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O Sporting é a paixão que nos inspira. Não confundimos competência com cultos de personalidade. 110 anos de história de um clube que resiste a tudo e que merece o melhor e os melhores de todos nós. Sporting Sempre

15
Mai17

O famoso romance queirosiano Os Maias (pessoalmente o de que mais gosto do tio Eça) possui uma das cenas mais inspiradas da literatura portuguesa: o jantar no Hotel Central, ao Cais do Sodré (que já nem existe). Antes da fabulosa cena apoteótica entre o titã realista João da Ega e o vate romântico Tomás de Alencar, os comensais discutem a saúde financeira do país. A dada altura:

“Carlos não entendia de finanças: mas parecia-lhe que, desse modo, o País ia alegremente e lindamente para a bancarrota.

- Num galopezinho muito seguro e muito a direito – disse o Cohen, sorrindo.”

Peço, desde já, desculpa aos leitores mais impaciente por este intróito literário. Peço também desculpa pelo meu longo silêncio neste espaço. Senti apenas a inutilidade do meu esforço. Hoje, contudo, a ocasião é demasiado urgente para continuar calado.

Não, não pretendo dissertar acerca da (reconhecidamente débil) saúde financeira do Sporting. Não, não pretendo aprofundar a dor de que todos já padecemos. O conceito de bancarrota que serve de mote a este texto é de natureza moral. O Sporting foi ontem destituído de qualquer autoridade moral que ainda lhe restava. O Sporting consumou ontem a sua bancarrota moral.

Por 5 vezes o Sport Lisboa e Benfica foi impedido de chegar ao tetracampeonato. 2 delas pelo Futebol Clube do Porto. 3 delas pelo Sporting, a última das quais especialmente saborosa porquanto foi coroada por uma dobradinha no precioso ano de 1974 e com a marca até hoje inigualada de Hector Yazalde, cifrada nos 46 golos.

Durante 48 anos (1954-1998) tal marca foi pertença exclusiva do nosso querido Sporting Clube de Portugal. Sofremos a indignidade de ver o Futebol Clube do Porto a igualar-nos e, no ano seguinte, a transcender esse feito. Ontem, o nosso maior rival entrou, por mérito próprio, no mesmo clube de tetracampeões, garantindo, no mesmo jogo, o 3º lugar ao Sporting Clube de Portugal. Haverá maior humilhação que esta? Ganham-nos o campeonato, empurram-nos desdenhosamente para fora da luta e, como prémio de consolação, ainda nos dão o chocolate da pré-eliminatória da Champions.

Quanto a vós não sei, mas ontem foi o dia mais triste que já vivenciei como sportinguista. Mais que a final da Taça UEFA desgraçadamente perdida em nossa própria casa. Mais que Maio de 2013, há precisamente 4 anos, com a confirmação de um miserável 7º lugar. É que, em 2005, ainda se lutava. Em 2013 sabíamos que era uma questão de tempo até algo mudar.

Desta vez, é mais grave… Estamos pior do que nunca, mas não há mudança à vista… Serão os próximos 4 anos iguais aos que nos foram infligidos até agora? Continuará a desculpabilização?

É que, não sei se se aperceberam, mas o Benfica ganhou em toda a linha. E ganhou porque é melhor em toda a linha. Porque é demasiado poderoso para não ganhar. Pode não ter melhor treinador, mas tem melhores jogadores. Pode ter um ladrão condenado e alegado traficante como Presidente, mas tem Domingos Soares de Oliveira como administrador de topo da SAD. Pode ter Pedro Guerra como bandarilheiro encartilhado, mas tem Rui Costa como Director Desportivo. Pode ter a porta 18, mas faz negócios como ninguém em Portugal, ao nível do marketing. Pode estar refém de Jorge Mendes, mas ainda consegue jogadores do calibre de Jonas. Pode enfiar barretes como Renato Sanches, mas tem o Seixal que, neste momento, vence em toda a linha quaisquer infra-estruturas que tenhamos em Alcochete. Podem até nem ganhar em futsal, mas ganham em hóquei, em voleibol e, brevemente, serão mais competitivos que nós em andebol, outra modalidade histórica do Sporting onde a incompetência passa por “bloqueio mental”.

Eles desforraram-se deliciosamente de nós em cada canto. O Sporting não lhes pode apontar nada. O Sporting está a braços com uma bancarrota moral que não lhe permite arrecadar louros de nada. Bate recordes negativos uns atrás dos outros. No entanto, o mais grave mesmo é a falta de perspectiva de melhoria. O futuro é sombrio porque nada vai mudar. Os erros repetir-se-ão. A desresponsabilização continuará. O Sporting não tem tempo a perder e, no entanto, continuará a perdê-lo.

Talvez conviesse demonizar menos e trabalhar mais. Seguir o bom exemplo alheio. Começar por baixo. Construir pela base. Profissionalizar. Servir o Clube. Por ora, apenas miséria nos aguarda. Miséria alicerçada em passadismo. À semelhança de tudo neste Sporting, não basta afirmarmo-nos, temos de o demonstrar. Até lá, seremos sempre um clube de ocasião que, de quando em vez, faz uma gracinha.

Para quando, Sporting? Para quando competitividade a sério? Para quando cumprir-se o Clube?

Sporting Sempre

PS: Perdoem-me o texto desconexo. Brevemente lançarei um texto mais estruturado acerca dos vícios e problemas estruturais do Clube a que urge fazer face.

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20
Abr17

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E eis que, “num abrir e fechar de olhos”, chegámos ao redondo número 100.

 

Antes de mais, gostaríamos de agradecer do fundo do nosso coração sportinguista a todos os leitores, todos! Aos que leram todos os 99 anteriores como aos que leram apenas 1, aos que concordam com o que lêem e aos que discordam. Não nos lançámos a este desafio para “palmadinhas nas costas” mas sim para incomodar e (tentar) fazer pensar. Para tudo o que é realmente importante na vida não existem soluções fáceis ou únicas, e, quando se trocam ideias todos saímos a ganhar.

