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O Sporting é a paixão que nos inspira. Não confundimos competência com cultos de personalidade. 110 anos de história de um clube que resiste a tudo e que merece o melhor e os melhores de todos nós. Sporting Sempre


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Ter um bom departamento de scouting ou de prospecção de jogadores parece cada vez mais fazer a diferença para o sucesso num clube de futebol.

Na verdade, o Sporting tem sido um exemplo de um grande clube formador, que consegue desenvolver jogadores de grande qualidade, embora nem sempre os consiga rentabilizar, mas que tem acertado muito pouco nas contratações que tem realizado.
Esta é uma realidade que não se pode circunscrever a esta Direcção, mas que tem sido uma regra do Sporting desde há muito tempo. Todos nos lembramos de Slimani e da sua espectacular valorização, tendo custado 300 mil euros e rendido 30 milhões de euros (valorizando-se cerca de 100 vezes), mas a verdade é que são muitos os casos de flops e de contratações que não resultaram, situação que já se vem verificando há muito tempo. Todos nos lembramos de Kmet, Carlos Miguel, Pongolle, Jeffren, Elias, Bojinov, Labyad, mas também, mais recentemente, de Slavchev, Rossel, André, Castaignos, Paulista, Petrovic, etc. Isto só para citar alguns exemplos.
Claro que nenhum clube acerta sempre e todos têm os seus falhanços. A verdade é que o Sporting, com os recursos limitados que tem, não se pode dar ao luxo de falhar mais que os rivais quando contrata jogadores, eliminando a vantagem que possui ao conseguir ter a qualidade na formação que tem revelado desde há muito. E não esquecer que muitas vezes não se trata apenas do valor do passe, mas dos ordenados que se têm de pagar, que entram também para os custos. Labyad é a esse respeito um exemplo bem elucidativo, embora existam muitos outros.
No caso de Slimani, até o contratámos em vez de Ghillas, pelo facto do Porto se ter intrometido e aí ficámos claramente a ganhar. Mas como disse atrás, esta foi a excepção que confirmou a regra apesar de algumas contratações até terem sido aceitáveis, como por exemplo Bruno César e Bryan Ruiz. Depois tivemos a de Bas Dost, que embora envolvendo um custo elevado – 10 milhões de euros - tinha uma margem de erro reduzida, por se tratar de um jogador já habituado à alta roda europeia, numa posição específica e em que é difícil encontrar jogadores válidos como é a de ponta-de-lança e já com 27 anos. Está a ser das poucas contratações desta época que está a resultar.
Mas como são decididas estas contratações? Quem referencia os atletas e quem é que em última análise decide dar indicação à Direcção para os contratar? E no final a Direcção acata estas indicações ou acaba também por tomar opções em relação às indicações técnicas?
Aqui entra o conceito de estrutura e de que forma o departamento de prospecção se insere na mesma. Porque é necessário saber como acontece o processo de decisão para se optar por um jogador em detrimento de outro, para que se possa avaliar com justiça o grau de responsabilidade das diferentes partes no processo global.
Convém por isso não ser demasiado simplista nesta análise. Não sabemos quais os atletas que foram sugeridos pelo scouting... apenas sabemos os que no final acabaram por ser contratados. Podem assim ter existido muitos atletas que foram sugeridos mas que não foram contratados, por opção do treinador ou da Direcção, porque eram demasiados caros para aquilo que se pretendia gastar ou porque o treinador não concordou com a proposta. Neste momento e conhecendo Jorge Jesus, até se diz que a grande maioria dos atletas que adquirimos foram da sua responsabilidade. E é importante saber se isto é verdade e como ocorreu para que não se volte a repetir outra época como a actual, com muito baixa percentagem de aproveitamento, apesar do investimento realizado.
E mesmo daquilo que conhecemos... a verdade é que estivemos interessados em Mitroglou, Danilo e Cervi. Jogadores que se os tivéssemos conseguido contratar para o Sporting talvez já mudassem um pouco a opinião que temos formada sobre a prospecção. Nestes casos, os rivais acabaram por fazer valer argumentos que se sobrepuseram aos nossos.
Por isso, adaptando o adágio popular, o “segredo e a rapidez são a alma do negocio”.
Vem tudo isto a propósito da notícia veiculada ontem pelo jornal O Jogo, de que o Sporting se prepara para fazer uma remodelação no scouting com a saída de José Laranjeira, ao serviço do clube desde Junho de 2014, proveniente então do Braga. Sabendo como as coisas têm corrido e numa avaliação imediatista, somos levados a concordar que é quase unânime que algo tem de mudar na prospecção.
