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O Sporting é a paixão que nos inspira. Não confundimos competência com cultos de personalidade. 110 anos de história de um clube que resiste a tudo e que merece o melhor e os melhores de todos nós. Sporting Sempre

16
Fev17

O dia 5 de Março

por Krassimir

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No próximo dia 5 de Março será conhecido o nome do próximo presidente do Sporting Clube de Portugal, após o acto eleitoral realizado na véspera.

Há duas possibilidades, o actual presidente Bruno de Carvalho (BdC) que tenta a reeleição e um candidato que protagoniza uma lista alternativa, Pedro Madeira Rodrigues (PMR). No caso da eleição para o Conselho Leonino, vai ainda a votos uma outra candidatura independente.

Neste momento existirão várias dúvidas… em primeiro lugar e como é óbvio, quem vence (embora o favoritismo recaia em Bruno de Carvalho) e depois qual a amplitude da vitória – ganhar 60/40% não quererá dizer o mesmo que 90/10%, por exemplo.

Há contudo uma outra “lista” a sufrágio no dia 4 de Março… será o número de votos em branco. Neste grupo estarão incluídos aqueles que estão desiludidos com BdC ou então que nunca o apoiaram, mas também aqueles que não foram seduzidos pelas propostas do único candidato que, mesmo assim, teve coragem para avançar, Pedro Madeira Rodrigues.

É por isso fundamental que o maior número de pessoas vá votar, seja qual for a sua opção, mesmo que pense votar em branco. É importante que isto aconteça, pois o que ocorre mais frequentemente, quando não se acredita em nenhum dos candidatos, é ficar em casa. Esta opção, ao contrário das restantes, não será contabilizada. Em boa verdade, é mesmo lícito dizer-se que não conta para nada, não manifestando repúdio nem aprovação, apenas alheamento. Só se o maior número possível de sócios for votar, o universo sportinguista estará devidamente representado na eleição.

E também é bom que se interiorize que os votos em branco se podem rapidamente vir a integrar num outro candidato que possa surgir no futuro. Serão de qualquer forma uma advertência ruidosa à actual Direcção, mesmo que seja reeleita ou então, no caso de PMR ser eleito, a necessidade de ser mais específico e consequente no seu mandato do que o tem sido na forma como anuncia as suas propostas. Um estímulo, se tiverem bom senso e humildade para o perceber, para que se corrijam muitos dos erros cometidos nesta trajectória de 4 anos e que se agravaram bastante na parte final deste mandato.

Voltando ao dia 5 de Março, o que é expectável, mas não de todo desejável, será o foguetório dos apoiantes do candidato vencedor (se for o actual presidente existe já um triste histórico nesse sentido, de sócios que insultam e desafiam outros, mesmo depois de vitórias contra equipas como o Moreirense) como se tivessem sido campeões nacionais, ao mesmo tempo que provocam os outros sportinguistas que não se revêem nessa candidatura.

Pois nesse dia 5 de Março e convém não o esquecer, estaremos a pouco mais de dois meses do final de uma época frustrante. Uma época em que, apesar do maior investimento de sempre em jogadores (contabilizando também os salários), com um treinador que recebe várias vezes mais do que o anteriormente mais bem pago, não seremos campeões nacionais, não conseguiremos quase de certeza o apuramento directo para a Campions League, não venceremos nem a Taça de Portugal nem a Taça da Liga, em que temos a equipa B a lutar para não descer de divisão e eventualmente se extinguir e em que, nas principais modalidades colectivas, teremos muitas dificuldades em ser campeões, com a excepção provável do futsal. E estaremos na antecâmara de uma próxima época difícil, com poucos recursos disponíveis para o reforço da equipa de futebol (facto que se agravará se não formos à Champions), com a necessidade de apostar na Formação, tendo um treinador que prefere ir buscar carradas de estrangeiros que depois se revelam flops e sem a possibilidade de mudar de treinador por decisão da Direcção (apenas por iniciativa do próprio, dificultada pelo contrato principesco de que desfruta).

Será pois um dia de reflexão e de trabalho mais do que de triunfalismos. Um dia de pensar em trabalhar melhor e de parar com a conversa oca. A verdade é que cada um reagirá como entender. Isso faz parte da democracia e é natural. Ainda assim, seria desejável que cada vez mais parassem os fanatismos, insultos e perseguições. Quanto à união entre os sportinguistas, essa chegará certamente quando finalmente as vitórias se tornarem uma realidade objectiva e concretizada e não apenas propagandeada e inconsequente como infelizmente tem sucedido há vários anos e que em que este mandato não constituiu excepção.

