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O Sporting é a paixão que nos inspira. Não confundimos competência com cultos de personalidade. 110 anos de história de um clube que resiste a tudo e que merece o melhor e os melhores de todos nós. Sporting Sempre

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Acabou o campeonato e com ele o suplício de uma época desastrosa. Não apenas pelo terceiro lugar, por não se ter ganho (mais uma vez) qualquer troféu, mas porque fica a nítida sensação que se podia ter feito muito melhor. Desde logo, com o dinheiro usado nas contratações, que foi muito mal aplicado, tirando o caso de Dost. Com outro tipo de soluções, teria sido possível atacar muito melhor a época, não desgastando sempre os mesmos jogadores numa fase decisiva em que estávamos envolvidos em várias competições em simultâneo (Novembro-Dezembro) e poderíamos ter tido outros horizontes. Sobretudo com um Benfica abaixo do que fez na época passada e com um Porto claramente fraco e irregular.

Depois, fica a nítida sensação de que desde muito cedo o balneário ficou instável e com mau ambiente. Se foi devido ao: “a diferença está no treinador” que Jorge Jesus, em mais uma das suas tiradas egocêntricas e petulantes, produziu no rescaldo do jogo de Madrid, ou se depois da intervenção destemperada do presidente em Chaves, de forma audível para quem estava no exterior, em que descompôs e insultou os jogadores, não o sabemos. De qualquer forma, esses dois episódios constituíram apenas a face mais visível de erros que foram cometidos e que gradualmente conduziram a um divórcio dos jogadores com o treinador e com o presidente e que só não levaram a um rompimento do presidente com o treinador porque há pelo menos uma dúzia de milhões de euros de razões para que isso (ainda) não tenha acontecido. Provavelmente há muito mais que isto… por exemplo, sabemos que os campeões da Europa se mantiveram no clube na época anterior algo contrariados. Claro, que por princípio, defendo que os jogadores devem ficar no clube o tempo suficiente para que deles se possa extrair rendimento desportivo e saírem na altura certa, que corresponderá a uma grande oferta, não frustrando as suas expectativas que por muito que nos custe, são naturais. Mas para isso, têm de ser tratados de forma transparente e com rectidão, não lhes prometendo o que depois não se cumpre e não os humilhando. Ou seja, é preciso saber lidar com os recursos humanos e não os hostilizar ou desvalorizar. Mais uma vez, aqui há um longo caminho a percorrer.
 
Além de tudo o mais, ficou claro desde uma fase precoce na época, que seriam os jogadores, os bodes expiatórios de tudo o que corresse mal a partir dessa altura. Quer pelos sinais que foram sendo dados por alguns blogues que colocam acima de tudo a defesa da Direção, quer mesmo por intervenções públicas de pessoas que são próximas desta, como Pedro Baptista quando colocou em causa o profissionalismo de William, entre outros. Obviamente que seria completamente utópico pensar que tudo isto deixaria o plantel e a carreira da equipa fora de toda esta turbulência. Claro que esta culpabilização dos jogadores procurava preservar o treinador (porque era preciso pagar-lhe muito para sair) e a Direção (porque quer manter-se fora de contestação). Percebe-se ainda que o regresso antecipado de jovens valores emprestados em Janeiro, correspondeu mais a um sinal que a Direcção quis passar aos sócios do que genuína vontade do treinador em contar efectivamente com eles para o seu plano de jogo.
 
Ninguém gosta de viver num clima de passa-culpas, nem de quando não se assumem responsabilidades que são sempre colectivas. Ao contrário do que tentam fazer passar o presidente e o seu porta-voz Saraiva, a cultura de exigência que os adeptos devem ter não se resume a exigir rendimento dos atletas – o que obviamente teremos sempre de fazer. A cultura de exigência, prende-se com todos os elementos do clube que têm responsabilidades nos resultados. Quem contratou os jogadores e o treinador? Quem contratou os jogadores, que agora são tidos como únicos culpados? Quem gosta de assumir qualquer vitória como troféu, seja ela qual for e que foge nas derrotas?

Ninguém pode passar pelos pingos da chuva nesta hora, nem o treinador, nem muito menos o principal responsável pelo clube. A sua hora da verdade chegou, Bruno de Carvalho. Pode continuar agarrado aos 86% e achar que vão durar muito tempo, fazendo o que lhe apetece, alterando a agenda do clube devido à sua agenda pessoal, como acontece agora com a questão da Gala, ou dando mostras de romantismo pueril de adolescente na tribuna do Clube – não que eu seja especialmente puritano, mas porque sinceramente… não havia necessidade de mais uma vez baixar o nível de representação institucional do clube. Pode achar que pode atacar de forma gratuita os atletas das modalidades e os treinadores, (mais uma vez: quem os escolheu?) incluindo os poucos casos que têm dado títulos ao clube como no futsal, ou numa altura em que a equipa de andebol ainda tem possibilidade de ganhar 3 títulos: campeonato, Taça Challenge e Taça de Portugal. Pode entender que pode calar a voz da indignação dos adeptos, dos sócios e pelos vistos também das claques. Pode achar que está acima do clube, apostar na ignorância dos adeptos e abusar da sua boa-fé e pensar que o clube está aos seus pés. Pode pressupor que como estamos há 15 anos sem ganhar um campeonato, a nossa paciência é infindável. Mas depois não se queixe, nem diga que não foi avisado… e não se esqueça que quem sofre é o Sporting.
 