 

Para assinalar um número “especial” impõe-se um tema especial. E, considerando o nome que escolhi para aqui assinar, é fácil perceber que o Iordanov é um “assunto” que me é mesmo muito caro!...

 

Porquê?

 

Há pessoas, atletas e não só, que ficam na História pelos números. Tomemos o exemplo Cristiano Ronaldo. Dentro de 200 anos que memória sua persistirá? Os campeonatos, as taças, as internacionalizações, os golos, as assistências, as Bolas de Ouro… Em resumo, a memória futura escreve-se com algarismos. Mas conseguirão os números contar a história do menino que deixou a família na Madeira e veio sozinho para Lisboa? Sente-se nos números o odor do suor que toda a sua carreira deixou nas camisolas de treino? Não.

 

Ivaylo Iordanov é mais um caso paradigmático da ditadura dos números. No Sporting Clube de Portugal venceu “apenas” 1 Campeonato, 1 Taça de Portugal e 1 Supertaça Cândido de Oliveira. Nunca foi quem teve mais assistências. Nunca foi o melhor marcador. Aliás, marcou sensivelmente os mesmos golos na sua carreira de Leão Rampante ao peito que o supramencionado Cristiano marca em “apenas” época e meia. Mas ainda hoje recordo com um sorriso escarno-condescendente o momento em que na final da Taça, frente ao Marítimo, pretendia assistir de cabeça Sá Pinto ao segundo poste e o cabeceamento saiu… para a baliza. Um dos 2 golos com que o Sporting resgatou o troféu, ambos marcados por ele. E eternamente recordarei, com sorriso comovido, o momento em que subiu à estátua do Marquês de Pombal para a ele confiar um cachecol do recém-Campeão. Ainda recentemente se mostrou disponível para repetir o gesto.

 

Nasceu a 22 de Abril de 1968 (sim, faz anos no sábado…). Chegou ao Sporting em 1991 pela mão de Sousa Cintra, era então treinador Marinho Peres, proveniente do Lokomotiv Gorna ao serviço do qual se tinha sagrado o melhor marcador na época anterior. Foi também 50 vezes internacional pela Bulgária, tendo sido um dos que ajudou ao honroso 4º lugar no Mundial de 1994.

 

No Sporting marcou 71 golos em 226 jogos oficiais. Ultrapassou a fasquia dos 10 golos em 3 épocas: logo na primeira, em 1994/95 e em 1998/99. Não se considere no entanto que fosse perdulário/ineficaz, pois é importante recordar que à data as equipas alinhavam normalmente com dupla atacante e, sendo Iordanov intrinsecamente um lutador, o habitual seria ele ganhar lances para outros converterem. Entre esses outros podemos mencionar Cadete, Juskowiak, Sá Pinto, Paulo Alves e Acosta. Dos que foram por si assinados, fica aqui uma pequena amostra:

 

 

Personifica na sua vida o ADN do Sporting: Esforço, Dedicação, Devoção e Glória. Não por acaso foi um Grande Capitão, apenas o segundo de nacionalidade não portuguesa na História do Sporting. Algumas fotografias de ex-atletas do Clube, pelo que representam, deveriam ter lugar de destaque em Alcochete, sendo a sua uma das obrigatórias! Já venceu um cancro. Já recuperou de um gravíssimo acidente de viação. Luta desde 1997 contra a esclerose múltipla, sendo que após a mesma lhe ter sido diagnosticada teve como segunda reacção dizer ao médico que o ajudasse a ir ao Mundial de 1998 e a ser campeão pelo Sporting. Foi ao Mundial. Como se viu atrás, a época 1998/99 foi uma em que apontou mais golos. E, finalmente, na época seguinte concretizou o sonho!

 

Retirou-se como jogador em 2000/01. Chegou a integrar a estrutura de futebol do Sporting como treinador-adjunto da equipa B. Disse recentemente que, se um dia “o telefone voltar a tocar”, volta sem pensar duas vezes. Lamentavelmente apenas teve o seu jogo de homenagem em 2010, por questões absurdas que nem vale a pena referir. Os símbolos serão sempre mais importantes do que meia dúzia de patacos…

 

Já este ano, um jornalista brasileiro, que já o tinha entrevistado 18 anos antes, deslocou-se a Sofia para fazer um follow up da entrevista original. Levava-lhe, para além de perguntas, mensagens de apoio de ex-colegas brasileiros com quem tinha jogado no Sporting.

 

Ainda esta semana, na excelente rúbrica #Sporting160, foi entrevistado e deixo aqui através da Bancada de Leão o programa completo e as suas notas.

 

São estes Homens que nos devem servir de exemplo, no desporto e na vida! São estes Heróis que merecem, sempre, ser recordados. Não pelos números… Pelo “suor”!

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02
Mar17

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A equipa B do Sporting Clube de Portugal, a par de outras, foi criada no final de 2011 e avançou para competição na época 2012/2013. Estávamos no mandato de Godinho Lopes. A matéria-prima de que foi dotada (Formação) permitiu que, não só “tenha andado” pelo topo da tabela da II Liga durante a maior parte da época, tenha ainda “salvo” a equipa principal de uma classificação ainda mais embaraçosa ao lhe fornecer jogadores no último terço do campeonato.