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editado por Ivaylo a 25/2/17 às 11:39

Seguindo o que os meus colegas escribas já fizeram para outras áreas do programa, segue uma análise de cada ponto do programa de Pedro Madeira Rodrigues relativo aos sócios. Para evitar redundâncias (num ponto onde estas abundam), devo começar por ressalvar que quase todas as medidas propostas pecam por ser excessivamente esquemáticas e carecem (desesperadamente) de um maior aprofundamento. Não se entende como tal ainda não foi feito. Só que isto seriam conversas para outras núpcias… Por outro lado, fruto desta falta de informação, por ora não vejo que mais vantagens me traria a associação ao Clube (descontos, promoções, facilidades, etc).

 

Cumpre também dizer que, não obstante as discrepâncias entre o número actual de sócios de que se ufana a Direcção de Bruno de Carvalho e os efectivamente pagantes, se trabalhou bastante bem neste aspecto ao longo deste mandato, com iniciativas como o Sócio num Minuto ou o Regresso num Minuto.

 

  1. “Reintroduzir o provedor do sócio, em paralelo com o OLA, com funções definidas de ponte entre o sócio e os serviços, obedecendo a livro de regras e de respostas” – Parece-me uma medida interessante; faz jus à ideia de que os sócios são o maior património do Clube, merecendo um tratamento diferenciado que a actual linha de informação não consegue providenciar em tempo útil. No entanto, a figura do provedor do sócio deveria ser integrada num organograma funcional mais vasto e com funções mais claramente definidas. Se o OLA é o responsável pela articulação com os núcleos e, no tempo de João Rocha, na composição dos inesquecíveis comboios verdes, que fará o provedor do sócio? Tratará individualmente dos problemas de cada associado?! Terá uma equipa ao seu dispor para dar vazão à comunicação clube-associado? Far-se-á ouvir através de que canais? Estará em permanência na Loja Verde? Inaugurar-se-á um gabinete presencial de apoio ao sócio? Exigem-se mais esclarecimentos neste ponto. Só dúvidas me assistem aqui…
  2. “Propor a criação da figura do sócio-filho. Um agregado familiar com pelo menos dois sócios efectivos de escalão A poderá ver os seus descendentes directos isentos de quota até aos 14 anos” – É uma medida que atrairá, em teoria, mais associados, estimulando a omnipresença do Sporting no quotidiano das crianças desde tenra idade, indispensável à difusão do sportinguismo e seus valores e à renovação geracional prioritária num clube centenário. No entanto, do ponto de vista das receitas, isentar os “sócios-filho” de quotas até aos 14 anos privaria o Clube de bastantes anos de quotizações. Parece-me que o sistema da Direcção actual, com as categorias “Infantil” (0-11 anos inclusive, com quotas mensais na ordem dos 3 euros), a “Juvenil” (12-17 anos inclusive, com quotas mensais na ordem dos 4 euros) e a “B” (com quotas de 6 euros mensais) parecem relativamente comportáveis para um agregado familiar de classe média, não defraudando o Clube do valor das quotizações… Parece-me uma medida desnecessária.
  3. “Propor a criação da figura do sócio-núcleo, partilhando o valor da quotização com estes e tornando-os uma verdadeira delegação do clube numa óptica de descentralização com maior capacidade funcional, nomeadamente ao nível da bilhética” – Já simpatizo mais com esta medida. Creio que apenas o Solar do Norte tem capacidade de vender bilhetes fora de Lisboa. Um pioneiro desta vertente descentralizadora que, à semelhança da criação da Academia no norte do país, me parece ser uma das marcas desta candidatura. Ainda assim, seria talvez mais eficaz dotar os núcleos de maior autonomia funcional e não tanto a figura do próprio associado… Qualquer membro de um determinado núcleo teria, por inerência, os benefícios que essa maior autonomia conferiria… Institucionalizar tal sob um “sócio-núcleo” é, de novo, uma redundância.
  4. “Propor a criação da figura do sócio-claque, permitindo aos membros das claques um desconto na quotização até aos 21 anos” – Que desconto? Em que consistiria este desconto? Devo relembrar que a Direcção de Bruno de Carvalho instituiu (e muito bem) a obrigatoriedade de se ser sócio do Clube e da claque para se poderem usufruir das regalias inerentes aos grupos organizados (e legalizados) de adeptos. Mais uma medida redundante…
  5. “Propor a criação da figura do sócio-internacional, permitindo uma maior ligação ao clube do número cada vez mais elevado de sportinguistas que vivem fora de Portugal” – Óptima intenção. Mas peca por confusa. Sócios-internacionais serão sócios portugueses emigrados no estrangeiro? Ou sócios estrangeiros? E que tal uma política de expansão internacional da Marca Sporting que cativasse a simpatia de cidadãos estrangeiros? E que tal a já referida dotação de autonomia aos grupos de apoio ao Sporting no estrangeiro, estimulando maior interacção social com a realidade do país em causa? Não se percebe a medida…
  6. “Explorar a possibilidade de introdução do voto electrónico nos núcleos, salvaguardando a total fiabilidade dos sistemas” – Aqui sim! Uma medida de autonomização das funções aos núcleos. Escapa ao paradigma de confusão e redundância que caracterizam este ponto em larga escala…
  7. “Realizar com maior regularidade treinos abertos aos sócios da equipa principal de futebol em Alvalade” – Redundante! Durante este (e outros) mandatos fizeram-se vários treinos abertos, sempre muito participados, onde o sportinguismo e o entusiasmo prevaleceram. Destaco sobretudo os treinos solidários de Natal, onde fiz sempre questão de ir com muito gosto.
  8. “Fundir a Fundação Sporting e a Leões de Portugal – Associação de Solidariedade Sportinguista para ganhar massa crítica e aumentar eficácia.” – Seria uma medida concentracionária e optimizadora, de facto: agregaria sinergias de duas instituições especializadas, desde há muitos anos, em iniciativas de carácter solidário. Resta saber qual seria o desenho institucional final e como se procederiam às negociações na prática concreta.