Ontem, tivemos mais um exemplo do que está a acontecer e de que o clube está a ferro e fogo, nesse barómetro que são as claques. Existiu a tarja dos 20 minutos em silêncio como protesto pelo rendimento da equipa (colocando mais uma vez o foco unicamente nos jogadores…). Mas também existiram tarjas a questionar as contratações - “reforços cirúrgicos?” e uma a referir: “só o Sporting é insubstituível”, esta última pelos vistos bastante incómoda para quem dirige o clube. Tivemos inclusive tarjas a atacar os jogadores, chegando ao ponto de visar individualmente Ruben Semedo e a desejar-lhe “bon voyage”. Independentemente do que ele possa ter feito, deveria ter existido algum bom senso em não desvalorizar desta forma um activo do clube, que agora fará toda a pressão para sair ou que, se ficar, o fará extremamente contrariado. Se a filosofia agora e na linha do discurso do bardamerda da noite da eleições, é renegar e expulsar do clube todos os atletas que não sejam adeptos do Sporting, talvez seja bom perceber que não é isso que conduz ao sucesso nem sequer a prática seguida pelos rivais. O que estará sempre em causa é o profissionalismo dos atletas. Já que BdC tanto gosta de se comparar com o Benfica, talvez seja altura de perceber que o segredo está em atrair talento para o clube, em lhes dar depois as condições necessárias (onde se inclui tranquilidade e competência) para que possam evoluir e potencializar as suas características. Isto é válido para jogadores, mas também para dirigentes, tendo o rival nos seus quadros pessoas que eram adeptas do Sporting e competentes como é o caso de Domingos Soares de Oliveira. Deixe de ser bacoco e de visões curtas, que quem perderá será sempre o clube. A cultura de ódio que se está a instalar na sociedade em relação ao Sporting e que extravasa já os adeptos dos principais rivais, deveria dar que pensar a qualquer pessoa sensata. Mas infelizmente não é esse o caso de quem actualmente ocupa o lugar de presidente da nossa instituição. Quem semeia ventos colhe tempestades… neste caso mais se poderá dizer que quem semeou tempestades poderá colher um furacão.
 
 
 
PS: em outro post irei abordar as perspectivas que se levantam para a nova época. Já agora, gostaria de reafirmar que nada me daria maior alegria a mim e aos meus companheiros deste blog, do que vir celebrar vitórias e sobretudo títulos do clube, por muito pouco que confie nesta Direcção para nos conduzir ao sucesso. O Sporting está sempre acima de tudo. Espero ainda poder vir a comemorar no andebol (excelente vitória na primeira mão da final da Taça Chalenge), no futsal e nos escalões jovens do futebol, num fim-de-semana que até nos correu de feição em termos de resultados. Endereço os meus sinceros parabéns às campeãs de futebol feminino e de rugby e aos nossos juvenis e iniciados que venceram os rivais no futebol.
 
Aos nossos leitores, dizer-lhes que são livres de discordar ou concordar do que aqui dizemos, mas nada nos desviará do caminho que escolhemos: defender genuinamente aquilo que no nosso entender, são os superiores interesses da instituição Sporting Clube de Portugal.
 
Sporting sempre!

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Na passada sexta-feira, dia de “jackpot acumulado” em Portugal por ser feriado e recheado de sol, jogou-se ao final da tarde uma partida bem disputada entre os “verde e branco de Setúbal” e os “verde e branco de Portugal”.

 

Passados já três dias do jogo não me irei alongar muito no comentário de futebol propriamente dito.

 

Mais um bom ensaio para o derby, aproveitando Jorge Jesus para o derradeiro teste à condição física de Adrien Silva. Se nesse aspecto, aparentemente, está tudo bem, tendo até o capitão alinhado os 90 minutos, já na qualidade do futebol praticado nota-se estar ainda um bocadinho “perro”. Nada que a motivação de disputar um jogo contra o principal rival não resolva. É o que esperamos todos.

 

No resto dos jogadores elencados pelo treinador, registaram-se as saídas de Bryan Ruiz (para a já referida entrada de Adrien) e Podence (a ceder o lugar ao “dono” Gelson Martins). De resto mais nenhuma alteração. Há que elogiar esta continuidade neste momento da época, embora em uma ou outra posição se possa discutir a opção escolhida para essa continuidade.

 

Nota positiva para Bruno César, a mostrar mais uma vez que mais do que um jogo na mesma posição não pode fazer mal… E se a posição for a mais adequada às características do jogador… O mais provável é fazer bem.

 

Das opções desapareceu Francisco Geraldes. Deve ter sido castigo, e merecido! Afinal, quem o mandou jogar bem a semana passada frente ao Boavista?! O desplante do miúdo… Com toda a justiça alinhou pela Equipa B, estranhamente na posição que Jorge Jesus afirma que ele não tem características para actuar… Deve ter feito parte do castigo.

 

Na marcha do jogo esteve o Sporting a maior parte do tempo no comando das operações, nunca a comandar absolutamente mas sem grandes sobressaltos. Regista-se alguma sorte no primeiro golo marcado, pelo lance em si, e também no segundo golo pelo momento em que ocorreu. Nenhuma destas felicidades belisca a justiça da vitória Leonina.

 

Saindo finalmente do relvado, concentro-me agora no ambiente. Só tenho uma palavra: bravo!

 

Poderia pensar-se que o episódio ocorrido na Taça poderia prejudicar o ambiente deste jogo. Felizmente essa “suspeição” não passou disso mesmo. Assim deveria ser sempre o futebol.

 

Viajei para Setúbal com amigos, onde nos encontrámos com outros amigos que tinham aproveitado o dia de sol para um primeiro pisar dos grãos de areia nas magníficas praias da Arrábida. Para ponto de encontro da peregrinação, que teria obrigatoriamente de passar por uma esplanada, imperiais e choco frito, escolhemos local com o nome mais apropriado possível – o Leo do Choco Frito. Tudo bom: atendimento, qualidade, convívio entre amigos, entre adeptos de mesmo clube e entre adeptos de clube diferente.

 

No caminho até ao Estádio do Bonfim, no acesso ao interior do mesmo e já lá dentro a continuar o ambiente saudável de quem está ali para viver o futebol e apoiar o seu clube. De registar uma assistência bastante assinalável com todas as bancadas bem compostas, as duas centrais com mais adeptos do Vitória, a bancada sul completamente lotada com adeptos do Sporting e com uma diagonal preenchida de adeptos de ambos os clubes em saudável rivalidade.

 

Isto é o futebol! Ou pelo menos assim deveria ser sempre.

 

O futebol não é claques. O futebol não é cânticos insultuosos. O futebol não é comentadores e dirigentes. O futebol são as pessoas, as famílias, a divertirem-se e conviverem. O futebol é o apoio à nossa equipa, desejando e gritando a plenos pulmões que ela ganhe sempre! Mas com legitimidade e respeito por todos.

 

Estou a pedir muito?

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O Sporting conseguiu ontem uma vitória fácil frente ao Boavista, devido às facilidades concedidas pela defesa boavisteira, mas também pela facilidade com que Bas Dost introduz a bola na baliza. Esperava-se um confronto mais aguerrido, por esta ser uma característica intrínseca dos axadrezados, mas também por trazerem consigo uma boa sequência de jogos sem perder.

