujar as mãos

por Krassimir

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O Sporting tem sido desde há muito um clube adiado em que os títulos são uma permanente miragem, que tem servido como cobaia de experimentalismos e sede de quimeras.

 

Foi esta ausência de títulos e o jejum de campeonatos que explicam o aparecimento de sebastianismos como o que é representado por Bruno de Carvalho, a sua aceitação pelos sócios e o estado em que nos encontramos actualmente.

 

Para inverter este ciclo, os profetas deste novo Evangelho, pregado pelo pastor Bruno de Carvalho e que são representados pelos comentadeiros e blogueiros do “regime”, defendem que os sportinguistas são os principais culpados desta situação e que é necessário “sujar as mãos”.

 

Ou seja:

  • Se os outros roubam e são corruptos, nós temos de o ser também e talvez mais;
  • Se os outros são fanáticos e dão mostras de uma insensatez doentia, nós também temos de o ser;
  • Se os outros têm um Director de Comunicação patético e que mais serve como troll que outra coisa, nós tivemos de arranjar um que igualmente o seja e de uma forma hiperbólica;
  • Se os outros têm arruaceiros, bem como malta que agride e ameaça, nós também temos de o fazer, nem que seja contra os próprios consócios do clube;
  • Se os outros aldrabam assistências e números de sócios, nós também precisamos de ir pelo mesmo caminho;
  • Se os outros têm presidentes há mais de uma década ou de três décadas, nós também temos de ter um assim, ainda que, ao contrário dos rivais, não tenha ganho nada de relevante;
  • Se os outros mentem por sistema, nós só temos de imitar;
  • Se os outros gastam o que não têm e não devem, nós só precisamos de gastar ainda mais;
  • Se os outros têm comentadores televisivos grotescos e ridículos como Pedro Guerra, nós precisamos de outros semelhantes;
  • Se os outros não sabem perder, nós fazemos o mesmo;
  • Se os outros fazem uma triste figura e não dignificam o desporto, o Sporting deve estar ao mesmo nível.

 

Pois, lamento desiludir quem pensa assim, mas isto não nos vai levar a lugar nenhum. Ou antes, vai fazer com que o clube perca a sua identidade, a sua matriz única e que tanto seduziu adeptos de vários lugares do país e do mundo e cuja devoção ao clube tem sobrevivido a este deserto de vitórias. O presidente disse recentemente que em 110 anos de história nunca tivemos um presidente que se preocupasse com a identidade do clube, infelizmente o que parece é que nunca tivemos ninguém que tão facilmente estivesse disposto a abdicar dessa identidade e que faz do “ser do Sporting” algo único e inigualável. A identidade do clube está mais que estabelecida, é riquíssima a nível da postura no desporto, no eclectismo, na dignificação dos valores da competição e na capacidade de dar talentos ao desporto português, no futebol, no olimpismo e nas modalidades. É isto que nos pedem agora para abandonar, “sujando as mãos”, como se fosse esta aposta na brejeirice e na ausência de escrúpulos e princípios que nos conduzisse às vitórias. Há até quem defenda uma refundação do clube… para esses só um conselho: sigam o vosso caminho, fundem outro clube e deixem o Sporting para os sportinguistas que sentem o clube, que o respeitam e que se orgulham da sua História e dos seus valores.


Sporting sempre!

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Ser do Sporting tem sido quase sempre assim… iniciar uma nova época com esperança, ver esse ânimo e crença ir diminuindo progressivamente até que se converte numa desilusão e na nossa resignação mais ou menos habitual. Apenas tem variado a altura em que normalmente deixamos de acreditar. Uma vezes era o tão famigerado Natal, outras um pouco mais tarde… como na época passada em que estivemos quase até à última jornada com a ideia de que era possível, embora para muitos a derrota em casa com o Benfica possa ter representado o canto do cisne em termos das nossas aspirações ao desejado título de campeão nacional.

 

Passa assim ano após ano, em que ficamos um pouco mais velhos, em que os nossos filhos a quem tentamos transmitir o gosto por este fantástico clube, também ficam mais velhos e continuamos a ver os outros ganhar o que devia ser nosso. Os outros adeptos a fazerem a festa e nós a assistir.

 

E depois perguntamo-nos muitas vezes “porquê?” Porque temos como sina ver os grandes jogadores, que formamos e desenvolvemos, triunfar em outros clubes? Porque abrimos caminhos como a aposta no eclectismo, que depois os outros vêm copiar e onde também vêm festejar títulos, como no andebol e hóquei, modalidades em que tínhamos e temos grandes tradições?

 

A essência do desporto é competir e tentar vencer. Nós não temos conseguido vencer muitas das vezes. Claro que temos várias medalhas e títulos para festejar, mas nas modalidades colectivas e em particular no futebol, o registo tem sido muito mau, abaixo do desejável e do que um clube como o nosso merece.

 

Vem todo este arrazoado a propósito deste fim-de-semana.

 

Assistimos aos jogos dos rivais e interrogamo-nos como é possível estarmos (antes do início da jornada) a 12 e 11 pontos de diferença deles? Equipas que jogam de forma medíocre, com dois treinadores medianos e sem brilho e no entanto esta época estiveram muito acima de nós…

 

O que é certo é que o Benfica teve uma escorregadela, que não aconteceu na época passada nas últimas nove jornadas quando estavam a disputar o campeonato connosco, mas o Porto não teve a capacidade de a aproveitar. Podemos até pensar que o Sporting da época passada, tirando um período entre Janeiro e Março que nos foi fatal, exibiu um futebol que ainda ninguém mostrou esta época. Mas isso de pouco nos vale agora.

 

Na próxima jornada há um clássico, que será importante para o desfecho do campeonato. Uma vitória do Benfica significará tornar quase certo um tetra inédito para aquelas bandas, um empate deixa-os mais dependentes do jogo connosco e uma derrota caseira (cenário que parece menos provável) poderá aí sim dar um alento ao Porto que os leve a vencer o campeonato.