 

 Ao apresentar-se às eleições de 2013, Bruno Carvalho afirmava, e bem, que a equipa B era um projecto fundamental num clube formador como o Sporting Clube de Portugal. Para além do que se pode ler na imagem em cima, apresentava propostas no sentido de ter dois plantéis curtos que se complementariam. Ou seja, na equipa principal dois jogadores por posição e na equipa B idem. Ambas com a mesma táctica e as mesmas rotinas. Neste modelo teríamos uma equipa B 100% constituída por jogadores oriundos dos juniores, em que os “titulares teóricos” seriam sempre a terceira opção para cada posição do plantel principal. Por outro lado, jogadores que em algum momento tivessem défice de utilização na equipa principal, recuperando de uma lesão por exemplo, teriam a sua oportunidade de recuperar a melhor forma na equipa B. Uma ligação “umbilical” que certamente geraria sinergias importantes para o futebol do Sporting.

 

Tal como na dança a pares, quando existe a ligação “umbilical” é como se um só corpo se movesse na pista, mas quando assim não é o que se assiste é a pisadelas… Um plantel B com défice de gestão acaba por se tornar só mais um “peso”, com os custos inerentes a uma segunda estrutura, logística e equipa técnica.

 

Ao longo destes quatro anos de mandato, como em outras matérias, assistimos a uma prática distinta do anunciado. Aliás, basta consultar o site para se ficar com uma ideia da relevância atribuída…

 

Pela função que deveria ser o principal pilar de estabilidade – o treinador – passaram quatro nomes, Francisco Barão, Abel, João Deus e agora Luís Martins. De todos, o único que terá efectivamente CV em formação de jogadores é o último, que no entanto apenas assegura a função interinamente até final da corrente época. Interino é também uma expressão que define bem Francisco Barão, pois ocupou a função apenas em curtos períodos de transição. Não tendo a priori esse perfil académico, não obstante, Abel “deu boa conta do recado”. Por motivos que até hoje ninguém conseguiu compreender, o “prémio” por ter ficado a 3 pontos do primeiro lugar na época 2014/2015 foi o afastamento logo no arranque da época 2015/2016. Entra então em cena João Deus. Uma decisão incompreensível, pois tratava-se à data de um ex-preparador físico que, nos poucos clubes em que tinha sido treinador principal, nunca tinha obtido um rácio de vitórias superior a 50% e nunca tinha lançado um jovem. Protagoniza épocas absolutamente sofríveis e recebe o “tiro de misericórdia” em Fevereiro de 2017.

 

No que diz respeito aos jogadores, estranhamente a «ponte entre o futebol júnior e o futebol sénior» serviu, sem grande proveito para o Sporting, de “ponte entre a contratação mal planeada e a dispensa”. Para além dos jogadores provenientes das camadas jovens passaram pela equipa B vinte e seis jogadores contratados propositadamente para tal, dos quais dez a título de empréstimo, num custo global de 1M€. Para além dos “naturais” seniores de primeiro ano e dos “menos naturais” contratados em exclusivo para a equipa B, passaram ainda pela mesma os “contra-natura” jogadores contratados para a equipa principal mas cuja qualidade efectiva nem no banco desta lhe garantiam lugar. Um total de onze jogadores, dos quais três emprestados, que custaram ao Sporting próximo de 13M€.

 

Em resumo: trinta e sete jogadores que mais não fizeram do que onerar as contas do Sporting em 14M€ e dificultar a evolução/integração dos “naturais protagonistas” do conceito – jovens da Formação.

 

Consequência: neste momento a descida ao Campeonato de Portugal é um cenário muito mais provável do que a manutenção na II Liga. Jorge Jesus diz que irá salvar a equipa B com a cedência de alguns jogadores do plantel principal. A equipa B não precisa de ser salva, precisa de ser gerida!

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23
Fev17

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Desde que me lembro que sou do Sporting. Nunca passei por nenhum período de indecisão. Não me lembro de nenhuma indefinição angustiante. Não me recordo tão-pouco de nenhuma tentativa de qualquer familiar meu em me converter ao rival Benfica, e não são poucos os meus que apoiam essa instituição (apesar da preferência pelo Sporting, apesar de tudo, prevalecer no total). Simplesmente, aceitei o meu sportinguismo como um factor inato, intrínseco ao meu ser. A naturalização deste sentimento é de tal ordem que, ainda hoje em dia, só consigo abanar a cabeça de espanto quando ouço professar amor igual por outros clubes. Parte de mim reconhece a aleatoriedade da preferência clubística. Outra parte não consegue perceber como se pode ser de outro clube que não o Sporting. Havendo Sporting, como tributar apoio e dedicação a outros emblemas? O Sporting é o Sporting, o resto é paisagem. Poderão ter mais títulos que o Sporting; poderão ser financeiramente mais pujantes que o Sporting; poderão até ser mais prestigiados que o Sporting. No entanto, o Sporting somente se vive… ou não, como reza a derradeira parte da epígrafe deste blog.

 

Em 2000 e em 2002, recordo-me bem da apoteose em que vivemos com aqueles dois campeonatos, o primeiro inesperado, o segundo mais expectável, mas não menos espectacular. O Sporting demonstraria, uma vez mais, a sua inequívoca dimensão nacional e internacional. Recordo-me de o meu avô e a minha mãe me dizerem, comovidos, em 2000, que tínhamos quebrado um jejum de 18 anos. 18 anos são quase 2 décadas. Não dariam então a impressão de eternidade que hoje teríamos de um período temporal semelhante, aceleradíssimos e crivados de informações como estamos. Ainda assim, era demasiado tempo sem vencer o título máximo de futebol em Portugal. Ao contrário do que se poderia supor, nunca me incomodei com tal. Para mim, era uma naturalidade absoluta. Que se lixassem os 18 anos: eu era campeão aqui e agora! Mais tarde, apercebi-me de que não era por não ter passado integralmente por esses 18 anos que me tinha feito então pensar assim. Tinha sido o amor genético ao Clube que, recém-robustecido com um longamente aguardado título, só poderia frutificar e instalar-se-me irremediavelmente cá dentro. Isso não significa que não queira sempre ganhar. Claro que quero! Como amante de desporto, reconheço a inevitabilidade do empate e da derrota, mas só me dou por satisfeito quando ganho ou, alternativamente, quando tudo faço para ganhar.