 

Na baliza verde e branca Rui Patrício limitou-se practicamente a assistir ao jogo, a tal ponto que poderia ter contado, com legitimidade, para o total de espectadores presentes em Alvalade.

 

Na defesa a repetir-se o último quarteto. Contra um ataque pouco acutilante não houve quaisquer consequências de uma ou outra desconcentração de Coates e Semedo, mais do segundo cuja forma actual parece chamar Paulo Oliveira de volta à titularidade. Schelotto no seu jeito meio trapalhão habitual, sempre voluntarioso a apoiar o ataque. Marvin surpreendentemente a jogar bem pelo segundo jogo consecutivo, a registar até alguns bons cortes.

 

No miolo uma imponente exibição de William, como que a hipnotizar adversários, colegas e público nas suas valsas em slow motion. Ao seu lado, pela última vez esperamos todos, Bryan a demonstrar mais uma vez a teimosia de Jorge Jesus em colocá-lo a "8", a falta de vigor físico para a posição e o descerto no passe curto foram sendo intercaladas com algumas boas aberturas na vertical.

 

Nas alas um bom aproveitamento da chamada por ambos, tanto de Bruno César como Podence. Se o primeiro tivesse mais rotina numa só posição e o segundo uma oportunidade logo no início da época, estaríamos agora provavelmente a colocar uma pressão mais próxima aos adversários.

 

No ataque o imperial Bas Dost a assinar um hat trick e a colar-se a Messi no topo da Europa! Alan Ruiz começa, felizmente, a habituar-nos também aos golos. Se continuar a evoluir, com foco na velocidade, poderá tornar-se um jogador apetecível noutros campeonatos – principalmente o italiano.

 

Do banco sairam Adrien, Campbell e Francisco Geraldes. Nota para o regresso do Capitão com grande aplauso colectivo em Alvalade, a demonstrar estar bem fisicamente mas com expectável falta de ritmo. "Só" lhe pedimos o "milagre" de o recuperar todo numa semana... Vá lá! Tu consegues! Nota igualmente para um bom conjunto de passes de Geraldes, a deixar um perfume de interrogação nos poucos minutos que esteve em campo: "Porque não jogou mais na ausência de Adrien...?!"...

 

Em resumo, apesar de uma ou outra escolha discutível, apesar de um ou outro desacerto, ficou um bom ensaio para o jogo contra o benfica. Nota-se que a sequência de bons resultados faz subir a confiança de todos e que as coisas saem melhor assim, com melhores jogadas e melhor entendimento. É também bastante notório o envolvimento de toda a equipa no projecto individual de Bas Dost e isso, claro, só pode trazer bons resultados também para o colectivo.

 

Esta boa sequência de resultados, apesar de nem sempre boas exibições, permite encarar o jogo com o rival com optimismo. Força Sporting!

 

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Ontem, em noite de reencontros de má memória – árbitro e adversário – inicia o Sporting o jogo com mais duas adaptações posicionais. Esgaio, que faz parte do plantel teoricamente como defesa direito, jogou na esquerda. Bruno César actuou na sua quinta posição esta época, fazendo o lugar de Adrien.

 

Mas, “voltando atrás”, na baliza Rui Patrício esteve bem e parece demonstrar que o momento de menor forma que teve no início de 2017 foi apenas isso, um momento. Não podia fazer mais no golo sofrido. Ainda na baliza, a inevitável questão: porquê convocar três GR para um jogo em casa e sem limitações físicas dos habituais convocados Patrício e Beto? Não teria sido a vaga melhor preenchida com um jogador de campo?

 

Na defesa, quarteto formado por Schelotto, Oliveira, Coates e Esgaio. Schelotto a ter um dos seus melhores jogos esta época, esteve em bom nível até perto do final da partida, quando levou um toque mais incisivo que o deixou ligeiramente limitado até ao apito final. Oliveira e Coates a terem um bom jogo e a revelarem um entrosamento crescente, assistimos a bastantes “dobras” mútuas. Na esquerda Esgaio. Eventualmente esta época seja a melhor opção, mas não será já tempo de Jesus se definir de uma vez por todas? Começo a imaginar um saco preto com quatro papelinhos com nomes (Marvin, Jefferson, Bruno César e Esgaio) e, imediatamente antes da divulgação da equipa titular, Jesus leva a mão ao saco e escolhe o defesa esquerdo para esse jogo… Como é possível criarem-se rotinas se continuar o “carrocel”? Pelo que Esgaio mostrou ontem, apesar de não ter velocidade para Hernâni e ter tido alguns dissabores nas suas costas, consegue mesmo assim defender melhor que a concorrência e é dele o centro que dá origem ao golo do Sporting, logo já justifica uma aposta com mais continuidade.

 

No meio campo, William a “6” e Bruno César a “8”. Qualquer um deles, individualmente, é uma boa opção para o lugar. No caso de William é mesmo o titular evidente. Mas, em simultâneo a actuarem no miolo fica o Sporting refém de algum défice de velocidade. E se pensarmos que à sua frente estava Alan Ruiz (“10”), que também não é um portento de velocidade, e à esquerda de Alan o outro Ruiz (Bryan a “11”), cuja velocidade não será de todo a sua melhor característica, ficamos com uma manobra ofensiva que apenas Gelson Martins (“7”) consegue acelerar. Pior, ficamos com uma manobra defensiva com nítida dificuldade de executar pressão alta. Ou se reequaciona quem deve substituir Adrien Silva e quem deve actuar na esquerda ou será este o “filme” para o próximo mês…

 

No ataque um excelente Bas Dost! Ontem a mostrar outros “pergaminhos” e a assistir de forma brilhante Alan Ruiz, naquele que foi dos seus poucos momentos no jogo, e a ter mais algumas intervenções nada egoístas ao longo do jogo. Demonstrou entrosamento, espirito de equipa, visão de jogo e boa execução técnica. Provavelmente o melhor jogador em campo na primeira parte.

 

Na segunda parte do jogo, Jesus terá considerado que a vantagem de apenas um golo era suficiente e “adormece” a equipa. Neste momento, infelizmente para nós só realizamos um jogo por semana, portanto é descabido falar de fadiga. Ou seja, se não é o cansaço o culpado do abrandamento, este tem de ser directamente imputado ao treinador. Se há questões de motivação é ao treinador que cabe estimulá-la e seleccionar os jogadores mais motivados. Se um ou outro jogador “tira o pé do pedal” sem que tenha sido o treinador a pedi-lo, é ao treinador que cabe retirá-lo de campo e colocar outro com mais “ganas”. É portanto legítimo inferir que foi Jesus que deu a instrução, até porque depois a acentua ao colocar um jogador no meio mais defensivo (Palhinha) do que o jogador que saiu e ao fazer entrar outros dois sem ritmo de jogo (Campbell e Castaignos).

