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O Sporting é a paixão que nos inspira. Não confundimos competência com cultos de personalidade. 110 anos de história de um clube que resiste a tudo e que merece o melhor e os melhores de todos nós. Sporting Sempre


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Desde o desaire ocorrido no último jogo muito se tem falado e escrito sobre a relação actual de Bruno Carvalho e Jorge Jesus. Uma falsa questão, na minha opinião.

 

Antes de prosseguir deixo já claro que Jorge Jesus, do meu ponto de vista, não só nunca deveria ter sido treinador do Sporting Clube de Portugal como não tem, nem nunca teve, a qualidade exigível ao vencimento que aufere. Não quero com isto dizer que é um mau treinador, mas sim “estupidamente” bem pago.

 

Posto isto, «não adianta chorar sobre leite derramado». Jorge Jesus é treinador do Sporting e com contrato válido para mais do que a próxima época, um “pormenor” que parece ser esquecido por todas as pessoas que se têm pronunciado sobre o tema nos últimos dias. Existe uma relação de trabalho consubstanciada num contrato de trabalho a termo certo que – salvaguardadas as especificidades do mundo desportivo – é regido pela legislação laboral em vigor em Portugal. Se o Sporting quiser resolver o contrato tem de indemnizar o treinador no valor dos seus vencimentos até término do mesmo. Se o treinador quiser resolver o contrato, igual. Se ambos quiserem, por mútuo acordo, resolver o contrato terão de assinar isso mesmo – um acordo – onde poderão colocar cláusulas relacionadas com indemnização que substituirão as do contrato original. Apenas isto, como em qualquer relação de trabalho entre uma pessoa e uma organização.

 

Outro aspecto que, aparentemente, é ignorado por todos é que Jorge Jesus foi contratado para treinador da equipa de futebol. Como em qualquer contrato de trabalho, do mesmo deverão constar quais as responsabilidades, direitos e obrigações das duas partes. Sendo a função “treinador” e não “director” ou “presidente” (e muito menos “agente”…) não deverá estar estipulado no contrato que é ele que escolhe jogadores ou decide contratações, assim sendo não tem legitimidade para o exigir.

 

Nos dois parágrafos anteriores nunca utilizei o nome Bruno Carvalho. Por um motivo simples, Jorge Jesus tem contrato válido com o Sporting e não com o representante actual do Sporting. Não obstante, foi Bruno Carvalho quem o contratou com um vencimento absurdo para a realidade do futebol português, quem lhe renovou o contrato no final da época passada tornado o seu vencimento ainda mais absurdo, quem afirma e reafirma que é o seu treinador e o convidou para a sua “Comissão de Honra” no último acto eleitoral – tendo o mesmo aceite. Aliás, Jorge Jesus foi um elemento central nas eleições pois um dos candidatos “colou-se” inquestionavelmente à sua imagem e o outro afirmou categoricamente que o despediria, tendo sido apontada essa afirmação como o principal “tiro no pé” que lhe valeu um resultado pouco expressivo.

 

Finalizando, Jorge Jesus deve cumprir o contrato que assinou e cumprir as obrigações inerentes ao mesmo – treinar. Bruno Carvalho deve cumprir a função para a qual foi eleito – gerir – e nesse âmbito deveria garantir, não só que o treinador cumpre a função para a qual é principescamente pago, como a contratação de um director desportivo a sério que “desenhe” a estratégia de médio/longo prazo do futebol do Sporting dando ao treinador os melhores atletas de acordo com essa estratégia e com o orçamento.

 

Tal como no final da peça de Shakespeare, cuja imagem ilustra este texto, se um “morrer” o outro deve “morrer” também. Se Jesus sair, Bruno deve voltar a legitimar o seu mandato – demissão e eleições antecipadas.

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