 

Nós vamos assistindo a isto de longe, com a tal resignação de sabermos que estamos fora disto, por culpa de uma época miserável, em que o bom futebol não quis nada connosco e os resultados também. Depois de um jogo bem conseguido contra o Tondela, regressámos ao registo habitual de mediocridade no jogo com uma das equipas mais fracas da Liga, o Nacional. Valeu o inevitável Bas Dost e pouco mais se viu. Claro que há quem faça contas mirabolantes com pontos perdidos por parte dos rivais e um registo imaculado nosso até final e que até parece acreditarem num milagre. Pois deixem lá o mundo das fábulas e pensem só nisto: são DOIS rivais para recuperar pontos e precisamos que percam 19 pontos e que nós não percamos nada até final. Ou seja, que percam mais pontos nestas 8 jornadas do que até aqui e que ambos os percam. Portanto, vamos lá cair na realidade crua e dura…

 

Então o que nos resta? Bem, para já que tal brindar os adeptos que continuam a ir a Alvalade, mesmo com a época perdida, com boas exibições? Em lhes servir alguma esperança para a próxima época, com apostas em jogadores que possam evoluir e dar-nos alegrias? É que só nos resta isso e tentar ganhar todos os jogos até final, encurtando distâncias para os da frente e em particular para o segundo classificado. Com um discurso positivo, a apelar ao melhor que existe nos sportinguistas e a estimular a nossa fé em que melhores dias virão e já na próxima época, deixando de lado os egos e as bazófias que nunca fizeram parte do nosso ADN… Fazendo crescer a ideia de que neste defeso contrataremos de forma acertada e ponderada, para as lacunas do plantel, em que à cabeça surgem os laterais, não o fazendo à toa e indo buscar jogadores em baixa em outros clubes, apostando numa redenção miraculosa em Alvalade… Apostando na Formação, de onde tanto talento tem vindo e onde temos Iuri, Podence, Geraldes, Domingos Duarte, Palhinha, só para citar alguns e complementando-os com a dose de experiência e categoria necessária para os enquadrar devidamente… Construindo uma estrutura a sério para o futebol, não demasiado dependente do treinador e em que o critério major seja a competência e a boa interligação entre os vários elementos e sectores… Será assim tão complicado?

 

Abro um parêntesis para Leonardo Jardim e o seu Mónaco. Simplesmente espectacular o trabalho que o treinador português está a desenvolver no principado. A contratação deste treinador para o Sporting constituiu uma das medidas mais acertadas de Bruno de Carvalho. Recuperou a equipa de futebol, construiu as bases dos anos seguintes e mostra agora o que poderia ter sido o seu percurso no Sporting e do nosso clube se tem ficado para um projecto a médio prazo. Nunca se queixa dos jogadores que não tem e que não é possível contratar (veja-se que mesmo quando foi para o Mónaco, teve de começar quase do zero…), não fala de arbitragens, respeita os adversários e revela uma enorme competência a desenvolver jogadores jovens. Mas pronto, não vale a pena falar mais nisso, porque saiu ao fim de uma época. Nem vou especular porque saiu e vou aceitar como boa a tese de que só saiu pela proposta ser irrecusável e não porque existisse algum mal-estar com a Direcção.

 

O treinador que temos é Jorge Jesus, que ganha um ordenado altíssimo e a quem estamos amarrados. Agora resta pressionar o treinador a ganhar, numa altura em que vai para a terceira época connosco e apenas tem uma Supertaça para apresentar como conquista. A nossa estrutura e o treinador têm de estar à altura do que o nosso clube e os adeptos merecem.

 

E não deixa de ser irónico ver alguns “grandes” sportinguistas no Facebook e nos blogs a queixarem-se dos adeptos do Sporting… porque ousam criticar a falta de qualidade de jogo da equipa. Imagine-se o descaramento deles! Porque estes adeptos querem ganhar e não apenas ouvir dizer que o vamos fazer e depois isso não se verificar. Porque acham que uma vez que continuam a ir ao Estádio, mesmo sem objectivos decentes para alcançar, merecem ao menos bons espectáculos. Porque acreditam na matriz e princípios do clube e continuam época após época a ver o seu presente de glória adiado. E depois vemos os adeptos de um clube que é tricampeão a dizerem neste fim-de-semana que o campeonato está perdido, após uma escorregadela e a criticar o seu treinador. Vemos o Dragão cheio, mas apenas porque neste fim-de-semana podiam assumir a liderança no campeonato. E depois questionamo-nos: esta gente que critica os outros sportinguistas não se enxerga e não tem vergonha na cara? Se alguma coisa 86% dos sócios têm "culpa" é de votarem em quem os elege como bode expiatório dos insucessos em 86% das ocasiões…

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16
Mar17

X-Files

por Ivaylo

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É de manhã cedo, quase madrugada ainda. Fábio Mulder e Diana Scully chegam ao escritório da Polícia Judiciária onde ambos são agentes especializados na investigação de casos “diferentes”. Em cima da sua mesa de reunião têm uma nova pasta, provavelmente deixada na véspera por Válter Skinner que é o chefe de ambos, onde é visível uma etiqueta que diz apenas “Bruno Paulista – Confidencial”. Curiosamente, Fábio e Diana são ambos adeptos do Sporting Clube de Portugal, pelo que reconhecem imediatamente o nome.

 

FábioOlha Diana, aquele “trinco” que era suposto ser o suplente do William Carvalho.

DianaEra, dizes bem. Pelo que vi até agora o João Palhinha é mais certinho.

FábioMas, qualidade à parte, qual o assunto do file?

 

Começam ambos a passar os olhos pelas sucessivas páginas, e a cada página vão ficando com um semblante cada vez mais surpreendido e incrédulo. É relatada a história de um jogador brasileiro que em Agosto de 2015 ingressa no Sporting, por empréstimo, proveniente do Bahia. Em Portugal é apenas informado que o Sporting passa a contar com mais uma opção para Jorge Jesus. Aparentemente, um clube angolano – Recreativo de Caála – adquire 90% do passe do jogador e esse clube é que o cede por empréstimo ao Sporting.

 

DianaFábio, não percebi… Então mas o jogador é emprestado pelo Bahia ou pelo Caála?

FábioPois Diana… Ah… Isso… Ah… Se calhar é melhor voltarmos ao início.

 

Voltam à primeira página. Aí têm um link em que é referido que o jogador tinha assinado pelo Sporting por 6 anos em 2015. Tentam seguir outro link das referências que, supostamente, seria um comunicado do Sporting.

 

DianaFábio, isto cada vez é mais estranho. Então o Sporting faz um comunicado oficial e agora já não se consegue encontrar?

FábioDevem ter sido uns extraterrestres…

DianaBem, comunicados à parte, descobri aqui um blog daqueles que costumas acompanhar.

 

Verificam então duas publicações que distam entre si uma semana. Primeiro a 12 de Junho de 2016 afirma-se que o jogador teria chegado por empréstimo em Julho de 2015, mas através do Recreativo de Caála – propriedade do empresário António Mosquito – que teria comprado o passe ao Bahia e emprestado o jogador ao Sporting com opção de compra por 3,5M€, ficando o Sporting responsável pelos vencimentos. Depois a 17 de Junho afirma-se que o Sporting teria, não accionado a opção de compra, mas sim garantido o atleta por empréstimo mais uma época – até Junho de 2017.

 

Entretanto, após (mais) uma época menos bem sucedida o Sporting optou por (sub)emprestar o jogador ao Vasco da Gama. Neste momento não é seguro que o Bahia, o Sporting, o Caála e o Vasco se entendam e a hipótese de o jogador voltar – para a equipa B – não está colocada de parte.