 

Entretanto… não existem mais opções? Francisco Geraldes vê interrompida uma excelente época em Moreira de Cónegos para isto? Daniel Podence não teria sido uma melhor opção para dar velocidade ao jogo do que Campbell ou Castaignos? Apostar na Formação não pode ser só “palavras”… tem que ser “actos”. Palavras? Leva-as o vento…

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02
Mar17

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A equipa B do Sporting Clube de Portugal, a par de outras, foi criada no final de 2011 e avançou para competição na época 2012/2013. Estávamos no mandato de Godinho Lopes. A matéria-prima de que foi dotada (Formação) permitiu que, não só “tenha andado” pelo topo da tabela da II Liga durante a maior parte da época, tenha ainda “salvo” a equipa principal de uma classificação ainda mais embaraçosa ao lhe fornecer jogadores no último terço do campeonato.

 

 Ao apresentar-se às eleições de 2013, Bruno Carvalho afirmava, e bem, que a equipa B era um projecto fundamental num clube formador como o Sporting Clube de Portugal. Para além do que se pode ler na imagem em cima, apresentava propostas no sentido de ter dois plantéis curtos que se complementariam. Ou seja, na equipa principal dois jogadores por posição e na equipa B idem. Ambas com a mesma táctica e as mesmas rotinas. Neste modelo teríamos uma equipa B 100% constituída por jogadores oriundos dos juniores, em que os “titulares teóricos” seriam sempre a terceira opção para cada posição do plantel principal. Por outro lado, jogadores que em algum momento tivessem défice de utilização na equipa principal, recuperando de uma lesão por exemplo, teriam a sua oportunidade de recuperar a melhor forma na equipa B. Uma ligação “umbilical” que certamente geraria sinergias importantes para o futebol do Sporting.

 

Tal como na dança a pares, quando existe a ligação “umbilical” é como se um só corpo se movesse na pista, mas quando assim não é o que se assiste é a pisadelas… Um plantel B com défice de gestão acaba por se tornar só mais um “peso”, com os custos inerentes a uma segunda estrutura, logística e equipa técnica.

 

Ao longo destes quatro anos de mandato, como em outras matérias, assistimos a uma prática distinta do anunciado. Aliás, basta consultar o site para se ficar com uma ideia da relevância atribuída…

 

Pela função que deveria ser o principal pilar de estabilidade – o treinador – passaram quatro nomes, Francisco Barão, Abel, João Deus e agora Luís Martins. De todos, o único que terá efectivamente CV em formação de jogadores é o último, que no entanto apenas assegura a função interinamente até final da corrente época. Interino é também uma expressão que define bem Francisco Barão, pois ocupou a função apenas em curtos períodos de transição. Não tendo a priori esse perfil académico, não obstante, Abel “deu boa conta do recado”. Por motivos que até hoje ninguém conseguiu compreender, o “prémio” por ter ficado a 3 pontos do primeiro lugar na época 2014/2015 foi o afastamento logo no arranque da época 2015/2016. Entra então em cena João Deus. Uma decisão incompreensível, pois tratava-se à data de um ex-preparador físico que, nos poucos clubes em que tinha sido treinador principal, nunca tinha obtido um rácio de vitórias superior a 50% e nunca tinha lançado um jovem. Protagoniza épocas absolutamente sofríveis e recebe o “tiro de misericórdia” em Fevereiro de 2017.

 

No que diz respeito aos jogadores, estranhamente a «ponte entre o futebol júnior e o futebol sénior» serviu, sem grande proveito para o Sporting, de “ponte entre a contratação mal planeada e a dispensa”. Para além dos jogadores provenientes das camadas jovens passaram pela equipa B vinte e seis jogadores contratados propositadamente para tal, dos quais dez a título de empréstimo, num custo global de 1M€. Para além dos “naturais” seniores de primeiro ano e dos “menos naturais” contratados em exclusivo para a equipa B, passaram ainda pela mesma os “contra-natura” jogadores contratados para a equipa principal mas cuja qualidade efectiva nem no banco desta lhe garantiam lugar. Um total de onze jogadores, dos quais três emprestados, que custaram ao Sporting próximo de 13M€.

 

Em resumo: trinta e sete jogadores que mais não fizeram do que onerar as contas do Sporting em 14M€ e dificultar a evolução/integração dos “naturais protagonistas” do conceito – jovens da Formação.

 

Consequência: neste momento a descida ao Campeonato de Portugal é um cenário muito mais provável do que a manutenção na II Liga. Jorge Jesus diz que irá salvar a equipa B com a cedência de alguns jogadores do plantel principal. A equipa B não precisa de ser salva, precisa de ser gerida!

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01
Mar17

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Em 2013 Bruno Carvalho afirmava no seu programa eleitoral, e bem, que se deve preservar a estabilidade da equipa de futebol. É uma necessidade não só do futebol ou do Sporting, mas de qualquer organização.

 

Uma excelente intenção que, lamentavelmente, se ficou por aí.

 

Nas quatro épocas em que Bruno Carvalho foi o timoneiro principal, o futebol do Sporting Clube de Portugal teve três treinadores na equipa principal, quatro treinadores na equipa B e setenta e três jogadores contratados para ambas as equipas.

 

Teve, de facto, um início auspicioso. Na primeira época, cujo planeamento foi infelizmente facilitado pela ausência do Sporting das provas europeias, foram contratados dezoito jogadores (Jefferson, Cissé, Slimani, Victor Silva, Hugo Sousa, Maurício, Seejou King, Gerson Magrão, Montero, Ivan Piris, Welder, Heldon, Shikabala, Matiaz Perez, Dramé, Everton Tiziu, Sambinha e Enoh). Embora em número elevado, aqui sim reconhece-se um «fim de ciclo» que “obriga” a uma revisão mais vasta. No entanto, nestes dezoito jogadores verificou-se um valor médio por transferência de apenas 311m€, justificado pela opção de recorrer em metade das contratações a jogadores “custo zero” e também, claro, pela opção por jogadores “baratos” (sensivelmente 5M€ gastos no total). Poderia a média ter sido ainda mais baixa se em Janeiro não se tivesse dado um primeiro sinal de inversão de estratégia com o 1M€ gasto em Heldon, mas mesmo assim um saldo positivo.

