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O Sporting é a paixão que nos inspira. Não confundimos competência com cultos de personalidade. 110 anos de história de um clube que resiste a tudo e que merece o melhor e os melhores de todos nós. Sporting Sempre


10
Fev17

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No seu programa eleitoral, Pedro Madeira Rodrigues estabeleceu alguns objectivos para o futebol e formação, que iremos discutir em seguida.

 

1) Nova estrutura para o futebol, “aproveitando as melhores práticas mundiais”.


A estrutura do futebol no Sporting é algo que claramente não foi devidamente construído neste mandato que agora está a terminar. Uma estrutura implica em primeiro lugar pessoas competentes e a quem são atribuídas tarefas específicas, boa comunicação e interligação entre as funções realizadas, uma cadeia de comando e responsabilidades devidamente estabelecidas. E obviamente que não é preciso reinventar a roda. O que aconteceu no Sporting neste mandato, foi um primeiro ano equilibrado, com contratações acessíveis e ainda assim com aproveitamento, também potenciadas por um treinador que claramente gosta de trabalhar com jovens e de os fazer evoluir – Leonardo Jardim. Depois passou-se para um formato com Marco Silva, em que este não era responsável em nenhum grau pelas contratações e que tinha de fazer render a equipa com o que Inácio e Bruno de Carvalho tinham escolhido. E finalmente, temos o treinador-estrutura (Jorge Jesus), que decide tudo, não apenas os jogadores a contratar, mas até os elementos da estrutura a escolher (!) como foi o caso de Octávio Machado. Ora este modelo nunca poderá resultar (como dolorosamente estamos a ver) e claramente nunca sobreviveria à saída do treinador. Portanto, tem de se apostar num scouting competente, orientado para posições mal servidas ou para dar alternativas ao plantel, incluindo o mercado nacional e internacional, um treinador que aposte nos jovens, primordial num clube formador por excelência como o nosso, num bom diretor desportivo que saiba fazer a articulação entre a Direcção e o treinador e tenha experiência no meio (a hipótese André Geraldes, elemento próximo do presidente, que foi sugerida para o lugar é simplesmente ridícula) e finalmente uma Comunicação eficiente que proteja os jogadores e o treinador dos ataques ou desestabilizações que possam ocorrer. Portanto há muito para fazer e aqui PMR terá necessariamente de ser mais específico no que entende fazer, porque se a intenção de aproveitar as melhores práticas mundiais é boa, acaba por ser vaga se não se especificarem outros detalhes.

 

2) Rigor nas contratações, “com base num departamento de prospecção que inclui metodologias que acrescentem maior certeza nas avaliações, ao mesmo tempo que prevê a normalização “da relação com os agentes desportivos”.

Tal como referido no ponto anterior, o maior rigor e eficácia das contratações é essencial. Não de pode entrar na loucura de contratar mais de 120 jogadores e depois aproveitar menos de 10%. Mesmo que depois sejam vendidos por valor semelhante ao da aquisição, acaba por se ter prejuízo quer nos ordenados que se têm de pagar, quer no atraso no desenvolvimento de jovens que já existam no plantel. As contratações deste mandato foram na grande maioria, desastrosas. Aqui apenas se continuou o que já é habitual no Sporting, que é o de contratarmos pior que os rivais. É uma das razões do nosso insucesso. Portanto tem de se melhorar o scouting, incluindo no mercado nacional e internacional
e depois articulá-lo com o treinador, em função das carências identificadas para a equipa. Como se vai fazer? Aguardamos também aqui mais detalhes. Em primeiro lugar, tendo gente competente e conhecedora do meio. E não esquecer que o scouting também trabalha em relação estreita com os empresários. Neste aspeto em particular, entra a “normalização com os agentes desportivos” referida por PMR... O Sporting não pode estar de costas voltadas para a maioria dos empresários. Neste mandato, criaram-se incompatibilidades com vários deles. Isto dificulta bastante quer na contratação, quer na colocação de atletas que pretendamos vender ou dispensar. Claro, que terão de ser empresários que estejam dispostos a trabalhar com o Sporting numa base de sinergias e benefícios mútuos.

 

3) Contratos com forte “componente de objetivos” de forma a fomentar a “cultura de vitória e de exigência”.