 

DianaÓ Fábio, mas o Sporting não tinha já pago os 3,5M€ no início desta época (2016/2017)? Este negócio é tudo menos transparente. Não tinha sido o Bruno Carvalho a prometer que estas “negociatas” com empresários e afins tinham acabado?!

FábioDiana… não faças perguntas difíceis. EU QUERO ACREDITAR!

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Ter um bom departamento de scouting ou de prospecção de jogadores parece cada vez mais fazer a diferença para o sucesso num clube de futebol.

Na verdade, o Sporting tem sido um exemplo de um grande clube formador, que consegue desenvolver jogadores de grande qualidade, embora nem sempre os consiga rentabilizar, mas que tem acertado muito pouco nas contratações que tem realizado.
Esta é uma realidade que não se pode circunscrever a esta Direcção, mas que tem sido uma regra do Sporting desde há muito tempo. Todos nos lembramos de Slimani e da sua espectacular valorização, tendo custado 300 mil euros e rendido 30 milhões de euros (valorizando-se cerca de 100 vezes), mas a verdade é que são muitos os casos de flops e de contratações que não resultaram, situação que já se vem verificando há muito tempo. Todos nos lembramos de Kmet, Carlos Miguel, Pongolle, Jeffren, Elias, Bojinov, Labyad, mas também, mais recentemente, de Slavchev, Rossel, André, Castaignos, Paulista, Petrovic, etc. Isto só para citar alguns exemplos.
Claro que nenhum clube acerta sempre e todos têm os seus falhanços. A verdade é que o Sporting, com os recursos limitados que tem, não se pode dar ao luxo de falhar mais que os rivais quando contrata jogadores, eliminando a vantagem que possui ao conseguir ter a qualidade na formação que tem revelado desde há muito. E não esquecer que muitas vezes não se trata apenas do valor do passe, mas dos ordenados que se têm de pagar, que entram também para os custos. Labyad é a esse respeito um exemplo bem elucidativo, embora existam muitos outros.
No caso de Slimani, até o contratámos em vez de Ghillas, pelo facto do Porto se ter intrometido e aí ficámos claramente a ganhar. Mas como disse atrás, esta foi a excepção que confirmou a regra apesar de algumas contratações até terem sido aceitáveis, como por exemplo Bruno César e Bryan Ruiz. Depois tivemos a de Bas Dost, que embora envolvendo um custo elevado – 10 milhões de euros - tinha uma margem de erro reduzida, por se tratar de um jogador já habituado à alta roda europeia, numa posição específica e em que é difícil encontrar jogadores válidos como é a de ponta-de-lança e já com 27 anos. Está a ser das poucas contratações desta época que está a resultar.
Mas como são decididas estas contratações? Quem referencia os atletas e quem é que em última análise decide dar indicação à Direcção para os contratar? E no final a Direcção acata estas indicações ou acaba também por tomar opções em relação às indicações técnicas?
Aqui entra o conceito de estrutura e de que forma o departamento de prospecção se insere na mesma. Porque é necessário saber como acontece o processo de decisão para se optar por um jogador em detrimento de outro, para que se possa avaliar com justiça o grau de responsabilidade das diferentes partes no processo global.
Convém por isso não ser demasiado simplista nesta análise. Não sabemos quais os atletas que foram sugeridos pelo scouting... apenas sabemos os que no final acabaram por ser contratados. Podem assim ter existido muitos atletas que foram sugeridos mas que não foram contratados, por opção do treinador ou da Direcção, porque eram demasiados caros para aquilo que se pretendia gastar ou porque o treinador não concordou com a proposta. Neste momento e conhecendo Jorge Jesus, até se diz que a grande maioria dos atletas que adquirimos foram da sua responsabilidade. E é importante saber se isto é verdade e como ocorreu para que não se volte a repetir outra época como a actual, com muito baixa percentagem de aproveitamento, apesar do investimento realizado.
E mesmo daquilo que conhecemos... a verdade é que estivemos interessados em Mitroglou, Danilo e Cervi. Jogadores que se os tivéssemos conseguido contratar para o Sporting talvez já mudassem um pouco a opinião que temos formada sobre a prospecção. Nestes casos, os rivais acabaram por fazer valer argumentos que se sobrepuseram aos nossos.
Por isso, adaptando o adágio popular, o “segredo e a rapidez são a alma do negocio”.
Vem tudo isto a propósito da notícia veiculada ontem pelo jornal O Jogo, de que o Sporting se prepara para fazer uma remodelação no scouting com a saída de José Laranjeira, ao serviço do clube desde Junho de 2014, proveniente então do Braga. Sabendo como as coisas têm corrido e numa avaliação imediatista, somos levados a concordar que é quase unânime que algo tem de mudar na prospecção.
Ainda assim, talvez seja interessante atentar numa entrevista concedida por Paulo Cardoso do scouting do Sporting em Janeiro de 2016 LINK. Quando questionado sobre qual a importância do scouting nos clubes, respondeu “Em primeiro lugar prefiro falar de Recrutamento de Jogadores e não de Scouting. Scouting é apenas uma parte do Processo de Recrutamento de Jogadores. Em relação à sua importância, na minha opinião é o primeiro factor de sucesso quer seja no Processo de Formação de Jogadores ou na construção de uma Equipa de Alto Rendimento. É a base sobre a qual se pode construir um qualquer projecto de futebol.” Este responsável destaca os casos de sucesso que constituíram Cristiano Ronaldo, Hugo Viana, Dier, Bruma, entre outros (ainda nos escalões de formação) mas surpreendentemente revela que o scouting do Sporting também deu indicação para a contatação de Di Maria, Ramirez e Gaitan, jogadores que ainda por cima foram reforçar um rival, o qual arrecadou com a venda dos passes dos mesmos dezenas de milhões de euros, além do rendimento desportivo que deles consegui extrair. Ou seja, neste caso não foi o nosso scouting que falhou mas a etapa final de contratação. Provavelmente porque ou não fomos suficientemente rápidos, ou porque não conseguimos igualar os valores que os rivais apresentaram. Ainda assim, depois acabámos muitas vezes por gastar o mesmo em outros jogadores que não se revelaram produtivos da mesma forma... como curiosidade, refira-se que foi Paulo Cardoso (ao serviço do clube desde 1995) quem foi responsável pela avaliação técnica de Cristiano Ronaldo para a entrada no clube, tendo também sido treinador do futuro melhor jogador do mundo e que criou com o atleta e família, uma relação muito próxima.
Refere ainda que os profissionais de Scouting e análise de desempenho portugueses criaram uma imagem muito positiva no mercado internacional, levando inclusive a que alguns fossem trabalhar para clubes estrangeiros.
Todos temos noção da existência de sites como o Transfermarkt que nos dão uma ideia da cotação dos jogadores e da sua evolução, dos clubes que representaram, entre outros dados. Claro que existe também o youtube, que permite ver imagens dos jogadores, ainda que nos dê muitas vezes uma imagem enviesada, selecionando apenas os melhores momentos do jogador em questão. Isto é de tal forma verdade, que se torna quase uma anedota dizer que o clube X escolhe jogadores pelo youtube como sinónimo de amadorismo e de falhanço na contratação.
Obviamente que um bom departamento de scouting tem de ir muito mais além do que isso. Tem hoje ao seu dispor ferramentas desenvolvidas para ajudar no processo como o Talent Spy. Na verdade, o Sporting já com esta Direcção e em Junho de 2014, assinou com a empresa portuguesa F3M um protocolo que permitiu ao clube usufruir deste programa informático pioneiro a nível mundial, que permite aos responsáveis do clube criar, armazenar e organizar a base de dados de jogadores observados, de uma forma mais modera e prática. Esta ferramenta é também utilizada pelo Benfica e por alguns clubes estrangeiros. Na altura foi até dito que esta decisão teria sido tomada sob influência de Marco Silva que já usava esta ferramenta no Estoril. Verdade ou não, o que é certo é que esta plataforma, desenvolvida por portugueses da Universidade do Minho, usa dados de 100 mil jogadores de 6000 equipas, ligados a 250 competições de 50 países diferentes. Em Portugal, apenas os 3 grandes e o Braga dispõem de equipas internas de “scouting” e com esta ferramenta os “scouts” conseguem saber bastante sobre um jogador (júnior ou sénior) a residir em qualquer ponto do planeta, incluindo perfil, historial clínico, situação contratual, performance, entre outros elementos. Pode-se por exemplo chegar aos eventos desportivos de bairros sociais ou descobrir os melhores “pés esquerdos” da equipa sub-16 da Argentina. E isto sem sair das instalações do clube...
Trata-se apenas de um exemplo de como a realidade do futebol e da prospecção está a evoluir a uma velocidade surpreendente.
Depois é também importante estabelecer uma importante rede de contactos, (networking) em outros países e que possam auxiliar o departamento de prospecção/scouting no seu trabalho. Os anteriormente designados de “olheiros”.
Além disso, temos sempre de ter presentes que um jogador que brilha num clube menor, pode não ter o rendimento desejado num clube com outras pretensões no mesmo campeonato ou até ter problemas de adaptação, motivados por se transferir para um país e cultura diferentes. A possibilidade de falhar existe e continuará a existir sempre. O que se pretende é diminuir o mais possível a possibilidade de erro, sobretudo quando se considera investir de forma mais significativa num jogador.
Portanto, quando consideramos um departamento de scouting e a sua mais-valia, esta deverá incluir sempre, num clube como o Sporting, desenvolver um trabalho integrado com a equipa técnica, responsáveis da formação e da equipa B, de forma a identificar as lacunas da equipa e as melhores alternativas para as colmatar. E depois actuar com celeridade e eficácia junto dos clubes que têm os jogadores pretendidos e aqui já entra a Direcção. Neste caso específico, ajuda também que existam boas relações com esses clubes e que não se tenham desenvolvido anticorpos que os levem a optar por negociar com um rival em vez de o fazerem com o Sporting.