 

Na segunda época, após a saída de Leonardo Jardim, saída essa que não implicava um «fim de ciclo» pois apenas saiu do plantel um jogador titular, foram contratados treze jogadores (Paulo Oliveira, Slavchev, Tanaka, Rosell, Hadi Sacko, Gauld, Naby Sarr, Jonathan Silva, André Geraldes, Gazela, Rabia, Nani e Ewerton). Logo à partida um número estranhamente alto, pois apesar do retorno do Sporting às competições europeias, não deveria ser necessário dotar o plantel de tantas “soluções” adicionais. Mas o realmente grave foi nessa época se ter passado para um valor médio por transferência de 1,2M€! Ou seja, 16M€ gastos no total. Se pensarmos que o jogador de maior qualidade (Nani) até foi a “custo zero”, torna a ineficácia ainda mais evidente. Se recordarmos que o treinador Marco Silva teve pouco ou nenhum “voto na matéria”, restam então dois nomes para assumir a responsabilidade do desacerto.

 

Na terceira época dá-se o assumir em definitivo da inversão de estratégia, com o consequente “rasgar” em definitivo da promessa eleitoral. Entra Jorge Jesus, afirma que antes dele o Sporting não existia e, para dar “corpo” às afirmações, pede a contratação de catorze novos corpos (Azbe Jug, Teo Gutierrez, Aquilani, Bruno Paulista, Bryan Ruiz, Naldo, João Pereira, Marvin Zeegelaar, Bruno César, Schelotto, Coates, Barcos, Thomas Rukas e Amâncio “Neymar” Canhembe). O investimento total em contratações foi na ordem dos 18M€, tendo sido o valor médio de 1,3M€.

 

Na quarta época, ainda a decorrer, dá-se o descalabro total e absoluto! Uma equipa que quase vence o campeonato na época anterior e que mantém o treinador Jorge Jesus, bem como João Deus na B, contrata vinte e oito jogadores (Spalvis, Alan Ruiz, Federico Ruiz, Petrovic, David Sualehe, Edu Pinheiro, Diogo Nunes, Bas Dost, Elias, Castaignos, Douglas, André, Meli, Beto, Campbell, Markovic, Boubakar Kouyate, Pedro Delgado, Guima, Fidel Escobar, Leonardo Ruiz, Liam Jordan, Bilel, Ricardo Almeida, Nasyrov, Gelson Dala, Ary Papel e Merih Demiral). Foram gastos 28M€. O valor médio por contratação, apesar do valor recorde, baixa para 991m€ devido ao facto de dez serem jogadores emprestados. Entretanto quatro abandonam o plantel ainda em Janeiro, demonstrando mais uma vez o desnorte.

 

Em quatro épocas, quatro «fins de ciclo». Um dos quais com manutenção de treinador.

 

Em quatro épocas quase 68M€ investidos, sem contar com todos os fees de empréstimo e sem contar com comissões. Dos jogadores contratados pela actual Direcção, os que entretanto foram vendidos renderam 51M€, é um facto. Mas é notória a preponderância que Slimani tem nos dois totais – custou 300m€ e foi vendido por 30M€ - e é importante recordar que foi uma segunda opção face ao “roubo” de Ghilas por parte do porto, mas mesmo assim é o maior mérito de Bruno Carvalho. Sem ele, os totais teriam sido (provavelmente) 70M€ em compras e 20M€ em vendas.

 

Em quatro épocas… setenta e três contratações «cirúrgicas»…

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21
Fev17

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Estamos a chegar ao final de uma campanha que é um autêntico case study. Nunca na vida do Sporting se debateu tão pouco o futuro e o presente do Clube e da SAD em detrimento da vida e da personalidade dos candidatos.



Esta forma de fazer campanha é sintomática do estilo aplicado nos últimos anos. Desde 2011 que o Sporting se começou a fraturar internamente. O Sporting é hoje um clube altamente dividido, sem poder e completamente à deriva e à mercê de investidores desconhecidos e dos devaneios de um Presidente que assumidamente dividiu para reinar e construir uma carreira e claro uma carteira.



Mas vamos navegar pelos três universos que vão a votos. Presidente e equipa, Mesa da Assembleia Geral e Conselho Leonino. Se para a presidência a luta começa a ganhar contornos de ser mais disputada que há semanas passadas, as candidaturas para a Mesa e para o Conselho Leonino podem ser uma grande surpresa.



Marta Soares é para uma grande maioria um dos piores Presidentes de sempre, a par com Eduardo Barroso. Ambos bailarinos e bipolares, navegam mediante interesses próprios e até obscuros como foi explicado por Daniel Sampaio numa entrevista que deu há uns anos.



Marta Soares não sabe nem quer saber. Tem uma atitude que roça até o nível saloio e não compreende os estatutos, que curiosamente, é o presidente do órgão que os deveria obrigar a cumprir. O exemplo dos Cadernos Eleitorais é mais um triste episódio num Sporting cheio de dramas e de cenas muito tristes nos últimos anos.



Este é um órgão de grande importância. A candidatura de Rui Morgado pela Lista de Pedro Madeira apresenta-se como uma grande e óbvia alternativa à incapacidade e desnorte de Marta Soares. Aqui a mudança é quase obrigatória.



No Conselho Leonino temos três listas a votos. De enaltecer a Lista que somente vai a votos para este Órgão Consultivo. Sportinguistas anónimos, gente de estádios e pavilhões, gente educada e presente, gente que teve a coragem e acima de tudo, cumprem com o seu dever e obrigação de se fazerem ouvir e de se apresentarem como alternativa. Na minha opinião vão ter um bom resultado, e verdade seja dita merecem.



Por outro lado a Lista da candidatura de Bruno de Carvalho é um filme de terror. O regresso dos “cancros” ao Sporting. Cancros foi o termo utilizado pelo próprio presidente para denegrir Ricciardi e outros antigos dirigentes que agora se apresentam e andam aos abraços por Alvalade. O que hoje é verdade amanhã é mentira, e verdade seja dita, esta lista ao Conselho Leonino é para rir, pois esta gente não merece uma lágrima que seja.