É uma norma da mais elementar lógica e bom senso. Até se pode pagar um salário generoso, dentro da razoabilidade, a um treinador e aos jogadores, mas os prémios, com base nos resultados/conquistas finais e não por ganhar mais derbies ou praticar bom futebol, têm de ser um aliciante para que se conquistem os troféus. No caso do treinador atual, Jorge Jesus, o salário base é já tremendamente elevado e não estará prevista a possibilidade de o dispensar se os resultados forem maus, como se teme esta época. Isso foi feito e bem com Marco Silva, mas não com este treinador. Por isso mesmo é tão difícil dispensá-lo, embora se coloque o ónus neste candidato, que já afirmou não contar com ele em caso de sair vencedor. É uma opção arriscada e que terá de contar com coerência e anuência do treinador, mas menos compreensível é termos de pagar 20 milhões de euros (!) de indemnização se o treinador sair.

 

4) Limite de 23 jogadores no plantel principal.

Parece um número razoável, para permitir uma competição saudável pela titularidade e ao mesmo tempo enfrentar uma época em várias competições. Aliás Bruno de Carvalho também prometeu isso nas anteriores eleições enquanto candidato e temos 28-29 jogadores a evoluir no plantel principal... uma despesa excessiva e gerando desmotivação em quem não joga repetidamente.

 

5) Equipa B como plataforma de transição.

A equipa B actual do Sporting é uma desilusão. Não apenas pela classificação, em que corremos o sério risco de descida, mas sobretudo pela filosofia que se utilizou para compor o seu plantel. No início e bem, era uma forma de os jovens talentosos dos nossos escalões de formação continuarem a evoluir e competir com regularidade. Agora encontra-se completamente descaracterizada, com jogadores na sua maioria estrangeiros de muito duvidosa qualidade e em que poucos poderão alguma vez jogar na equipa principal. E os resultados estão à vista. Também será importante que os jovens não sejam retidos mais que duas épocas na equipa B. Ou passam para a principal, ou são emprestados a outros clubes, ou simplesmente dispensados. Portanto se quando se refere plataforma de transição, corresponde a este entendimento, estaremos no caminho certo. Mais uma vez, convém ser mais específico sobre o que se pretende.

 

6) Redimensionar a prospecção na formação, aproveitando as Escolas Academia Sporting.

Num clube que se orgulha justamente da sua formação, dos campeões que tem produzido, de ter 2 melhores jogadores do Mundo, é importante continuar a atrair os melhores talentos. Aí e infelizmente, os rivais ganharam também terreno. O Sporting tem sido reconhecido como o clube que dá mais oportunidades aos jovens de um dia virem a actuar na sua equipa principal – por isso é importante que tal não seja alterado, como agora se começa a temer – e isso funciona como atractivo para os jovens tentarem a sua oportunidade no nosso clube. Aproveitar as Escolas Academia Sporting parece uma boa ideia, mas tem de ir um pouco mais além, estando atento aos valores que vão despontando em outras equipas nos campeonatos mais jovens.

 

7) Modelo de treino transversal aos escalões de formação, “de forma a dar identidade permanente ao futebol jovem do clube”.

Faz todo o sentido que isso seja tentado e depois se possível tentar harmonizar esse modelo com a equipa principal. Tal fará mais sentido, se se conseguir fixar um treinador por algumas épocas e sobretudo se este estiver identificado com a filosofia do clube. Infelizmente, a prática tem provado que este objectivo não é fácil de cumprir, nomeadamente quando se tenta também estender à equipa B e principal. Mas pelo menos nos escalões mais jovens é viável e positivo.

 

8) Impor a utilização do equipamento principal tradicional "e travar a banalização e excessiva secundarização do equipamento Stromp, com utilização apenas em ocasiões relevantes".

Neste caso, trata-se de uma medida que não tem a relevância de várias das anteriores, mas que se entende pelo simbolismo do equipamento Stromp. Ainda assim, é um equipamento de que os adeptos gostam e que é sempre bem aceite quando utilizado. Poderão definir-se melhor as ocasiões em que deve ser escolhido, mas neste particular não parece que tenha sido banalizado durante o actual mandato.

 

Este foi o balanço possível das medidas e intenções do candidato PMR nesta área tão importante para os sportinguistas como é o futebol e formação, mas em que os títulos e vitórias continuam arredios. Deseja-se que o candidato possa entrar em mais detalhes com o evoluir da campanha, para que os sócios possam saber de que forma irá implementar algumas das medidas enunciadas.

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editado por Ivaylo a 25/2/17 às 11:47




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