Além disso, assume também importância fundamental a relação que o clube tenha com os empresários/agentes dos jogadores, podendo esta facilitar ou dificultar o negócio, conforme os casos. Muitas vezes são estes empresários quem pode sugerir a aquisição de determinados jogadores, capítulo em que mais uma vez o departamento de prospecção deve ter uma palavra a dizer. 
Por isso, mais que a substituição de pessoas, talvez seja bom que se simplifiquem e agilizem processos.
É isso que todos esperamos, para que de uma vez por todas o Sporting comece a contratar com critério e com um índice de aproveitamento aceitável. Mais que um desejo é uma necessidade imperiosa, se queremos ser campeões nacionais na próxima época...

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editado por Ivaylo às 11:44

14
Mar17

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Osvaldo Ardilles (1,69 m), Lionel Messi (1,68 m), Littbarski (1,68 m), Roberto Carlos (1,69 m), Zola (1,68m), Romário (1,67m) e ... Diego Maradona (1,65m).

O que têm em comum estes jogadores? Além de terem sido excelentes jogadores (dois deles ainda no activo), tinham todos eles menos de 1,70 m.
Normalmente a baixa estatura é entendida como um handicap para um jogador de futebol. Se estivermos a pensar em guarda-redes ou centrais e mesmo ponta-de-lança, embora neste último caso possam existir avançados letais sem presença física imponente (lembram-se de Liedson? – e ainda assim com 1,75m...), dificilmente imaginamos um jogador com grande eficácia nestas posições sem ter uma altura bem mais significativa.
Porém estes jogadores e o seu valor, provam que nem sempre é assim e que esta situação não deve ser encarada como uma fatalidade.
Neste momento, já os leitores perceberam onde quero chegar. Quem viu no sábado a exibição de mais um gigante, Podence, do alto do seu 1,65 m, não pode deixar de esboçar um sorriso de orelha a orelha de esperança que possa estar ali mais uma grande talento do futebol português e mais uma vez vindo da melhor escola de formação do País. Não a que é tão publicitada actualmente, embora claramente esteja a melhorar e localizada lá para os lados do Seixal, mas a de Alcochete, a do nosso Sporting. Claro que para chegar aos pés dos gigantes que mencionámos muito terá de evoluir e trabalhar, mas pelo menos estes exemplos representam a confirmação de que não será pela baixa estatura que Podence não poderá almejar mais altos voos.
Rapidez, técnica, posicionamento táctico, trabalho defensivo, assistências e passes bem medidos – que o diga Dost – tudo isso nos foi servido em Tondela, num repasto que já tardava em constar do menu frugal que temos tido esta época. Apesar de bem conseguida, não foi uma exibição de gala da equipa, mas constituiu uma portentosa apresentação de Daniel Podence.
Jogando pela primeira vez a titular da equipa principal, Podence soube aproveitar a oportunidade concedida para marcar a diferença e justificar mais oportunidades no futuro. Sim, porque a boa forma e o rendimento se atingem com os jogos, as rotinas com os colegas e o acumular de confiança.
Mas voltemos um pouco atrás para fazermos uma viagem pelo percurso deste pequeno grande jogador.
Daniel Podence, nasceu a 21 de Outubro de 1995 em Oeiras, dando início à sua carreira na época de 2002/2003, no Belenenses, onde permaneceria durante 3 temporadas até 2005, altura em que se transferiu para o Sporting Clube de Portugal. Nessa altura, foi também disputado pelo Benfica. Quando questionado sobre isto, Podence declara que foi a mesma coisa que “escolher entre carne ou peixe”. “Era miúdo e depois de ver tanto jogador do Sporting com qualidade… e verdade seja dita, os meus pais e os meus irmãos, como eu era muito novo, sempre me deram apoio para eu ir para o Sporting. Eu também simpatizava muito com o Sporting e isso foi meio caminho andado para lá."
Nas camadas jovens do Sporting, privou com vários jogadores, tais como Domingos Duarte, José Postiga, Mama Baldé e Rafael Barbosa. Foi campeão nacional de Junores B e de Juniores C. Posteriormente e já na equipa B, estaria com Illori e Dier, por exemplo. Na equipa B permaneceria 4 épocas, de 2012 a 2016, tendo ainda com Marco Silva conhecido a sua estreia pela equipa principal, onde alinhou num total de 6 jogos na época de 2014/2015. Depois de ter feito a pré-época de 2016/2017 com Jorge Jesus, acabou por ser emprestado ao Moreirense, juntamente com Francisco Geraldes de quem é grande amigo. Já neste clube viria a conquistar a Taça Liga na presente edição. Em Janeiro regressou ao Sporting tal como Geraldes. Ao contrário deste último que só agora teve os primeiros minutos, Podence tem tido mais oportunidades, ainda que só neste jogo tenha sido titular. A propósito deste regresso ao Sporting declararia: "Não posso encarar isto como uma coisa do outro mundo, é um patamar onde eu já queria estar há muito tempo. Tenho de olhar com naturalidade para tudo isto e mais virá com o tempo".
Este extremo esquerdo, que também pode jogar à direita e em apoio ao ponta-de-lança, tem na velocidade uma dos seus principais atributos, ele que se considera também critativo e explosivo, comparando-se a Gelson e Matheus. Não se tem distinguido propriamente pelos golos que marca, mas mais pelo que contribui para a manobra colectiva.