E claro, olhemos para os dois candidatos, Pedro Madeira e Bruno de Carvalho, dois jovens, e o Sporting precisa desta juventude. Bruno de Carvalho teve quatro anos para se adaptar, para aprender, para se enquadrar com a responsabilidade que é ser Presidente de um Clube como o Sporting Clube de Portugal. Mas tarda em perceber e comportar-se como tal. O Clube está fraturado, os adeptos combatem entre si, há ameaças, há processos, há um tom baixo e sem perfil institucional. O Sporting é hoje um Clube gerido ao balcão da taverna, onde tudo se resolve com ataques ao rival Benfica, que para nossa tristeza, vai a caminho de quatro títulos em quatro anos de mandato de Bruno Carvalho. Nas modalidades e no futebol o terror é o mesmo. Muito dinheiro aplicado, e poucos ou nenhuns títulos. O Pavilhão tem mérito de Bruno, mas não podemos esquecer todo o trabalho feito pelas anteriores Direções no processo de resolução de terrenos e licenças com a autarquia. Sem estes processos nada aconteceria. Mas Bruno construiu, está quase pronto, e todos queremos que seja uma casa que muitas alegrias nos ofereça.

 

Pedro Madeira é o challenger destas eleições. Avançou sozinho num momento em que o Sporting estava ainda a lutar para vencer praticamente todas as competições. Sozinho foi conquistando apoios, garantindo votos, tem hoje uma Lista composta por antigos dissidentes de Bruno de Carvalho e de gente que muito deu ao Sporting e ao desporto nas ultimas décadas. Esta é uma Lista que deve ser bem avaliada e bem ponderada. Não é um capricho, é efetivamente um conjunto de Sócios muito válidos e preparados para alterar o rumo do Sporting nos próximos anos.



Pedro Madeira tem vindo a subir na sua confiança e notoriedade entre os Sócios. A poucas horas do Debate, se Pedro Madeira se conseguir afirmar definitivamente perante a plateia Leonina, tudo pode acontecer no dia 4 de Março. Pedro Madeira tem ainda trunfos na manga, como os investidores, sponsors, treinador e diretor desportivo. Ao que se vai ouvindo todos estes nomes serão fortes, e tudo será provado e comprovado de forma efetiva sem show mediático mas sim no sentido de começarem a trabalhar logo no dia 5.



O episódio do despedimento de Jorge Jesus foi mais um ato de coragem do candidato. E uma grande maioria tem esse desejo. E acredito que não será difícil chegar a esse acordo. Jorge Jesus está intimamente ligado a muito do que se passou nos últimos dois anos no departamento de futebol. Esteve nos negócios, nas compras, nas vendas, e isso pode ser o ponto de partida para colocar o lugar à disposição. Jorge Jesus pode ter muitos defeitos mas continuo a acreditar que e um Homem de caráter, do Sporting e que tem todas as qualidades para dar o salto para outro campeonato. Jorge Jesus sairá pelo seu próprio pé, pois perderá a confiança da direção e claro, perderá a confiança de quem realmente tem e deve ter o poder, os Sócios e Adeptos.


O Sporting está numa fase critica. Não é de agora. Mas vivemos atualmente de uma fraqueza enorme para os nossos rivais. Bruno de Carvalho dividiu o Clube, criou um conflito interno para governar. Se Pedro Madeira conseguir aproveitar esta fraqueza sairá vencedor das eleições. Bruno está desgastado, desacreditado, refém de um treinador autista que renega de forma perentória o nosso ADN de clube formador. E claro, o aumento brutal de emissão de VMOC´s, processo tão criticado por Dias Ferreira no passado e que agora evita tocar ou explicar aos Sócios e Adeptos o problema que temos entre mãos. O Clube e a SAD estão no limbo, continuam na mão da banca e de investidores. Os empresários de jogadores não nos consideram, a Federação de Futebol, a Liga de Clubes e a APAF não nos respeitam.



Um Clube orgulhosamente só só pode ter um destino. Ir definhando e desfalecendo sozinho, jogo após jogo, decisão após decisão até ao tombo final, que muito nos irá custar. Reerguer este Clube é uma missão de todos os associados e adeptos, que comece já no dia 4 com um voto de consciência. Basta! O Sporting não é isto.

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editado por Ivaylo a 25/2/17 às 11:27

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Vem o título na sequência do pós-jogo. Saindo das bancadas, nas escadas, nos acessos, nos bares, nas roulottes, nos restaurantes, nos trasnportes, ..., até nos WC... Novos e velhos. Mulheres e homens. Todos de acordo. O Sporting ontem não jogou absolutamente nada!

 

Será uma questão dos soldados? Em duas posições, sim, claramente. Mas sobre os laterais defensivos já tanto se falou que as suas más exibições já se tornaram uma "aceitável normalidade". Quanto aos demais, um dos melhores guarda-redes do Mundo, bons centrais, excelentes médios centro, um furacão na direita e um matador na área. A isto soma-se a tendência crescente de Alan Ruiz e a experiência de Bruno César ou Bryan Ruiz.

 

Sobre a baliza, voltarei no final. Na defesa a aparecer a novidade Paulo Oliveira, mostrando que o Sporting não está refêm da habitual dupla titular e de eventuais oscilações de forma. No meio uns bastante menos inspirados William e Adrien a demonstrarem que, se quem de direito assim o decida, a boa surpresa que foi Paulo Oliveira na defesa poderia ser extensível mais à frente com Palhinha e Francisco Geraldes. Na direita Gélson a mostrar que "é um que não engana", não sabe jogar mal, mesmo em noite menos inpirada consegue compensar com mais trabalho. Bruno César algo apagado, mas algo compreensível quando falamos do jogador que esta época "passeia" entre posições. Alan Ruiz a marcar, mais uma vez. Um jogador claramente em crescendo. Na frente Dost desta vez não marcou, mas sem a bola lhe chegar... só por telecinese.

 

Será uma questão do general? Que dizer quando os tijolos e o betão são de boa qualidade mas a parede cai...? Claramente o que falta a este Sporting (para além dos laterais...) é uma ideia de jogo. Uma! É incompreensível como um treinador que ganha o vencimento de Jorge Jesus não consegue tirar melhor rendimento dos jogadores que tem á sua disposição. O Sporting a nível defensivo causa frequentemente calafrios aos seus adeptos, muito pela actuação dos seus laterais. O Sporting a nível ofensivo não consegue em 90 minutos uma transição de bola pelo meio. Uma! É sofrível! Já se justifica a intenção de despedimento de Pedro Madeira Rodrigues, não por uma questão de "honra", mas por mau desempenho.