Ainda assim, talvez seja interessante atentar numa entrevista concedida por Paulo Cardoso do scouting do Sporting em Janeiro de 2016 LINK. Quando questionado sobre qual a importância do scouting nos clubes, respondeu “Em primeiro lugar prefiro falar de Recrutamento de Jogadores e não de Scouting. Scouting é apenas uma parte do Processo de Recrutamento de Jogadores. Em relação à sua importância, na minha opinião é o primeiro factor de sucesso quer seja no Processo de Formação de Jogadores ou na construção de uma Equipa de Alto Rendimento. É a base sobre a qual se pode construir um qualquer projecto de futebol.” Este responsável destaca os casos de sucesso que constituíram Cristiano Ronaldo, Hugo Viana, Dier, Bruma, entre outros (ainda nos escalões de formação) mas surpreendentemente revela que o scouting do Sporting também deu indicação para a contatação de Di Maria, Ramirez e Gaitan, jogadores que ainda por cima foram reforçar um rival, o qual arrecadou com a venda dos passes dos mesmos dezenas de milhões de euros, além do rendimento desportivo que deles consegui extrair. Ou seja, neste caso não foi o nosso scouting que falhou mas a etapa final de contratação. Provavelmente porque ou não fomos suficientemente rápidos, ou porque não conseguimos igualar os valores que os rivais apresentaram. Ainda assim, depois acabámos muitas vezes por gastar o mesmo em outros jogadores que não se revelaram produtivos da mesma forma... como curiosidade, refira-se que foi Paulo Cardoso (ao serviço do clube desde 1995) quem foi responsável pela avaliação técnica de Cristiano Ronaldo para a entrada no clube, tendo também sido treinador do futuro melhor jogador do mundo e que criou com o atleta e família, uma relação muito próxima.
Refere ainda que os profissionais de Scouting e análise de desempenho portugueses criaram uma imagem muito positiva no mercado internacional, levando inclusive a que alguns fossem trabalhar para clubes estrangeiros.
Todos temos noção da existência de sites como o Transfermarkt que nos dão uma ideia da cotação dos jogadores e da sua evolução, dos clubes que representaram, entre outros dados. Claro que existe também o youtube, que permite ver imagens dos jogadores, ainda que nos dê muitas vezes uma imagem enviesada, selecionando apenas os melhores momentos do jogador em questão. Isto é de tal forma verdade, que se torna quase uma anedota dizer que o clube X escolhe jogadores pelo youtube como sinónimo de amadorismo e de falhanço na contratação.
Obviamente que um bom departamento de scouting tem de ir muito mais além do que isso. Tem hoje ao seu dispor ferramentas desenvolvidas para ajudar no processo como o Talent Spy. Na verdade, o Sporting já com esta Direcção e em Junho de 2014, assinou com a empresa portuguesa F3M um protocolo que permitiu ao clube usufruir deste programa informático pioneiro a nível mundial, que permite aos responsáveis do clube criar, armazenar e organizar a base de dados de jogadores observados, de uma forma mais modera e prática. Esta ferramenta é também utilizada pelo Benfica e por alguns clubes estrangeiros. Na altura foi até dito que esta decisão teria sido tomada sob influência de Marco Silva que já usava esta ferramenta no Estoril. Verdade ou não, o que é certo é que esta plataforma, desenvolvida por portugueses da Universidade do Minho, usa dados de 100 mil jogadores de 6000 equipas, ligados a 250 competições de 50 países diferentes. Em Portugal, apenas os 3 grandes e o Braga dispõem de equipas internas de “scouting” e com esta ferramenta os “scouts” conseguem saber bastante sobre um jogador (júnior ou sénior) a residir em qualquer ponto do planeta, incluindo perfil, historial clínico, situação contratual, performance, entre outros elementos. Pode-se por exemplo chegar aos eventos desportivos de bairros sociais ou descobrir os melhores “pés esquerdos” da equipa sub-16 da Argentina. E isto sem sair das instalações do clube...
Trata-se apenas de um exemplo de como a realidade do futebol e da prospecção está a evoluir a uma velocidade surpreendente.
Depois é também importante estabelecer uma importante rede de contactos, (networking) em outros países e que possam auxiliar o departamento de prospecção/scouting no seu trabalho. Os anteriormente designados de “olheiros”.
Além disso, temos sempre de ter presentes que um jogador que brilha num clube menor, pode não ter o rendimento desejado num clube com outras pretensões no mesmo campeonato ou até ter problemas de adaptação, motivados por se transferir para um país e cultura diferentes. A possibilidade de falhar existe e continuará a existir sempre. O que se pretende é diminuir o mais possível a possibilidade de erro, sobretudo quando se considera investir de forma mais significativa num jogador.
Portanto, quando consideramos um departamento de scouting e a sua mais-valia, esta deverá incluir sempre, num clube como o Sporting, desenvolver um trabalho integrado com a equipa técnica, responsáveis da formação e da equipa B, de forma a identificar as lacunas da equipa e as melhores alternativas para as colmatar. E depois actuar com celeridade e eficácia junto dos clubes que têm os jogadores pretendidos e aqui já entra a Direcção. Neste caso específico, ajuda também que existam boas relações com esses clubes e que não se tenham desenvolvido anticorpos que os levem a optar por negociar com um rival em vez de o fazerem com o Sporting.

Além disso, assume também importância fundamental a relação que o clube tenha com os empresários/agentes dos jogadores, podendo esta facilitar ou dificultar o negócio, conforme os casos. Muitas vezes são estes empresários quem pode sugerir a aquisição de determinados jogadores, capítulo em que mais uma vez o departamento de prospecção deve ter uma palavra a dizer. 
Por isso, mais que a substituição de pessoas, talvez seja bom que se simplifiquem e agilizem processos.
É isso que todos esperamos, para que de uma vez por todas o Sporting comece a contratar com critério e com um índice de aproveitamento aceitável. Mais que um desejo é uma necessidade imperiosa, se queremos ser campeões nacionais na próxima época...

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editado por Ivaylo às 11:44




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