Ainda em relação ao jogo de Tondela, Podence publicou uma foto onde surge abraçado a Dost, quando festejaram o primeiro golo, nascido de um passe de Podence. Geraldes, seu companheiro de viagem, aproveitou para com bom humor lhe dizer: “Estás bem? Com essa altura deves ter vertigens!”, para logo depois acrescentar: “calma pessoal, a altura é inversamente proporcional ao seu talento”.
Para aqueles que lhe chamam o “Messi português” responde que Messi só há um e que prefere não se colar a rótulos, apenas deixar a sua marca, sendo ele próprio.
Depois desta auspiciosa estreia a titular, apenas se espera que Podence possa ter as oportunidades que outros têm tido, sobretudo quando são contratados em outros países e com custos de aquisição/empréstimo consideráveis. Tem a palavra Jorge Jesus...

 
 
 

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No sábado à noite, o Sporting jogava contra um adversário a quem não conseguiu vencer em Alvalade nas duas ocasiões em que o Tondela esteve na Primeira Liga e contra o qual, na única vez que tinha defrontado fora, apenas tinha ganho com grande dificuldade e por um golo.

Isto na sequência de mais um empate caseiro deprimente com o Guimarães, deixando a equipa definitivamente afastada da luta pelos dois primeiros lugares e tendo de se preocupar com o Braga, que está na quarta posição. Ainda assim, registe-se que esta última equipa tem somado maus resultados, não tendo colhido até agora benefícios da aposta em Jorge Simão.

Mas voltando ao jogo de Tondela, com a lesão de Adrien e o castigo de Alan Ruiz e Bruno César, teriam necessariamente de se registar novidades no onze titular. Tal como já tinha deixado antever na conferencia de imprensa antes do jogo, Jorge Jesus entregou a titularidade a Podence e Matheus, tendo colocado Bryan Ruiz a fazer de Adrien.

E a verdade é que a equipa rubricou uma boa prestação, tendo registado, sobretudo na segunda parte, alguns momentos de bom futebol.

Rui Patrício, embora com pouco trabalho, respondeu presente em 3 intervenções muito importantes, não tendo qualquer culpa no golo do Tondela. Schelotto, parece estar de volta ao registo das últimas jornadas da época passada... nunca vai ser um tecnicista, mas corre que se farta, cruza muitas vezes mal e lá vai compensado com o voluntarismo o que lhe falta em talento e acerto. Não deixa de mostrar à saciedade que é mesmo preciso ir ao mercado buscar outro defesa direito, pois neste momento nem sequer tem alternativa no plantel à altura. Do outro lado, Marvin, continua a registar as habituais limitações, e apesar de ter contribuído para o lance do primeiro golo, não esteve particularmente bem. Continuamos a ter um defesa esquerdo diferente em cada jogo – até já Esgaio fez a posição, além de Jefferson - e assim é complicado também. A ver se, de uma vez por todas, se vai ao mercado buscar um lateral esquerdo com qualidade e que tenha fiabilidade quer a defender, quer a atacar.

Relativamente aos centrais, Paulo Oliveira com a sua sobriedade e simplicidade de processos esteve melhor que Coates, que é quem disputa com Murillo o lance do golo do Tondela.

Já William esteve bem e pendular, regressando aos poucos ao nível que o projectou quer no Sporting, quer na selecção. Bryan Ruiz, que assumiu as funções de Adrien, não revelou a combatividade do seu colega lesionado a defender, embora tenha contribuído para as acções ofensivas. Gelson, que costuma ser o abono de família da equipa, esteve algo apagado e inconsequente.

Matheus começou menos bem, teve direito a um puxão de orelhas de Jorge Jesus e acabou por melhorar assinando uma boa segunda parte, fazendo a assistência para o segundo golo e estando no lance que viria a originar o penalty que dá o 4º golo.

E faltam os 2 grandes destaques individuais... Bas Dost, que assinou um poker, feito muito raro, tendo convertido dois penalties e falhado um outro. Mostrou o habitual instinto matador e revela-se a cada jornada um ídolo para os adeptos. Por último Podence que apesar da sua altura, aproveitou muito bem a titularidade, assinando excelentes jogadas e apontamentos. Não esteve sempre bem, mas fez uma grande exibição e agora vai ser uma dor de cabeça para Jorge Jesus, se o mantém a titular ou se a devolve a Alan Ruiz. Pela prestação de sábado, não restam grandes dúvidas de quem a merece... não está em causa que o argentino não seja um bom jogador, mas é óbvio que Podence empresta algo mais ao jogo em velocidade e em trabalho defensivo, por exemplo.

Entraram ainda Palhinha, aos 79 minutos, que não comprometeu e finalmente (!) Francisco Geraldes, ainda que apenas 5 minutos. Mesmo assim, ainda deu para sofrer um penalty que desta vez Bas Dost não converteria. O holandês já tinha “ameaçado” pela forma algo denunciada como marcara as outras grandes penalidades e desta vez não conseguiu mesmo marcar aquele que seria o seu 5º golo no jogo de Tondela. Jorge Jesus, tem de continuar a ensinar Dost a marcar penalties... mesmo assim nada disto belisca o grande jogo deste gigante. Tivessemos nós acertado nas outras aquisições e contratado laterais, se calhar a história na classificação seria agora diferente...

O Tondela ainda teve tempo para se empertigar na reação ao golo do Sporting, vindo a conseguir o empate e algumas oportunidades, mas globalmente acabou por se ter de render ao melhor futebol dos leões.