 

E que esperar de declarações deste general? O costume... Não só nunca assume o que corre mal, como consegue ainda ter desculpas mirabolantes como «boas equipas são aquelas que ganham sem jogar bem». E eu que pensava que uma boa equipa era aquela que jogava bem e ganhava. Jogos e títulos... Tenho evidentemente de reaprender estes conceitos para me adaptar a esta outra dimensão. Como no Fringe.

 

Aliás, só a Teoria Multidimensional para explicar as assistências anunciadas em Alvalade. Estavam lá mesmo os 40 mil... Só que 5 mil estavam noutra dimensão. Será que nessa dimensão o Sporting jogou melhor? Será que nessa dimensão temos defesas laterais decentes? Não perca o próximo episódio...

 

Termino com a baliza. Obrigado Rui Patrício! 400 vezes obrigado! Obrigado pelos 3 pontos ontem! Obrigado por seres um Leão! Obrigado por nos encheres de orgulho, com o Leão Rampante ou com as Quinas! És Grande!

 

Só lamento ver uma ou outra pessoa, sempre dispostos a aplaudir uma figura secundária como Bruno Carvalho, a pouparem as palmas das mãos nos aplausos ao Rui. Mas sobre estes já falei outro dia. Chega de dar protagonismo a quem não merece qualquer consideração. Chega.

 

Volto ao Rui! Esse sim, merece todo o protagonismo! É com estes Leões que se ganham títulos!

 

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13
Fev17

Saber Sofrer

por Ivaylo

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Ontem, em Moreira de Cónegos, viveu-se mais um final de tarde em que os Sportinguistas tiveram a oportunidade de experimentar forte adrenalina. Há quem tenha de recorrer a Queda Livre ou Bungee Jumping, a nós basta-nos assistir a um jogo de futebol da nossa equipa.

 

Nota-se que a equipa se está a “acomodar” a dois factores, que têm a mesma origem, a redução drástica de objectivos na época em curso e as mexidas na composição do plantel no mês de Janeiro. A origem salta à vista, o péssimo planeamento de um plantel que se pretendia altamente competitivo e se tornou, em vez disso, altamente lesivo… das aspirações dos Sportinguistas.

 

O principal foco dos erros cometidos em Agosto, estranhamente, não teve qualquer correcção em Janeiro. Continuo a interrogar-me como é possível ter-se achado que Marvin e Jefferson “dariam conta do recado”. Continuo a interrogar-me como é possível continuar a “queimar” Bruno César, que poderia ser extremamente útil mais à frente.

 

A acrescer aos erros evitáveis, junta-se agora alguma quebra de rendimento de alguns atletas. Poderá pensar-se que será uma quebra natural, relacionada com demasiados minutos, mas uma observação mais rigorosa evidencia que cada caso tem a sua especificidade. Patrício tem revelado alguma falta de motivação e concentração que já faz parecer que o Europeu foi há uma eternidade, sendo GR não fará grande sentido falar-se em desgaste. Rúben Semedo, aparentemente, tem dificuldade em manter a concentração quando o adversário é mais acessível. William, sim, tem excesso de minutos nas pernas. Bryan, na minha opinião, será um jogador a gerir como no passado se fez com Pedro Barbosa, ou seja, tentar aproveitar da melhor forma a sua classe enquanto as pernas respondem. Todos estes casos têm causas distintas, mas todos têm a mesma solução. Respectivamente: Beto, Paulo Oliveira, Palhinha e Podence (enquanto Campbell não regressa). Fazem parte do plantel, são opções válidas, nada mais natural que um jogador que esteja em menor momento de forma dê o lugar (nem que por um jogo apenas) a outro que também se esforça nos treinos e também tem qualidade.

 

Termino com os destaques positivos. Adrien, o motor, a raça, o Capitão. Alan Ruiz parece finalmente ter encarrilhado e vai confirmando que, pelas suas características, é a melhor opção para o lugar nas costas de Dost, sobretudo pela facilidade de remate e deambulações imprevisíveis. Bas Dost… que avançado! Citando Rogério Casanova do Expresso: «Proponho desde já que se pegue em metade do orçamento disponível para contratações no Verão e se entregue metade ao Wolfsburgo, como sinal de agradecimento.».

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10
Fev17

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No seu programa eleitoral, Pedro Madeira Rodrigues estabeleceu alguns objectivos para o futebol e formação, que iremos discutir em seguida.

 

1) Nova estrutura para o futebol, “aproveitando as melhores práticas mundiais”.


A estrutura do futebol no Sporting é algo que claramente não foi devidamente construído neste mandato que agora está a terminar. Uma estrutura implica em primeiro lugar pessoas competentes e a quem são atribuídas tarefas específicas, boa comunicação e interligação entre as funções realizadas, uma cadeia de comando e responsabilidades devidamente estabelecidas. E obviamente que não é preciso reinventar a roda. O que aconteceu no Sporting neste mandato, foi um primeiro ano equilibrado, com contratações acessíveis e ainda assim com aproveitamento, também potenciadas por um treinador que claramente gosta de trabalhar com jovens e de os fazer evoluir – Leonardo Jardim. Depois passou-se para um formato com Marco Silva, em que este não era responsável em nenhum grau pelas contratações e que tinha de fazer render a equipa com o que Inácio e Bruno de Carvalho tinham escolhido. E finalmente, temos o treinador-estrutura (Jorge Jesus), que decide tudo, não apenas os jogadores a contratar, mas até os elementos da estrutura a escolher (!) como foi o caso de Octávio Machado. Ora este modelo nunca poderá resultar (como dolorosamente estamos a ver) e claramente nunca sobreviveria à saída do treinador. Portanto, tem de se apostar num scouting competente, orientado para posições mal servidas ou para dar alternativas ao plantel, incluindo o mercado nacional e internacional, um treinador que aposte nos jovens, primordial num clube formador por excelência como o nosso, num bom diretor desportivo que saiba fazer a articulação entre a Direcção e o treinador e tenha experiência no meio (a hipótese André Geraldes, elemento próximo do presidente, que foi sugerida para o lugar é simplesmente ridícula) e finalmente uma Comunicação eficiente que proteja os jogadores e o treinador dos ataques ou desestabilizações que possam ocorrer. Portanto há muito para fazer e aqui PMR terá necessariamente de ser mais específico no que entende fazer, porque se a intenção de aproveitar as melhores práticas mundiais é boa, acaba por ser vaga se não se especificarem outros detalhes.