O problema central que identifico neste ponto, para lá da redundância e da falta de informação, é a confusão tremenda que existe entre a política de núcleos, a relação com os associados e a expansão da Marca. Tem de se fazer uma separação clara. Tem de se saber que profissionais de prestígio assumiriam a condução destas pastas, tão vitais à manutenção do Clube. Em suma, informação precisa-se!

PS: Existindo um Núcleo de Sportinguistas da Califórnia (foto infra), de que se está à espera para trabalhar seriamente esta vertente?

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editado por Ivaylo a 25/2/17 às 11:46

10
Fev17

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No seu programa eleitoral, Pedro Madeira Rodrigues estabeleceu alguns objectivos para o futebol e formação, que iremos discutir em seguida.

 

1) Nova estrutura para o futebol, “aproveitando as melhores práticas mundiais”.


A estrutura do futebol no Sporting é algo que claramente não foi devidamente construído neste mandato que agora está a terminar. Uma estrutura implica em primeiro lugar pessoas competentes e a quem são atribuídas tarefas específicas, boa comunicação e interligação entre as funções realizadas, uma cadeia de comando e responsabilidades devidamente estabelecidas. E obviamente que não é preciso reinventar a roda. O que aconteceu no Sporting neste mandato, foi um primeiro ano equilibrado, com contratações acessíveis e ainda assim com aproveitamento, também potenciadas por um treinador que claramente gosta de trabalhar com jovens e de os fazer evoluir – Leonardo Jardim. Depois passou-se para um formato com Marco Silva, em que este não era responsável em nenhum grau pelas contratações e que tinha de fazer render a equipa com o que Inácio e Bruno de Carvalho tinham escolhido. E finalmente, temos o treinador-estrutura (Jorge Jesus), que decide tudo, não apenas os jogadores a contratar, mas até os elementos da estrutura a escolher (!) como foi o caso de Octávio Machado. Ora este modelo nunca poderá resultar (como dolorosamente estamos a ver) e claramente nunca sobreviveria à saída do treinador. Portanto, tem de se apostar num scouting competente, orientado para posições mal servidas ou para dar alternativas ao plantel, incluindo o mercado nacional e internacional, um treinador que aposte nos jovens, primordial num clube formador por excelência como o nosso, num bom diretor desportivo que saiba fazer a articulação entre a Direcção e o treinador e tenha experiência no meio (a hipótese André Geraldes, elemento próximo do presidente, que foi sugerida para o lugar é simplesmente ridícula) e finalmente uma Comunicação eficiente que proteja os jogadores e o treinador dos ataques ou desestabilizações que possam ocorrer. Portanto há muito para fazer e aqui PMR terá necessariamente de ser mais específico no que entende fazer, porque se a intenção de aproveitar as melhores práticas mundiais é boa, acaba por ser vaga se não se especificarem outros detalhes.