O árbitro, Bruno Paixão, um dos fenómenos mais incompreensíveis da arbitragem portuguesa, pois é talvez um dos recordistas de actuações polémicas, esteve surpreendentemente bem e ajuizou adequadamente os lances mais duvidosos.

Agora é continuar nesta toada, já no próximo jogo em casa com o Nacional. A ver se esta aposta nos mais jovens é para continuar, ou se voltam ao banco e à bancada. Não serão eles que nos resolverão todos os problemas nem podem ter essa responsabilidade, mas é uma evidência que fazem parte da solução e provavelmente pode estar neles a chave de uma próxima época que nada tenha a ver com esta. Não esquecer ainda Iuri Medeiros que ainda ontem brilhou contra o Marítimo, assumindo-se como o abono de família do Boavista. Depois é só complementar o talento destes jovens com 4 ou 5 contratações que verdadeiramente acrescentem qualidade ao plantel – as tais contratações “cirúrgicas” - e poderemos ter alguma esperança. Resta saber se a nossa estrutura conseguirá resistir a comprar muito, caro e mau (à excepção de Dost) tal como foi apanágio nesta época e do qual sofremos as consequências que se conhecem, não podendo aspirar a mais que o terceiro lugar e assistindo de longe à luta entre Benfica e Porto pelo título.

Vamos aguardar e esperar que as coisas corram pelo melhor. A forma como se terminar esta época, nomeadamente em relação às apostas de Jorge Jesus e as mexidas na estrutura que terão de acontecer, mas que ainda não se conhecem – para além da eventual promoção a Director Desportivo de André Geraldes, algo que só pode preocupar os sportinguistas que gostam de ver competência ao serviço do clube e não outros factores a imporem-se nas decisões - ditarão muito do que poderemos esperar da próxima época.

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09
Mar17

Diz o roto ao nu…

por Ivaylo

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Na passada quarta-feira, mais uma vez aparece em cena um dos peões em ataque cerrado a um jornal português. Correio da Manhã? A Bola? Record? O Jogo? Não. Pasme-se: o Jornal de Negócios! Considera o peão que uma reportagem comparativa das contas de Sporting, porto e benfica, totalmente baseada nessa realidade complexamente subjectiva que são os números é propaganda. Logo a priori urge a questão: propaganda não será afirmar que um facto objectivo como um número é passível de opinião ou subjectividade…?

 

Para além do princípio “enviesado” de analisar uma reportagem de um jornal económico como se de um desportivo ou sensacionalista se tratasse, continuam os “remates com efeito” ao longo da “análise” propriamente dita. Afirmam que é «surreal» que uma publicação económica olhe para mais do que o número final, ou seja, criticam o facto de – nunca é demais acentuar isto – um jornal económico tenha optado por “descascar” os números por detrimento de olhar apenas para o “bonito” número final. Também devem achar surreal quando o Correio da Manhã noticia um tiroteio ou um dos três desportivos fala sobre um jogo de futebol… Seguem reforçando que só o resultado final importa e que no semestre em apreço o Sporting «conseguiu um lucro absolutamente extraordinário», e aqui por acaso e sem aparente conhecimento de causa acertaram.

 

O lucro apresentado pela Sporting SAD não é nenhuma surpresa. Surpresa (bem desagradável) seria o Sporting ter feito duas transferências no valor total de 70M€ e apresentar prejuízo. Mas, mais do que o encaixe monetário efectuado é também importante analisar a contabilização dessas vendas numa perspectiva de mais-valias. João Mário era um jogador proveniente da Formação Leonina e, fazendo fé nas palavras dos próprios responsáveis do Sporting, esses jogadores estão valorizados no balanço da SAD como quase zero. Islam Slimani foi um jogador contratado por 300m€, sendo registado no balanço por esse valor. Portanto, João Mário representou uma mais-valia de 40M€ (40 – 0) e Islam Slimani de 29,7M€ (30 – 0,3). Conclui-se assim que foi de facto extraordinário, não só do ponto de vista de Tesouraria como do ponto de vista contabilístico. Partindo do natural princípio que sem vender Slimani não se teria contratado Bas Dost, podemos inferir o que seriam as contas deste semestre sem as vendas: prejuízo de 13,2M€ [46,5 (resultado apresentado) – 69,7 (mais-valia global das vendas) + 10 (valor pago por Bas Dost)]. Realçar ainda que estas receitas extraordinárias provenientes de vendas surgem habitualmente em contexto de sucesso desportivo, o que é evidente que não será o caso esta época.

 

Como se vê, sem receitas extraordinárias o número final já não seria tão “bonito”. E isto deve – obviamente – fazer reflectir que o equilíbrio de médio/longo prazo de qualquer organização nunca poderá ser assente em factos extraordinários. Aliás, Portugal é (infelizmente) o exemplo mais claro disso. Temos, desde que fazemos parte da Zona Euro, obrigações a nível do “número final” – o nosso deficit orçamental não pode exceder 3% do PIB. Temos, quase sempre que atingimos essa meta, enveredado pela via das receitas extraordinárias. Durão Barroso fê-lo. Santana Lopes fê-lo. Sócrates fê-lo. Passos Coelho fê-lo. E já agora em 2016 Costa fê-lo. Achará o peão que Portugal respira saúde financeira…?! Pelo menos em 2012, estou em crer que a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional discordariam…

 

Para futuras ocasiões em que o peão tente abordar matérias de cariz financeiro, recomendava uma vista de olhos prévia à teoria… aqui fica um exemplo.

 

Quanto ao já costumeiro e deplorável hábito de “invadir” a vida de pessoas, neste caso os jornalistas que redigiram a peça, não tenho quaisquer recomendações… é uma questão de educação, ou se tem ou não.

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Luís Martins, com 53 anos de idade, começou a jogar futebol no Sporting Clube de Portugal, nos escalões de escolas e infantis. Foi ainda praticante de Natação, Ginástica e Atletismo – vindo mais tarde a passar pelo Odivelas.

Já universitário, no curso de Educação Física, acaba por se dedicar ao Futsal, devido à difícil conciliação dos treinos com os estudos.
 