 

Dito isto, o Sporting é demasiado grande. O Sporting tem uma massa adepta fidelíssima, dedicadíssima e vastíssima. O Sporting é uma das grandes instituições portuguesas. Um dos maiores Clubes europeus. O Sporting é eterno. Poucas coisas mexem tanto comigo como o Sporting.

 

Como posso ficar senão desalentado quando para ele olho e constato que, não só não ganha, como continua a insistir em não apostar nos meios que conduzem à vitória?

 

Como posso ficar senão desapontado quando para ele olho e constato que os erros e as fracturas de antigamente se reproduzem quase por geração espontânea?

 

Como posso ficar senão desiludido quando para ele olho e constato que continuamos iludidos pela feira de vaidades que marca o dia-a-dia do Clube?

 

Como posso ficar senão desalentado quando para ele olho e constato que assistimos ao reescrever da história recente, onde a antiga encarnação do Diabo em figura de gente se angelicou repentinamente?

 

Como posso ficar senão desapontado quando para ele olho e constato que se desperdiçaram 4 anos, intervalo temporal dotado de condições únicas para recatapultar o Sporting para uma posição de destaque do futebol português?

 

Estamos mais competitivos? Estamos. Ganhamos mais? Não. Temos mais influência nas instâncias decisórias do futebol em Portugal? Não. Somos mais respeitados no geral? Não. Financeiramente estamos mais coesos? A despeito da narrativa soteriológica, não.

 

O que mudou, então? A resposta é nada. O Sporting perdeu a hegemonia do futebol em Portugal em 1958, com o primeiro título ganho no velhinho Alvalade, o 8º em 12 anos, coincidentemente o ano em que os violinos sobreviventes, Vasques e Travassos, penduraram as botas, encerrando um capítulo de ouro na nossa centenária história e marcando indelevelmente uma era do futebol português. O Sporting deixou de ser a sombra persistente do rival Benfica nos anos 80, com a ascensão incomensurável do Porto. Adquiriu o estatuto de 3º Grande. Os seus méritos no futebol começaram a desviar-se para os sucessos no futebol de formação e no contínuo (posto que substancialmente reduzido a partir de 1995) amealhar de títulos nas modalidades. À semelhança de muitos outros projectos, o Sporting vive sempre na ânsia de restaurar uma glória antiga, um velho brilho que nos apaixona e nos mantém presos.

 

O maior problema do Sporting parece-me ser esse. Para além da crença num Redentor de pés de barro, a voracidade pela recuperação de um passado irremediavelmente passado. Enquanto nos contentarmos com as mesmas caras, as mesmas tricas, as mesmas intrigas, as mesmas políticas, as mesmas pessoas, as mesmas tretas do costume (perdoem-me o vernáculo), viveremos de um passado inatingível. Enquanto não entrarmos de vez no século XXI, não deixaremos de ganhar apenas circunstancialmente. Enquanto não transfigurarmos o Sporting de instituição passadista e acomodada (o actual Presidente, tendo dado um abanão, conseguiu acarneirar a maioria, num processo muito análogo ao que sucedia num passado não tão antigo assim…) em instituição moderna e pujante, continuaremos a ser o 3º Grande. Em suma, enquanto não encararmos o passado como tribuna de respeito e admiração, mas não como paradigma para o Clube, continuaremos a adiar-nos. Faltará cumprir-se o Sporting!

 

SPORTING SEMPRE

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editado por Ivaylo a 25/2/17 às 11:24

21
Fev17

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Estamos a chegar ao final de uma campanha que é um autêntico case study. Nunca na vida do Sporting se debateu tão pouco o futuro e o presente do Clube e da SAD em detrimento da vida e da personalidade dos candidatos.



Esta forma de fazer campanha é sintomática do estilo aplicado nos últimos anos. Desde 2011 que o Sporting se começou a fraturar internamente. O Sporting é hoje um clube altamente dividido, sem poder e completamente à deriva e à mercê de investidores desconhecidos e dos devaneios de um Presidente que assumidamente dividiu para reinar e construir uma carreira e claro uma carteira.



Mas vamos navegar pelos três universos que vão a votos. Presidente e equipa, Mesa da Assembleia Geral e Conselho Leonino. Se para a presidência a luta começa a ganhar contornos de ser mais disputada que há semanas passadas, as candidaturas para a Mesa e para o Conselho Leonino podem ser uma grande surpresa.



Marta Soares é para uma grande maioria um dos piores Presidentes de sempre, a par com Eduardo Barroso. Ambos bailarinos e bipolares, navegam mediante interesses próprios e até obscuros como foi explicado por Daniel Sampaio numa entrevista que deu há uns anos.



Marta Soares não sabe nem quer saber. Tem uma atitude que roça até o nível saloio e não compreende os estatutos, que curiosamente, é o presidente do órgão que os deveria obrigar a cumprir. O exemplo dos Cadernos Eleitorais é mais um triste episódio num Sporting cheio de dramas e de cenas muito tristes nos últimos anos.



Este é um órgão de grande importância. A candidatura de Rui Morgado pela Lista de Pedro Madeira apresenta-se como uma grande e óbvia alternativa à incapacidade e desnorte de Marta Soares. Aqui a mudança é quase obrigatória.



No Conselho Leonino temos três listas a votos. De enaltecer a Lista que somente vai a votos para este Órgão Consultivo. Sportinguistas anónimos, gente de estádios e pavilhões, gente educada e presente, gente que teve a coragem e acima de tudo, cumprem com o seu dever e obrigação de se fazerem ouvir e de se apresentarem como alternativa. Na minha opinião vão ter um bom resultado, e verdade seja dita merecem.