 

2) Rigor nas contratações, “com base num departamento de prospecção que inclui metodologias que acrescentem maior certeza nas avaliações, ao mesmo tempo que prevê a normalização “da relação com os agentes desportivos”.

Tal como referido no ponto anterior, o maior rigor e eficácia das contratações é essencial. Não de pode entrar na loucura de contratar mais de 120 jogadores e depois aproveitar menos de 10%. Mesmo que depois sejam vendidos por valor semelhante ao da aquisição, acaba por se ter prejuízo quer nos ordenados que se têm de pagar, quer no atraso no desenvolvimento de jovens que já existam no plantel. As contratações deste mandato foram na grande maioria, desastrosas. Aqui apenas se continuou o que já é habitual no Sporting, que é o de contratarmos pior que os rivais. É uma das razões do nosso insucesso. Portanto tem de se melhorar o scouting, incluindo no mercado nacional e internacional
e depois articulá-lo com o treinador, em função das carências identificadas para a equipa. Como se vai fazer? Aguardamos também aqui mais detalhes. Em primeiro lugar, tendo gente competente e conhecedora do meio. E não esquecer que o scouting também trabalha em relação estreita com os empresários. Neste aspeto em particular, entra a “normalização com os agentes desportivos” referida por PMR... O Sporting não pode estar de costas voltadas para a maioria dos empresários. Neste mandato, criaram-se incompatibilidades com vários deles. Isto dificulta bastante quer na contratação, quer na colocação de atletas que pretendamos vender ou dispensar. Claro, que terão de ser empresários que estejam dispostos a trabalhar com o Sporting numa base de sinergias e benefícios mútuos.

 

3) Contratos com forte “componente de objetivos” de forma a fomentar a “cultura de vitória e de exigência”.

É uma norma da mais elementar lógica e bom senso. Até se pode pagar um salário generoso, dentro da razoabilidade, a um treinador e aos jogadores, mas os prémios, com base nos resultados/conquistas finais e não por ganhar mais derbies ou praticar bom futebol, têm de ser um aliciante para que se conquistem os troféus. No caso do treinador atual, Jorge Jesus, o salário base é já tremendamente elevado e não estará prevista a possibilidade de o dispensar se os resultados forem maus, como se teme esta época. Isso foi feito e bem com Marco Silva, mas não com este treinador. Por isso mesmo é tão difícil dispensá-lo, embora se coloque o ónus neste candidato, que já afirmou não contar com ele em caso de sair vencedor. É uma opção arriscada e que terá de contar com coerência e anuência do treinador, mas menos compreensível é termos de pagar 20 milhões de euros (!) de indemnização se o treinador sair.

 

4) Limite de 23 jogadores no plantel principal.

Parece um número razoável, para permitir uma competição saudável pela titularidade e ao mesmo tempo enfrentar uma época em várias competições. Aliás Bruno de Carvalho também prometeu isso nas anteriores eleições enquanto candidato e temos 28-29 jogadores a evoluir no plantel principal... uma despesa excessiva e gerando desmotivação em quem não joga repetidamente.

 

5) Equipa B como plataforma de transição.

A equipa B actual do Sporting é uma desilusão. Não apenas pela classificação, em que corremos o sério risco de descida, mas sobretudo pela filosofia que se utilizou para compor o seu plantel. No início e bem, era uma forma de os jovens talentosos dos nossos escalões de formação continuarem a evoluir e competir com regularidade. Agora encontra-se completamente descaracterizada, com jogadores na sua maioria estrangeiros de muito duvidosa qualidade e em que poucos poderão alguma vez jogar na equipa principal. E os resultados estão à vista. Também será importante que os jovens não sejam retidos mais que duas épocas na equipa B. Ou passam para a principal, ou são emprestados a outros clubes, ou simplesmente dispensados. Portanto se quando se refere plataforma de transição, corresponde a este entendimento, estaremos no caminho certo. Mais uma vez, convém ser mais específico sobre o que se pretende.