Voltou depois ao futebol, com passagens pelo Odivelas como treinador adjunto dos juvenis, Belenenses e Coruchense e novamente pelo Odivelas.
Mas é no seu clube de origem, o nosso Sporting, onde foi ao longo de quatro anos o treinador dos juvenis, tendo orientado Cristiano Ronaldo, que viria a atingir maior projecção. Viria a sagrar-se campeão nacional em 2003/2004 no escalão de juvenis e na temporada de 2004/2005 passou a adjunto de José Peseiro, no plantel sénior, época em que quase nos sagrámos campeões e em que chegamos à final da Taça UEFA. Com a ascensão de Paulo Bento a treinador da equipa principal, após a saída de Peseiro, Luís Martins fica com a tarefa de orientar os Juniores, acabando por conquistar o campeonato nacional de 2005/2006.
Em relação a Cristiano Ronaldo, viria a declarar em entrevista recente: “O Sporting teve a sorte de ter Cristiano Rolando, mas Cristiano Ronaldo também teve a sorte de estar numa altura, num espaço, numa instituição que desenvolveu um projecto inigualável na formação de jogadores”.
Em Dezembro de 2006 decidiu abandonar o Sporting, indo abraçar um projecto no futebol profissional ao serviço do Portimonense, que estava na 2ª Liga, tendo sido despedido no início da temporada de 2007/2008, depois de ter salvo a equipa da descida na época anterior.
Terá sido nessa altura que foi convidado por Luís Filipe Vieira para assumir o cargo de coordenador do sector de formação dos encarnados.
No entanto, viria a ingressar no Sporting Clube de Braga como coordenador de todo o futebol de formação.
Em Agosto de 2010 foi trabalhar para a Arábia Saudita por indicação de José Peseiro, assumindo as funlões de seleccionador dos sub-21. Em Março de 2012 sagrou-se campeão de sub-23 neste país ao serviço do Al-Ahli. Na hora da vitória, não esquece um agradecimento a Peseiro.
Na época de 2012/13 passou a trabalhar como adjunto de André Vilas Boas no Tottenham de Londres e depois no Zenit de San Peterburgo.
Em Julho de 2016 regressa ao Sporting para desempenhar as funções de Director Técnico da Academia de Alcochete e até ao momento parece já ter deixado a sua marca, com bons resultados das equipas mais jovens. Em Fevereiro de 2017 passou a acumular funções como treinador da equipa B, que está a lutar pela manutenção na Segunda Liga, após o despedimento de João de Deus, tendo já conseguido inverter o ciclo de maus resultados.
 
Luís Martins parece ser assim a pessoa com o perfil ideal para desenvolver um trabalho válido no futebol de formação do Sporting, não se limitando o seu potencial a essa vertente. No entanto, parece ser aquela em que mais tem potencial. Espera-se que regresse a essas funções após o final da temporada e que o trabalho de “salvamento” da equipa B seja levado a bom porto.
Sem dúvida uma boa decisão da Direcção do Sporting, a de ter voltado a recrutar um bom elemento que já tinha mostrados bons serviços no clube há cerca de dez anos.

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07
Mar17

Bruno-de-Carvalho-festejou-golo-de-Montero-de-form

 

Ainda no rescaldo da estrondosa vitória de Bruno de Carvalho nas eleições do Sporting, em que obteve cerca de 86% dos votos, enquanto o seu adversário Pedro Madeira Rodrigues se limitava a uns modestos 9% e os brancos se contabilizavam em 5%, gostaria de tecer algumas considerações e reflexões adicionais.

Em primeiro lugar, a dimensão da vitória é uma oportunidade perdida de fazer com que BdC corrija vários erros que tem vindo a cometer na presidência do Sporting e que também têm contribuído para o insucesso desportivo que se vem registando. Na verdade, o agora reeleito presidente do Sporting pensará que tem toda a legitimidade para continuar a gerir o clube exactamente da mesma forma como o tem feito até aqui, podendo inclusive acentuar alguns traços autoritários e egocêntricos, bem como decisões arbitrárias. E na verdade tem essa legitimidade e quem lha conferiu foram os sócios.

Encontram-se assim avalizadas a estratégia de Comunicação e discurso completamente sem filtro (como se viu no dia das eleições), a continuação das publicações de Nuno Saraiva no Facebook, na maioria das vezes a zurzir nos rivais de Lisboa e nos seus comentadores e até a promoção de amigos do presidente para cargos para os quais não revelam a menor qualificação ou competência, como é o caso de André Geraldes para Director Desportivo.

Tudo isto será um erro, com consequências nefastas para o Sporting e mesmo a médio prazo para BdC, mas não é provável que algo se venha a alterar nestes domínios.

Claro que se BdC tivesse ganho com uma menor percentagem e os votos brancos fossem mais expressivos, a margem de manobra seria menor e talvez fosse obrigado a revelar algum bom senso, reflectindo sobre as decisões e estratégias erradas que têm vindo ultimamente a ser seguidas. Não foi isso porém que aconteceu, como sabemos e podemos assim esperar mais e pior do mesmo.

Considerando agora o outro lado da questão, o resultado das eleições constitui uma excelente oportunidade para que, quem se quer constituir como oposição construtiva e assumir uma eventual alternativa a este rumo, possa reflectir qual a melhor estratégia e porque falhou tão rotundamente a proposta e candidatura de PMR.

Em primeiro lugar, nestes 86% cabem muitos votos. Temos gente que votaria BdC mesmo que este decidisse mudar os equipamentos e o nome do clube, pessoas que estão reconhecidas pelo que de bom se fez no mandato – reestruturação, Pavilhão e aumento da competitividade desportiva, mesmo partindo dum ponto muito mau como foi o sétimo lugar e não se tendo conquistado qualquer campeonato – que no fundo acreditam ainda neste presidente e acham que merece um segundo mandato e por fim pessoas que não se reviram minimamente em PMR e preferiram BdC. Estes últimos, se tivesse surgido uma candidatura mais credível e sustentada, provavelmente até poderiam ter-lhe atribuído os seus votos.

Depois, houve uma inteligente colagem do candidato derrotado aos rivais e ao passado recente negativo e doloroso do Sporting, por parte dos apoiantes de BdC e essa estratégia já tinha sido desenhada mesmo antes de se saber quem era. Portanto, muitas pessoas também foram votar porque recearam que o clube voltasse ao rendimento desportivo da era Bettencourt e Godinho Lopes, sobretudo em relação ao futebol. Para este objectivo foi montada uma campanha pela máquina de propaganda de BdC (sendo o Mister do Café um dos seus principais pontas-de-lança), primeiro fazendo a identificação de PMR com um blog crítico de BdC, depois com a estratégia e críticas do rival e finalmente com o tal passado. O candidato, pese embora toda a sua boa-vontade e voluntarismo, facilitou a tarefa, ao apresentar propostas que não estavam bem sustentadas e hierarquizadas e entrando no tal discurso belicoso em que BdC tão confortável se sente. O resto… já sabemos.

Bruno de Carvalho é um presidente que se alimenta de conflitos e das emoções que aí se geram. Claro que sem emoção e paixão não se vive o desporto. Mas estas devem ser canalizadas para o apoio incondicional ao clube e não para qualquer culto de messianismo. Mas é isto que se tem passado. Quanto mais conflitos lhe criarem ou ele próprio gerar, mais forte ele fica junto da massa associativa. Nessa altura o que se torna mais forte junto dos sportinguistas é o impulso da defesa da figura mais representativa do clube. E isso foi muito bem usado nestas eleições.