Por outro lado a Lista da candidatura de Bruno de Carvalho é um filme de terror. O regresso dos “cancros” ao Sporting. Cancros foi o termo utilizado pelo próprio presidente para denegrir Ricciardi e outros antigos dirigentes que agora se apresentam e andam aos abraços por Alvalade. O que hoje é verdade amanhã é mentira, e verdade seja dita, esta lista ao Conselho Leonino é para rir, pois esta gente não merece uma lágrima que seja.


E claro, olhemos para os dois candidatos, Pedro Madeira e Bruno de Carvalho, dois jovens, e o Sporting precisa desta juventude. Bruno de Carvalho teve quatro anos para se adaptar, para aprender, para se enquadrar com a responsabilidade que é ser Presidente de um Clube como o Sporting Clube de Portugal. Mas tarda em perceber e comportar-se como tal. O Clube está fraturado, os adeptos combatem entre si, há ameaças, há processos, há um tom baixo e sem perfil institucional. O Sporting é hoje um Clube gerido ao balcão da taverna, onde tudo se resolve com ataques ao rival Benfica, que para nossa tristeza, vai a caminho de quatro títulos em quatro anos de mandato de Bruno Carvalho. Nas modalidades e no futebol o terror é o mesmo. Muito dinheiro aplicado, e poucos ou nenhuns títulos. O Pavilhão tem mérito de Bruno, mas não podemos esquecer todo o trabalho feito pelas anteriores Direções no processo de resolução de terrenos e licenças com a autarquia. Sem estes processos nada aconteceria. Mas Bruno construiu, está quase pronto, e todos queremos que seja uma casa que muitas alegrias nos ofereça.

 

Pedro Madeira é o challenger destas eleições. Avançou sozinho num momento em que o Sporting estava ainda a lutar para vencer praticamente todas as competições. Sozinho foi conquistando apoios, garantindo votos, tem hoje uma Lista composta por antigos dissidentes de Bruno de Carvalho e de gente que muito deu ao Sporting e ao desporto nas ultimas décadas. Esta é uma Lista que deve ser bem avaliada e bem ponderada. Não é um capricho, é efetivamente um conjunto de Sócios muito válidos e preparados para alterar o rumo do Sporting nos próximos anos.



Pedro Madeira tem vindo a subir na sua confiança e notoriedade entre os Sócios. A poucas horas do Debate, se Pedro Madeira se conseguir afirmar definitivamente perante a plateia Leonina, tudo pode acontecer no dia 4 de Março. Pedro Madeira tem ainda trunfos na manga, como os investidores, sponsors, treinador e diretor desportivo. Ao que se vai ouvindo todos estes nomes serão fortes, e tudo será provado e comprovado de forma efetiva sem show mediático mas sim no sentido de começarem a trabalhar logo no dia 5.



O episódio do despedimento de Jorge Jesus foi mais um ato de coragem do candidato. E uma grande maioria tem esse desejo. E acredito que não será difícil chegar a esse acordo. Jorge Jesus está intimamente ligado a muito do que se passou nos últimos dois anos no departamento de futebol. Esteve nos negócios, nas compras, nas vendas, e isso pode ser o ponto de partida para colocar o lugar à disposição. Jorge Jesus pode ter muitos defeitos mas continuo a acreditar que e um Homem de caráter, do Sporting e que tem todas as qualidades para dar o salto para outro campeonato. Jorge Jesus sairá pelo seu próprio pé, pois perderá a confiança da direção e claro, perderá a confiança de quem realmente tem e deve ter o poder, os Sócios e Adeptos.


O Sporting está numa fase critica. Não é de agora. Mas vivemos atualmente de uma fraqueza enorme para os nossos rivais. Bruno de Carvalho dividiu o Clube, criou um conflito interno para governar. Se Pedro Madeira conseguir aproveitar esta fraqueza sairá vencedor das eleições. Bruno está desgastado, desacreditado, refém de um treinador autista que renega de forma perentória o nosso ADN de clube formador. E claro, o aumento brutal de emissão de VMOC´s, processo tão criticado por Dias Ferreira no passado e que agora evita tocar ou explicar aos Sócios e Adeptos o problema que temos entre mãos. O Clube e a SAD estão no limbo, continuam na mão da banca e de investidores. Os empresários de jogadores não nos consideram, a Federação de Futebol, a Liga de Clubes e a APAF não nos respeitam.



Um Clube orgulhosamente só só pode ter um destino. Ir definhando e desfalecendo sozinho, jogo após jogo, decisão após decisão até ao tombo final, que muito nos irá custar. Reerguer este Clube é uma missão de todos os associados e adeptos, que comece já no dia 4 com um voto de consciência. Basta! O Sporting não é isto.

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editado por Ivaylo a 25/2/17 às 11:27

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Depois de ter considerado o aumento do número de associados como um dos méritos do actual mandato, fico agora um pouco surpreendido com duas notícias que têm sido bastante comentadas nos últimos dias.

 

O número de sócios com direito de voto no dia 4 de Março ronda os 45 mil. Sendo consensual que o número de sócios pagantes na generalidade das organizações oscile pelos 50%, seria legítimo ter uma expectativa de pelo menos 70 mil sócios a poder votar nestas eleições. Estamos, portanto, perante metade do que seria expectável depois do anúncio, associado a Eric Cantona, que já ultrapassámos os 150 mil sócios.

