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O Sporting é a paixão que nos inspira. Não confundimos competência com cultos de personalidade. 110 anos de história de um clube que resiste a tudo e que merece o melhor e os melhores de todos nós. Sporting Sempre


23
Jan17

Da Reactividade Necessária

por Pastelão Tecnicista

Como acontece em qualquer momento eleitoral, muitas propostas concorrentes surgem em antítese à praxis em vigor e reflectem uma reacção ao establishment, a despeito da inegável originalidade propositiva que com a reacção deve coabitar. É essa, de resto, a própria essência de qualquer processo democrático, a convivência (salutar) de diversas sensibilidades para com uma instituição que, no caso vertente, se deseja desportivamente vencedora, financeiramente pujante e axiologicamente comprometida com os seus desígnios fundacionais. Relembro o mote de José de Alvalade e os 10 Mandamentos do Sportinguista, de Salazar Carreira que, desde sempre, serviram de mote à conduta desportiva e institucional do Clube e que sempre nos distinguiram como adeptos e sócios diferentes.

 

Serve este excurso como intróito à dissecação do ponto “Liderança e Valores” do programa de candidatura de Pedro Madeira Rodrigues (PMR), área na qual se reafirma a vontade de estar “Sempre na Frente”, como aliás no Futebol de Formação (depauperado e traído na sua essência formativa nos últimos 4 anos), nas Modalidades (onde o imediatismo eleitoralista camufla uma factura que se avizinha financeira e desportivamente penosa, com a excepção honrosa do futsal), no futebol (onde, e para grande pena minha, fã confesso de Jorge Jesus, os resultados da presente temporada se equiparam apenas parcialmente aos anos de Paulo Bento, treinador que nunca apreciei), bem como noutros campos que por agora não explorarei.

 

Parte da reactividade com que iniciei o texto reflecte-se, desde logo, no facto de PMR ter colocado em destacado primeiro lugar o vector de que nos ocupamos aqui, na ordenação da lista do seu programa que, diga-se de passagem, se espera ser aprofundado por documentação adicional e pelos próprios esclarecimentos públicos do candidato. Todos os 8 pontos constante da rubrica “Liderança e Valores” são uma reacção a uma miríade de aspectos que motivaram algumas das críticas mais incisivas à Direcção de Bruno de Carvalho (BdC), uma amálgama de resposta a práticas lesivas da imagem institucional do Sporting, como o sejam i) a hostilização dos sócios contrários à actual Direcção, ii) a comunicação institucional, o sicofantismo (em detrimento da meritocracia constantes do anterior e do actual programas de BdC), a conduta institucional tout court e, claro, a honorabilidade do Presidente, aspecto central na alienação progressiva dos Sportinguistas em relação a esta Direcção (posto que não em relação ao Clube).

 

De outro modo não se explica a proposta de trazer para o clube “sportinguistas com provas dadas”, por oposição aos que hoje parecem controlar o Clube, como se de um feudo pessoal se tratasse (algo que BdC prometeu erradicar, mas continuou a perpetuar), insultando os “não-alinhados” e demonstrando, consecutivamente, um enorme amadorismo na condução de matérias vitais à expansão da Marca e ao prestígio do Clube. Relembro, na esteira de um texto de Drake, no polémico Camarote Leonino, da presença de Vitorino Bastos e Vítor Damas na estrutura de futebol do Sporting, em 2000, aquando do nosso penúltimo campeonato; duas figuras tutelares do Sportinguismo que os jogadores respeitavam: que tem, portanto, André Geraldes a ensinar-nos neste aspecto se se confirmar a sua elevação a Director Desportivo sob Bruno de Carvalho?

 

De outro modo não se explica o “respeito pelos compromissos assumidos”. O caso Doyen, recordam-se? Aquele que parece que nos irá custar uma penhora imobiliária vergonhosa, uma vez que aparentemente não pagamos voluntariamente o que fomos condenados a pagar? Não que não tivesse pessoalmente simpatizado com a iluminação institucional de entidades tão opacas como os fundos; mas creio não ser necessária a presença de um político sagaz para ter antecipado o desfecho deste caso.

 

De outro modo não se explica “a colocação do Sporting no centro da agenda comunicacional”. O inenarravelmente inútil Nuno Saraiva, recordam-se? As suas “bicadas” anedóticas ao nosso rival Benfica? O facto de ser um factótum de BdC com o suposto objectivo de não sobrecarregar a imagem já de si descredibilizada de um Presidente que, a dada altura do seu mandato, achou por bem apelidar os nossos rivais de “nádegas” … O Director de Comunicação que diz assim, para o Presidente dizer assado nas entrevistas prestimosamente concedidas ao Grupo Cofina, ex-encarnação do Diabo na Terra? Como é que se pode incluir seriamente num programa o cliché estafado da “Comunicação a uma só voz”?

 

De outro modo não se explica o “respeito pela pluralidade de sensibilidades” dos associados por oposição aos processos a sócios com vários anos de militância que discordavam (como é seu direito inalienável e constitucionalmente consagrado) da estratégia de um brunismo messiânico que se insinuou no Clube (voltarei a este aspecto mais tarde).

 

De outro modo não se explica a apresentação de um organograma funcional, aspecto importante na clarificação das atribuições profissionais de cada funcionário do Sporting, fundamental numa época onde se permitiu ao treinador da equipa principal de futebol ser simultaneamente manager e scouter.