A própria Comunicação Social, que lhe é hostil, embora ele muito vá fazendo por isso, tarda em perceber esta realidade. Na verdade artigos que o ridicularizam ou sondagens tão ridículas como a publicada pelo Correio da Manhã ou em canais de TV, falando em disputa taco-a-taco entre as duas candidaturas, desconsiderações e ataques pessoais que são feitos a BdC e até insultos, só unem mais os sportinguistas em torno do presidente e facilitam a estratégia de vitimização que ele tanto aprecia e utiliza.

Mas isto também é válido para quem internamente (leia-se sportinguistas) não se revê na sua actuação. Percebe-se que BdC gera ódios ou paixões e que é difícil o meio-termo. Porém misturar críticas válidas e pertinentes sobre a sua estratégia com insultos e ataques pessoais, mesmo que estas possam ter impacto, só afastam quem é moderado e quer apenas o bem do Sporting, do conteúdo válido que possam conter. Mesmo que tenham impacto e visibilidade, só reforçam a popularidade deste presidente. Portanto, é importante centrarmo-nos na razão e deixar a emoção e os ódios para Bruno de Carvalho. Neste momento, ou ele muda a sua actuação e consegue entrar no caminho do sucesso (pessoalmente não acredito, mas ficaria muito feliz se tal acontecesse e não me custaria nada reconhecê-lo) ou apenas sairá do lugar que ocupa, quando ficar evidente à maioria dos sócios que não serve para nos conduzir ao sucesso que todos desejamos. Para já tem um trunfo importante, ninguém gosta de reconhecer que se enganou ou de se desiludir.

Veremos numa primeira fase, como descalça a bota Jorge Jesus e a sua renitência em apostar na Formação, quem vai sair do plantel e qual a receita gerada, como vai ser a qualidade e o número de contratações a serem feitas e como se inicia a próxima época de futebol, sendo que o terceiro lugar nesta época é provável mas ainda não está assegurado. Por outro lado, será também importante verificar qual o desempenho das modalidades principais do clube até ao final da época. Esta será claramente a hora da verdade para esta Direcção e para este presidente. E sobretudo, os títulos têm de deixar de ser prometidos e passar a ser conquistados.

Por isso, cá estaremos para o elogiar se o justificar, mas também para o criticar se persistir em tratar os sportinguistas como autómatos e escravos dos seus impulsos e excessos, sempre orientados pelo que achamos melhor para o Sporting. Sem lugar para a emoção ou questões pessoais, mas sempre tentando argumentar e usar a razão.

Sporting sempre!

 

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Ontem, em noite de reencontros de má memória – árbitro e adversário – inicia o Sporting o jogo com mais duas adaptações posicionais. Esgaio, que faz parte do plantel teoricamente como defesa direito, jogou na esquerda. Bruno César actuou na sua quinta posição esta época, fazendo o lugar de Adrien.

 

Mas, “voltando atrás”, na baliza Rui Patrício esteve bem e parece demonstrar que o momento de menor forma que teve no início de 2017 foi apenas isso, um momento. Não podia fazer mais no golo sofrido. Ainda na baliza, a inevitável questão: porquê convocar três GR para um jogo em casa e sem limitações físicas dos habituais convocados Patrício e Beto? Não teria sido a vaga melhor preenchida com um jogador de campo?

 

Na defesa, quarteto formado por Schelotto, Oliveira, Coates e Esgaio. Schelotto a ter um dos seus melhores jogos esta época, esteve em bom nível até perto do final da partida, quando levou um toque mais incisivo que o deixou ligeiramente limitado até ao apito final. Oliveira e Coates a terem um bom jogo e a revelarem um entrosamento crescente, assistimos a bastantes “dobras” mútuas. Na esquerda Esgaio. Eventualmente esta época seja a melhor opção, mas não será já tempo de Jesus se definir de uma vez por todas? Começo a imaginar um saco preto com quatro papelinhos com nomes (Marvin, Jefferson, Bruno César e Esgaio) e, imediatamente antes da divulgação da equipa titular, Jesus leva a mão ao saco e escolhe o defesa esquerdo para esse jogo… Como é possível criarem-se rotinas se continuar o “carrocel”? Pelo que Esgaio mostrou ontem, apesar de não ter velocidade para Hernâni e ter tido alguns dissabores nas suas costas, consegue mesmo assim defender melhor que a concorrência e é dele o centro que dá origem ao golo do Sporting, logo já justifica uma aposta com mais continuidade.

 

No meio campo, William a “6” e Bruno César a “8”. Qualquer um deles, individualmente, é uma boa opção para o lugar. No caso de William é mesmo o titular evidente. Mas, em simultâneo a actuarem no miolo fica o Sporting refém de algum défice de velocidade. E se pensarmos que à sua frente estava Alan Ruiz (“10”), que também não é um portento de velocidade, e à esquerda de Alan o outro Ruiz (Bryan a “11”), cuja velocidade não será de todo a sua melhor característica, ficamos com uma manobra ofensiva que apenas Gelson Martins (“7”) consegue acelerar. Pior, ficamos com uma manobra defensiva com nítida dificuldade de executar pressão alta. Ou se reequaciona quem deve substituir Adrien Silva e quem deve actuar na esquerda ou será este o “filme” para o próximo mês…

 

No ataque um excelente Bas Dost! Ontem a mostrar outros “pergaminhos” e a assistir de forma brilhante Alan Ruiz, naquele que foi dos seus poucos momentos no jogo, e a ter mais algumas intervenções nada egoístas ao longo do jogo. Demonstrou entrosamento, espirito de equipa, visão de jogo e boa execução técnica. Provavelmente o melhor jogador em campo na primeira parte.

 

Na segunda parte do jogo, Jesus terá considerado que a vantagem de apenas um golo era suficiente e “adormece” a equipa. Neste momento, infelizmente para nós só realizamos um jogo por semana, portanto é descabido falar de fadiga. Ou seja, se não é o cansaço o culpado do abrandamento, este tem de ser directamente imputado ao treinador. Se há questões de motivação é ao treinador que cabe estimulá-la e seleccionar os jogadores mais motivados. Se um ou outro jogador “tira o pé do pedal” sem que tenha sido o treinador a pedi-lo, é ao treinador que cabe retirá-lo de campo e colocar outro com mais “ganas”. É portanto legítimo inferir que foi Jesus que deu a instrução, até porque depois a acentua ao colocar um jogador no meio mais defensivo (Palhinha) do que o jogador que saiu e ao fazer entrar outros dois sem ritmo de jogo (Campbell e Castaignos).

 

Entretanto… não existem mais opções? Francisco Geraldes vê interrompida uma excelente época em Moreira de Cónegos para isto? Daniel Podence não teria sido uma melhor opção para dar velocidade ao jogo do que Campbell ou Castaignos? Apostar na Formação não pode ser só “palavras”… tem que ser “actos”. Palavras? Leva-as o vento…

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