 

Estarão também noutra dimensão, como os assistentes aos jogos em Alvalade que ocupam cadeiras aparentemente vazias? Estariam a bordo do voo da Malasya Airlines? Só serão observáveis utilizando equipamentos de VR? Um pokémon pode ser sócio de um clube? Considerando a actual tendência de Hollywood para o remake de clássicos, poderia ser um argumento a explorar por Mulder e Scully…

 

Para lançar ainda mais “transparência” no assunto, eis que a MAG opta por não divulgar os cadernos eleitorais. Baseia essa opção na Lei de Protecção de Dados Pessoais. Estranho que quando um sócio de seu nome Bruno Miguel Azevedo Gaspar de Carvalho, na sequência de suspeições levantadas pelo então candidato presidencial Bruno Miguel Azevedo Gaspar de Carvalho, apresentou uma proposta de alteração ao Regulamento Eleitoral que visava precisamente estabelecer a obrigatoriedade de divulgação dos cadernos aí não se recordaram da LPDP. Estranho também que, tendo entretanto constatado que o Regulamento alegadamente violava a LPDP, não tenham entretanto apresentado proposta rectificativa do mesmo. Terá a proposta levado mais de 4 anos a ser ultimada…? Estranho igualmente que a LPDP não tenha sido sempre a “resposta oficial” à questão…

 

Para esclarecer estas questões, aparentemente simples, bastaria dar resposta ao exemplo que aqui apresentamos, enviado por um leitor:

 

«Caros Presidentes do SCP e MAG. Neste momento são muitos os adeptos e sócios que se questionam sobre 3 assuntos que terão rápida e simples resposta por parte de V. Exas.:

 

  1. Qual o n.º total de sócios do Sporting Clube de Portugal?

 

  1. Qual o n.º total de sócios com capacidade de voto?

 

Continuamos a aguardar os cadernos eleitorais. Estamos certos de que sabem o que são e que têm conhecimento dos estatutos do clube e MAG. Já ultrapassou o prazo para a publicação obrigatória dos mesmos como também saberão.

Notem que o Sporting Clube de Portugal não é nenhuma Associação de Bombeiros (com todo o respeito por estas).

 

  1. Onde param os outros 100.000 para perfazer os propalados 150.000?

 

Admitindo que se trata de 45.000 sócios com capacidade de voto (resposta à questão 2), serão 100.000 menores de idade como os meus 2 filhos (também sócios)?

Serão todos sócios com menos de 12 meses de filiação?

Ou 100.000 deixaram de pagar quotas a tempo de serem elegíveis a exercer o seu direito de voto?

 

Só isto. 3 respostas simples. 2 números e 1 pequena resposta.

Consultem por favor o vosso Excel.

Nós saberemos calcular uma taxa de crescimento.

Bem como, na falta de resposta, saberemos encontrá-los. Ou deduzir de onde vieram.»

 

Obrigado mais uma vez caro Rui!

 

Agradeço também, antecipadamente, ao CD e MAG que certamente tudo farão para que as eleições decorram com a máxima transparência possível. É o que se exige aos representantes de uma Instituição Centenária que sempre se pautou, não pelos valores mínimos legalmente exigíveis, mas pela Verdade!

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Vem o título na sequência do pós-jogo. Saindo das bancadas, nas escadas, nos acessos, nos bares, nas roulottes, nos restaurantes, nos trasnportes, ..., até nos WC... Novos e velhos. Mulheres e homens. Todos de acordo. O Sporting ontem não jogou absolutamente nada!

 

Será uma questão dos soldados? Em duas posições, sim, claramente. Mas sobre os laterais defensivos já tanto se falou que as suas más exibições já se tornaram uma "aceitável normalidade". Quanto aos demais, um dos melhores guarda-redes do Mundo, bons centrais, excelentes médios centro, um furacão na direita e um matador na área. A isto soma-se a tendência crescente de Alan Ruiz e a experiência de Bruno César ou Bryan Ruiz.

 

Sobre a baliza, voltarei no final. Na defesa a aparecer a novidade Paulo Oliveira, mostrando que o Sporting não está refêm da habitual dupla titular e de eventuais oscilações de forma. No meio uns bastante menos inspirados William e Adrien a demonstrarem que, se quem de direito assim o decida, a boa surpresa que foi Paulo Oliveira na defesa poderia ser extensível mais à frente com Palhinha e Francisco Geraldes. Na direita Gélson a mostrar que "é um que não engana", não sabe jogar mal, mesmo em noite menos inpirada consegue compensar com mais trabalho. Bruno César algo apagado, mas algo compreensível quando falamos do jogador que esta época "passeia" entre posições. Alan Ruiz a marcar, mais uma vez. Um jogador claramente em crescendo. Na frente Dost desta vez não marcou, mas sem a bola lhe chegar... só por telecinese.

 

Será uma questão do general? Que dizer quando os tijolos e o betão são de boa qualidade mas a parede cai...? Claramente o que falta a este Sporting (para além dos laterais...) é uma ideia de jogo. Uma! É incompreensível como um treinador que ganha o vencimento de Jorge Jesus não consegue tirar melhor rendimento dos jogadores que tem á sua disposição. O Sporting a nível defensivo causa frequentemente calafrios aos seus adeptos, muito pela actuação dos seus laterais. O Sporting a nível ofensivo não consegue em 90 minutos uma transição de bola pelo meio. Uma! É sofrível! Já se justifica a intenção de despedimento de Pedro Madeira Rodrigues, não por uma questão de "honra", mas por mau desempenho.

 

E que esperar de declarações deste general? O costume... Não só nunca assume o que corre mal, como consegue ainda ter desculpas mirabolantes como «boas equipas são aquelas que ganham sem jogar bem». E eu que pensava que uma boa equipa era aquela que jogava bem e ganhava. Jogos e títulos... Tenho evidentemente de reaprender estes conceitos para me adaptar a esta outra dimensão. Como no Fringe.

 

Aliás, só a Teoria Multidimensional para explicar as assistências anunciadas em Alvalade. Estavam lá mesmo os 40 mil... Só que 5 mil estavam noutra dimensão. Será que nessa dimensão o Sporting jogou melhor? Será que nessa dimensão temos defesas laterais decentes? Não perca o próximo episódio...