 

6) Redimensionar a prospecção na formação, aproveitando as Escolas Academia Sporting.

Num clube que se orgulha justamente da sua formação, dos campeões que tem produzido, de ter 2 melhores jogadores do Mundo, é importante continuar a atrair os melhores talentos. Aí e infelizmente, os rivais ganharam também terreno. O Sporting tem sido reconhecido como o clube que dá mais oportunidades aos jovens de um dia virem a actuar na sua equipa principal – por isso é importante que tal não seja alterado, como agora se começa a temer – e isso funciona como atractivo para os jovens tentarem a sua oportunidade no nosso clube. Aproveitar as Escolas Academia Sporting parece uma boa ideia, mas tem de ir um pouco mais além, estando atento aos valores que vão despontando em outras equipas nos campeonatos mais jovens.

 

7) Modelo de treino transversal aos escalões de formação, “de forma a dar identidade permanente ao futebol jovem do clube”.

Faz todo o sentido que isso seja tentado e depois se possível tentar harmonizar esse modelo com a equipa principal. Tal fará mais sentido, se se conseguir fixar um treinador por algumas épocas e sobretudo se este estiver identificado com a filosofia do clube. Infelizmente, a prática tem provado que este objectivo não é fácil de cumprir, nomeadamente quando se tenta também estender à equipa B e principal. Mas pelo menos nos escalões mais jovens é viável e positivo.

 

8) Impor a utilização do equipamento principal tradicional "e travar a banalização e excessiva secundarização do equipamento Stromp, com utilização apenas em ocasiões relevantes".

Neste caso, trata-se de uma medida que não tem a relevância de várias das anteriores, mas que se entende pelo simbolismo do equipamento Stromp. Ainda assim, é um equipamento de que os adeptos gostam e que é sempre bem aceite quando utilizado. Poderão definir-se melhor as ocasiões em que deve ser escolhido, mas neste particular não parece que tenha sido banalizado durante o actual mandato.

 

Este foi o balanço possível das medidas e intenções do candidato PMR nesta área tão importante para os sportinguistas como é o futebol e formação, mas em que os títulos e vitórias continuam arredios. Deseja-se que o candidato possa entrar em mais detalhes com o evoluir da campanha, para que os sócios possam saber de que forma irá implementar algumas das medidas enunciadas.

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editado por Ivaylo a 25/2/17 às 11:47

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Continuando a análise do programa de Pedro Madeira Rodrigues, após termos abordado Liderança e Valores, Finanças e Marketing e Comunicação, chega agora a vez de olhar para as propostas na área de Universo Desportivo.

 

1. Garantir uma maior participação institucional activa do Sporting nos principais orgãos de decisão do desporto em Portugal.

 

Fundamental! Imperativo! O Sporting Clube de Portugal está há décadas afastado dos lugares de decisão, no futebol pelo menos. Federação Portuguesa de Futebol e Liga de Clubes. Poderemos também considerar o Conselho de Arbitragem e o Conselho de Disciplina, no entanto estes são eleitos no seio das anteriores, além que são orgãos dos quais os clubes devem manter alguma "distância".

 

Já assistimos no mandato de n presidentes do Sporting, há décadas, a dois factos ocorrerem com alguma frequência. O Sporting é prejudicado pelas arbitragens, primeiro facto. O Sporting limita-se à "queixa mediática" e algumas acções de protesto inócuas, o outro facto. Saúda-se a intenção de mudar este status quo! Fernando Gomes estará para durar na FPF, mas é obrigatório o Sporting apresentar uma lista própria à Liga. Rogério Alves, estando disponível, seria uma excelente escolha.

 

2. Marcar a agenda do desportivismo em Portugal, defendendo sempre os interesses do Sporting, estabelecendo pontes em assuntos comuns, mas sem fazer alianças de qualquer espécie.

 

Para garantir uma candidatura forte à Liga é de extrema importância estabelecer pontes com outros clubes. Concordo com a questão de não fazer alianças, mas apenas em relação aos rivais históricos. O Sporting dificilmente saíria prejudicado de uma aliaça com um clube que tem objectivos competitivos menos ambiciosos. Poderiam essas alianças ser úteis até noutros aspectos, como a colocação de atletas por empréstimo. Para além disto, limito-me a citar Madre Teresa de Calcutá.