 

Finalmente, de outro modo não se explica a apresentação da declaração de rendimentos do Presidente no início e no fim dos mandatos. Parece-me uma clara reacção ao inacreditável pagamento de retroactivos ao actual Presidente após a aprovação de duplicação do seu vencimento, adequadamente aprovado em AG pelos sócios… Em teoria, parece-me uma medida que permitirá destrinçar quem serviu o Sporting e quem se serviu do Sporting.

 

Dito isto, por defeito profissional, não embarco no discurso de que os portugueses, sendo miserabilistas, são mais susceptíveis a derivas utópicas, soteriológicas e sebastiânicas, pessoalizadas na figura nietzscheana de um Übermensch. A história do século passado e a conjuntura política mundial actual (trumpismo, lepenismo, orbanismo, etc) desautorizam-me esta leitura. Agrada-me sinceramente que no meu Querido Clube as eleições não sejam meros plebiscitos, como sucede nos rivais. Entristece-me que a inutilização do espírito crítico patente numa larga franja de consócios os impeça de votar em consciência, impedindo-os de perceber a transitoriedade dos mandatados e a eternidade da Instituição.

Foda-se... I.jpg

 

SPORTING SEMPRE

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editado por Ivaylo a 25/2/17 às 12:06


12 comentários

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De Anónimo a 23.01.2017 às 08:45

"no futebol (onde, e para grande pena minha, fã confesso de Jorge Jesus, os resultados da presente temporada se equiparam apenas parcialmente aos anos de Paulo Bento, treinador que nunca apreciei)"

Fã porquê?

O antigo treinador se não tivesse sido a arbitragem provavelmente tinha ganho dois títulos, com muitos jogadores da formação e com orçamentos baixos, além disso nos primeiros anos colocou a equipa a jogar bem.
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De Pastelão Tecnicista a 23.01.2017 às 20:35

O campeonato de 2007 com a mão do Ronny foi um detalhe de grande importância no desfecho do campeonato, concordo. Também nos sonegaram a Taça da Liga de 2009, com o penalty fantasma do Pedro Silva. No entanto, discordava seriamente de muitas opções tácticas de Paulo Bento. É nesse sentido que nunca o apreciei. A fixação no 442 clássico (não no losango que popularizou, para o bem e para o mal, o modelo de JJ nos últimos 7 anos) e a focalização excessiva na capacidade finalizadora de um único jogador (Liedson)... Isto deriva do meu entendimento do futebol e é a essa luz que a observação deve ser lida. O Mundial de 2014, em particular o jogo contra uma exemplarmente organizada Alemanha, mostra bem o desfasamento táctico de Paulo Bento...
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De Anónimo a 23.01.2017 às 08:53

"em detrimento da meritocracia constantes do anterior e do actual programas de BdC)"

Mas o Senhor ainda dá crédito ao que este indivíduo diz ou escreve!?

"Programa eleitoral" desse indivíduo pode-se enquadrar na categoria de "contos e estórias".
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De Pastelão Tecnicista a 23.01.2017 às 20:38

O objectivo do post também passou pela comparação implícita entre o programa de PMR e o de BdC. Mas tem razão... BdC sublimou o dito de Pimenta Machado... Um paladino da pós-verdade.
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De Anónimo a 23.01.2017 às 08:59

"como se de um feudo pessoal se tratasse (algo que BdC prometeu erradicar, mas continuou a perpetuar)"

Mas há alguém que tenha se servido mais do clube que esta gente!?
Que tenha distribuido mais tachos que está gente!?
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De Pastelão Tecnicista a 23.01.2017 às 20:39

No início, julgava que a erradicação do tachismo estava iminente. Depois percebi que nada mudou e o sicofantismo prevaleceu.
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De Anónimo a 23.01.2017 às 09:09

O blog a que se refere, foi um dos responsáveis por ter dado "palco" á propaganda do mitomano, afastando os verdadeiros Sportinguistas desinteressados.

A maioria dos comentadores desse blog pertencem á máquina de propaganda do "especialista em falir empresas" e são pagos, outros são apenas idiotas úteis.
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De Pastelão Tecnicista a 23.01.2017 às 20:40

Pois, o leitor saberá mais que eu. Só referi aquele texto em concreto de Drake porque me parece especialmente bem conseguido.
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De Anónimo a 23.01.2017 às 09:12

"Não que não tivesse pessoalmente simpatizado com a iluminação institucional de entidades tão opacas como os fundos"

Como assim?
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De Pastelão Tecnicista a 23.01.2017 às 20:42

Ou seja, numa fase inicial, achei meritória a capacidade de pôr na ordem do dia a existência e a extensão da influência dos fundos no futebol. Quando falo em iluminação, refiro-me ao súbito aparecimento de um tal de Nélio Lucas, detentor da Doyen. Antes do litígio com o Sporting, alguém conhecia quem quer que fosse dos fundos?
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De Anónimo a 23.01.2017 às 09:23

"Entristece-me que a inutilização do espírito crítico patente numa larga franja de consócios os impeça de votar em consciência, impedindo-os de perceber a transitoriedade dos mandatados e a eternidade da Instituição."

Chama-se a isso propaganda e manipulação.

Muitos sócios e adeptos não têm acesso a outros meios alternativos de desinformação que não os meios tradicionais dos midia, onde a desinformação vem "cozinhada" pela máquina de propaganda do vigarista.
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De Pastelão Tecnicista a 23.01.2017 às 20:44

É uma pena, mas assim é. Lamento sempre que o bom senso não prevalece... O Sporting só tinha a ganhar com o bom funcionamento do espírito crítico dos seus associados.

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