 

Termino com a baliza. Obrigado Rui Patrício! 400 vezes obrigado! Obrigado pelos 3 pontos ontem! Obrigado por seres um Leão! Obrigado por nos encheres de orgulho, com o Leão Rampante ou com as Quinas! És Grande!

 

Só lamento ver uma ou outra pessoa, sempre dispostos a aplaudir uma figura secundária como Bruno Carvalho, a pouparem as palmas das mãos nos aplausos ao Rui. Mas sobre estes já falei outro dia. Chega de dar protagonismo a quem não merece qualquer consideração. Chega.

 

Volto ao Rui! Esse sim, merece todo o protagonismo! É com estes Leões que se ganham títulos!

 

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17
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editado por Ivaylo a 25/2/17 às 11:33

15
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Segundo a Bíblia, a verdadeira (não confundir com o jornal A Bola), sensivelmente em 30 D.C. terá ocorrido o julgamento de Jesus Cristo. No decorrer do mesmo Pilatos, que não tinha ficado convencido da culpa do acusado mas estava pressionado pela multidão, decide dar o poder de escolha entre a vida de dois acusados – Jesus e Barrabás – sobre qual seria libertado e qual seria crucificado. O assassino foi libertado, Jesus crucificado. Naquele momento a multidão pensava-se dona da razão, achava que era melhor dar outra oportunidade a um ladrão e assassino do que a alguém que pregava a paz. Convencidos da sua legitimidade, naquele momento eles foram felizes.

 

Galileu Galilei, nascido em Itália em 1564, foi um conhecido físico, matemático, astrónomo e filósofo. Pertencem-lhe descobertas nas áreas de Movimento Uniformemente Acelerado, Movimento do Pêndulo, Leis dos Corpos, Princípio da Inércia, manchas solares, montanhas na Lua, fases de Vénus, satélites de Jupíter, aneis de Saturno, Método Científico e Heliocentrismo. Este último valeu-lhe, não um Prémio Nobel, mas um julgamento pela Santa Inquisição – Tribunal religioso responsável por atrocidades e recuo civilizacional. A Inquisição teve um grande acolhimento popular na época, sobretudo por dois motivos. O medo. Os "espectáculos" públicos de execução das bárbaras sentenças. Nos designados Autos de Fé, as multidões exultavam quando as cabeças rolavam e os chicotes os ares agitavam. Naquele momento achavam que os castigados eram horríveis criminosos e que as suas vidas ficariam melhores por eles desaparecerem. Convencidos do céu e do inferno, naquele momento eles foram felizes.

 

Em 1933 Adolf Hitler chega ao poder numa Alemanha em escombros depois da I Grande Guerra. Cria o Ministério do Reich, cuja liderança ficaria a cargo de Joseph Goebbels, com o objectivo de difundir a propaganda do regime através de arte, música, cinema e literatura. Dessa forma iniciaram uma imagem negativa do povo Judeu, entre outras mensagens necessárias à aceitação do regime, conseguindo assim que no momento em que judeus começaram a entrar em comboios para iniciar viagens só de ida muitos alemães aplaudiam nas estações. Convencidos da sua ideologia, naquele momento eles foram felizes.

 

Em 1981 é eleito o Jorge.

 

Em 1983 torna-se de conhecimento geral o escândalo financeiro "Dona Branca". Através de um bem aplicado "esquema em pirâmide", alicerçado na oferta de juros bastante mais elevados que os practicados pela Banca "legítima", consegue Maria Branca dos Santos manter uma lucrativa fraude ao longo de mais de 30 anos. Tal como no BPN, tal como no BPP, tal como no BES, tal como... tantas e tantas outras vigarices ao longo da História, o sucesso de Dona Branca foi garantido pela "ganância chica-esperta" de pessoas convencidas de terem encontrado uma mina de ouro. Convencidos do seu "olho para o negócio", naquele momento eles foram felizes.

 

Em 2003 é eleito o Luís.

 

Em 2005 é eleito o José.

 

Em 2013 é eleito o Bruno.

 

Em 2016 é eleito o Donald.

 

Tivessem tido consciência, anos mais tarde, que tinham dado a oportunidade a Barrabás de continuar a matar e a roubar, aquelas pessoas já não seriam tão felizes. No mesmo cenário, os que tinham aplaudido a tortura e execução levadas a cabo pela Inquisição, cujo grande número de vítimas mais não foram do que pessoas a tentar melhorar a vida das primeiras, perderiam também o esgar de felicidade do rosto. Nem comento o que é hoje a consciência alemã relativamente ao Holocausto...

 

Tivessem tido todos, naquele momento, menos preocupação com a felicidade efémera e egoísta, tivessem eles tido a oportunidade de consultar o Google... provavelmente os factos históricos seriam diferentes. Da negligência do acesso à informação não os podemos culpar, apenas de não se terem valido um pouco mais dos seus valores e menos do que lhes era propagandeado. Hoje? Está à distância de dois clicks. Basta querer. Basta pensar!

 

«A minoria pode ter razão, a maioria está sempre errada.» Henrik Ibsen

 

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Seguindo o que os meus colegas escribas já fizeram para outras áreas do programa, segue uma análise de cada ponto do programa de Pedro Madeira Rodrigues relativo aos sócios. Para evitar redundâncias (num ponto onde estas abundam), devo começar por ressalvar que quase todas as medidas propostas pecam por ser excessivamente esquemáticas e carecem (desesperadamente) de um maior aprofundamento. Não se entende como tal ainda não foi feito. Só que isto seriam conversas para outras núpcias… Por outro lado, fruto desta falta de informação, por ora não vejo que mais vantagens me traria a associação ao Clube (descontos, promoções, facilidades, etc).