 

2) Rigor nas contratações, “com base num departamento de prospecção que inclui metodologias que acrescentem maior certeza nas avaliações, ao mesmo tempo que prevê a normalização “da relação com os agentes desportivos”.

Tal como referido no ponto anterior, o maior rigor e eficácia das contratações é essencial. Não de pode entrar na loucura de contratar mais de 120 jogadores e depois aproveitar menos de 10%. Mesmo que depois sejam vendidos por valor semelhante ao da aquisição, acaba por se ter prejuízo quer nos ordenados que se têm de pagar, quer no atraso no desenvolvimento de jovens que já existam no plantel. As contratações deste mandato foram na grande maioria, desastrosas. Aqui apenas se continuou o que já é habitual no Sporting, que é o de contratarmos pior que os rivais. É uma das razões do nosso insucesso. Portanto tem de se melhorar o scouting, incluindo no mercado nacional e internacional
e depois articulá-lo com o treinador, em função das carências identificadas para a equipa. Como se vai fazer? Aguardamos também aqui mais detalhes. Em primeiro lugar, tendo gente competente e conhecedora do meio. E não esquecer que o scouting também trabalha em relação estreita com os empresários. Neste aspeto em particular, entra a “normalização com os agentes desportivos” referida por PMR... O Sporting não pode estar de costas voltadas para a maioria dos empresários. Neste mandato, criaram-se incompatibilidades com vários deles. Isto dificulta bastante quer na contratação, quer na colocação de atletas que pretendamos vender ou dispensar. Claro, que terão de ser empresários que estejam dispostos a trabalhar com o Sporting numa base de sinergias e benefícios mútuos.

 

3) Contratos com forte “componente de objetivos” de forma a fomentar a “cultura de vitória e de exigência”.

É uma norma da mais elementar lógica e bom senso. Até se pode pagar um salário generoso, dentro da razoabilidade, a um treinador e aos jogadores, mas os prémios, com base nos resultados/conquistas finais e não por ganhar mais derbies ou praticar bom futebol, têm de ser um aliciante para que se conquistem os troféus. No caso do treinador atual, Jorge Jesus, o salário base é já tremendamente elevado e não estará prevista a possibilidade de o dispensar se os resultados forem maus, como se teme esta época. Isso foi feito e bem com Marco Silva, mas não com este treinador. Por isso mesmo é tão difícil dispensá-lo, embora se coloque o ónus neste candidato, que já afirmou não contar com ele em caso de sair vencedor. É uma opção arriscada e que terá de contar com coerência e anuência do treinador, mas menos compreensível é termos de pagar 20 milhões de euros (!) de indemnização se o treinador sair.

 

4) Limite de 23 jogadores no plantel principal.

Parece um número razoável, para permitir uma competição saudável pela titularidade e ao mesmo tempo enfrentar uma época em várias competições. Aliás Bruno de Carvalho também prometeu isso nas anteriores eleições enquanto candidato e temos 28-29 jogadores a evoluir no plantel principal... uma despesa excessiva e gerando desmotivação em quem não joga repetidamente.

 

5) Equipa B como plataforma de transição.

A equipa B actual do Sporting é uma desilusão. Não apenas pela classificação, em que corremos o sério risco de descida, mas sobretudo pela filosofia que se utilizou para compor o seu plantel. No início e bem, era uma forma de os jovens talentosos dos nossos escalões de formação continuarem a evoluir e competir com regularidade. Agora encontra-se completamente descaracterizada, com jogadores na sua maioria estrangeiros de muito duvidosa qualidade e em que poucos poderão alguma vez jogar na equipa principal. E os resultados estão à vista. Também será importante que os jovens não sejam retidos mais que duas épocas na equipa B. Ou passam para a principal, ou são emprestados a outros clubes, ou simplesmente dispensados. Portanto se quando se refere plataforma de transição, corresponde a este entendimento, estaremos no caminho certo. Mais uma vez, convém ser mais específico sobre o que se pretende.

 

6) Redimensionar a prospecção na formação, aproveitando as Escolas Academia Sporting.

Num clube que se orgulha justamente da sua formação, dos campeões que tem produzido, de ter 2 melhores jogadores do Mundo, é importante continuar a atrair os melhores talentos. Aí e infelizmente, os rivais ganharam também terreno. O Sporting tem sido reconhecido como o clube que dá mais oportunidades aos jovens de um dia virem a actuar na sua equipa principal – por isso é importante que tal não seja alterado, como agora se começa a temer – e isso funciona como atractivo para os jovens tentarem a sua oportunidade no nosso clube. Aproveitar as Escolas Academia Sporting parece uma boa ideia, mas tem de ir um pouco mais além, estando atento aos valores que vão despontando em outras equipas nos campeonatos mais jovens.

 

7) Modelo de treino transversal aos escalões de formação, “de forma a dar identidade permanente ao futebol jovem do clube”.

Faz todo o sentido que isso seja tentado e depois se possível tentar harmonizar esse modelo com a equipa principal. Tal fará mais sentido, se se conseguir fixar um treinador por algumas épocas e sobretudo se este estiver identificado com a filosofia do clube. Infelizmente, a prática tem provado que este objectivo não é fácil de cumprir, nomeadamente quando se tenta também estender à equipa B e principal. Mas pelo menos nos escalões mais jovens é viável e positivo.

 

8) Impor a utilização do equipamento principal tradicional "e travar a banalização e excessiva secundarização do equipamento Stromp, com utilização apenas em ocasiões relevantes".

Neste caso, trata-se de uma medida que não tem a relevância de várias das anteriores, mas que se entende pelo simbolismo do equipamento Stromp. Ainda assim, é um equipamento de que os adeptos gostam e que é sempre bem aceite quando utilizado. Poderão definir-se melhor as ocasiões em que deve ser escolhido, mas neste particular não parece que tenha sido banalizado durante o actual mandato.

 

Este foi o balanço possível das medidas e intenções do candidato PMR nesta área tão importante para os sportinguistas como é o futebol e formação, mas em que os títulos e vitórias continuam arredios. Deseja-se que o candidato possa entrar em mais detalhes com o evoluir da campanha, para que os sócios possam saber de que forma irá implementar algumas das medidas enunciadas.

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editado por Ivaylo a 25/2/17 às 11:47



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