 

Cumpre também dizer que, não obstante as discrepâncias entre o número actual de sócios de que se ufana a Direcção de Bruno de Carvalho e os efectivamente pagantes, se trabalhou bastante bem neste aspecto ao longo deste mandato, com iniciativas como o Sócio num Minuto ou o Regresso num Minuto.

 

  1. “Reintroduzir o provedor do sócio, em paralelo com o OLA, com funções definidas de ponte entre o sócio e os serviços, obedecendo a livro de regras e de respostas” – Parece-me uma medida interessante; faz jus à ideia de que os sócios são o maior património do Clube, merecendo um tratamento diferenciado que a actual linha de informação não consegue providenciar em tempo útil. No entanto, a figura do provedor do sócio deveria ser integrada num organograma funcional mais vasto e com funções mais claramente definidas. Se o OLA é o responsável pela articulação com os núcleos e, no tempo de João Rocha, na composição dos inesquecíveis comboios verdes, que fará o provedor do sócio? Tratará individualmente dos problemas de cada associado?! Terá uma equipa ao seu dispor para dar vazão à comunicação clube-associado? Far-se-á ouvir através de que canais? Estará em permanência na Loja Verde? Inaugurar-se-á um gabinete presencial de apoio ao sócio? Exigem-se mais esclarecimentos neste ponto. Só dúvidas me assistem aqui…
  2. “Propor a criação da figura do sócio-filho. Um agregado familiar com pelo menos dois sócios efectivos de escalão A poderá ver os seus descendentes directos isentos de quota até aos 14 anos” – É uma medida que atrairá, em teoria, mais associados, estimulando a omnipresença do Sporting no quotidiano das crianças desde tenra idade, indispensável à difusão do sportinguismo e seus valores e à renovação geracional prioritária num clube centenário. No entanto, do ponto de vista das receitas, isentar os “sócios-filho” de quotas até aos 14 anos privaria o Clube de bastantes anos de quotizações. Parece-me que o sistema da Direcção actual, com as categorias “Infantil” (0-11 anos inclusive, com quotas mensais na ordem dos 3 euros), a “Juvenil” (12-17 anos inclusive, com quotas mensais na ordem dos 4 euros) e a “B” (com quotas de 6 euros mensais) parecem relativamente comportáveis para um agregado familiar de classe média, não defraudando o Clube do valor das quotizações… Parece-me uma medida desnecessária.
  3. “Propor a criação da figura do sócio-núcleo, partilhando o valor da quotização com estes e tornando-os uma verdadeira delegação do clube numa óptica de descentralização com maior capacidade funcional, nomeadamente ao nível da bilhética” – Já simpatizo mais com esta medida. Creio que apenas o Solar do Norte tem capacidade de vender bilhetes fora de Lisboa. Um pioneiro desta vertente descentralizadora que, à semelhança da criação da Academia no norte do país, me parece ser uma das marcas desta candidatura. Ainda assim, seria talvez mais eficaz dotar os núcleos de maior autonomia funcional e não tanto a figura do próprio associado… Qualquer membro de um determinado núcleo teria, por inerência, os benefícios que essa maior autonomia conferiria… Institucionalizar tal sob um “sócio-núcleo” é, de novo, uma redundância.
  4. “Propor a criação da figura do sócio-claque, permitindo aos membros das claques um desconto na quotização até aos 21 anos” – Que desconto? Em que consistiria este desconto? Devo relembrar que a Direcção de Bruno de Carvalho instituiu (e muito bem) a obrigatoriedade de se ser sócio do Clube e da claque para se poderem usufruir das regalias inerentes aos grupos organizados (e legalizados) de adeptos. Mais uma medida redundante…
  5. “Propor a criação da figura do sócio-internacional, permitindo uma maior ligação ao clube do número cada vez mais elevado de sportinguistas que vivem fora de Portugal” – Óptima intenção. Mas peca por confusa. Sócios-internacionais serão sócios portugueses emigrados no estrangeiro? Ou sócios estrangeiros? E que tal uma política de expansão internacional da Marca Sporting que cativasse a simpatia de cidadãos estrangeiros? E que tal a já referida dotação de autonomia aos grupos de apoio ao Sporting no estrangeiro, estimulando maior interacção social com a realidade do país em causa? Não se percebe a medida…
  6. “Explorar a possibilidade de introdução do voto electrónico nos núcleos, salvaguardando a total fiabilidade dos sistemas” – Aqui sim! Uma medida de autonomização das funções aos núcleos. Escapa ao paradigma de confusão e redundância que caracterizam este ponto em larga escala…
  7. “Realizar com maior regularidade treinos abertos aos sócios da equipa principal de futebol em Alvalade” – Redundante! Durante este (e outros) mandatos fizeram-se vários treinos abertos, sempre muito participados, onde o sportinguismo e o entusiasmo prevaleceram. Destaco sobretudo os treinos solidários de Natal, onde fiz sempre questão de ir com muito gosto.
  8. “Fundir a Fundação Sporting e a Leões de Portugal – Associação de Solidariedade Sportinguista para ganhar massa crítica e aumentar eficácia.” – Seria uma medida concentracionária e optimizadora, de facto: agregaria sinergias de duas instituições especializadas, desde há muitos anos, em iniciativas de carácter solidário. Resta saber qual seria o desenho institucional final e como se procederiam às negociações na prática concreta.

O problema central que identifico neste ponto, para lá da redundância e da falta de informação, é a confusão tremenda que existe entre a política de núcleos, a relação com os associados e a expansão da Marca. Tem de se fazer uma separação clara. Tem de se saber que profissionais de prestígio assumiriam a condução destas pastas, tão vitais à manutenção do Clube. Em suma, informação precisa-se!

PS: Existindo um Núcleo de Sportinguistas da Califórnia (foto infra), de que se está à espera para trabalhar seriamente esta vertente?

Núcleo do Sporting da Califórnia.jpg

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editado por Ivaylo a 25/2/17 às 11:46



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