 

3. Promover a exposição e militância de sportinguistas mais influentes na nossa sociedade, através da partilha transparente de informação e permante networking.

 

Aqui, basicamente, Madeira Rodrigues propõe a criação de um "lobby Sporting". Absolutamente nada contra, desde que se respeite o princípio de transparência. De salientar que os lobbys têm uma visão menos positiva em Portugal sobretudo pela sua não regulação. Nos Estados Unidos são legais e regulamentados e encarados como normais.

 

4. Promover a cultura sportinguista com o programa "Sporting nas escolas" liderado pela Fundação Sporting / Leões de Portugal, com a participação de embaixadores do nosso clube que visitarão escolas de todo o país (envolvendo núcleos, delegações e filiais) para passar o conhecimento do clube e dos valores de desportivismo.

 

Uma boa ideia. Pela base da mesma, fomentar a cultura do Sporting, mas também pela oportunidade de reforço de interacção entre a "cabeça" (Clube) e os "braços" (Núcleos). Além de que... a criança feliz de hoje poderá ser o sócio de amanhã.

 

5. Criar condições para a melhoria da competitividade do futebol Português, procurando propor alterações dos quadros fiscais em que os clubes e atletas se inserem, junto das entidades competetentes e exercendo as influências legítimas para que as mesmas se tornem realidade. Propor alterações ao nível da fiscalidade para garantir condições mais equilibradas de atracção de jogadores em comparação com outros mercados. Propor melhorias ao nível de jogo: últimos 10 minutos com o relógio a parar.

 

Uma boa intenção, mas que dificilmente passará disso. É um facto que, desde que foi revisto o regime de IRS dos futebolistas em Portugal, perdemos competitividade com outras Ligas, já de si mais competitivas a priori por terem maior capacidade de investimento. No entanto, ainda para mais com o actual Governo suportado em maioria parlamentar com comunistas e bloquistas, sabemos todos que será impossível na actualidade rever esse regime. Mesmo com qualquer outro Governo, nenhum Partido quererá atrair para sí o ónus da "menor justiça fiscal" depois das dificuldadaes que o país atravessou e atravessa.

 

Quanto aos últimos 10 minutos... Implica que o International Board altere as regras do futebol... Além que, porque não o jogo todo, porquê só 10 minutos? Um momento de boa disposição no Programa...

 

6. Incentivar alterações ao nível da arbitragem em Portugal, nomeadamente a reintroduição do sorteio de árbitros.

 

Apenas possível com o Sporting nos lugares de decisão referidos na primeira proposta. Enquanto vigorou o regime de sorteio o Sporting venceu 2 campeonatos em 3...

 

7. Sensibilizar e defender junto das entidades responsáveis pela marcação dos horários dos jogos da equipa principal de futebol, que estes tenham em consideração os sócios e adeptos que vivam longe de Lisboa.

 

Estas questões não se sensibilizam, negoceiam-se. Quem decide os horários, basicamente, é quem tem os direitos televisivos. Direitos esses que os clubes cedem, e negoceiam para os ceder. É esse o momento de abordar a questão.

 

8. Dinamizar programas de apoio à colocação no mercado de trabalho de ex-desportistas.

 

Uma muito boa intenção. Não obstante, deveria ser o Sindicato de Jogadores a avançar com a mesma, visto enquadrar-se mais com as suas competências. Mas claro que o Sporting deve colaborar! A esmagadora maioria das pessoas avalia a qualidade de vida dos desportistas em geral pelo gold standard, as "vedetas". Nem todos os desportistas são milionários, longe disso, e muitos sacrificaram outras carreiras pelo desporto. Saudável ideia, enquadrada no que são os valores do Sporting Clube de Portugal.

 

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Depois de ter olhado para as propostas na área financeira, são agora as propostas em matérias de marketing e comunicação o alvo de análise. Uma área, conforme já referido, em que os clubes hoje em dia devem apostar, em complementaridade ao core business, numa perspectiva de criar receitas adicionais.

 

1. Estudar e explorar formas de aproveitameno do património edificado que contribuam para a sua rentabilização nomeadamente, cobertura, videoscreens dentro e ao redor do Estádio, optimizando o aproveitamento das estruturas existentes.

 

Por património edificado, não contando com o Pavilhão prestes a ser concluído, estamos a falar do Estádio e da Academia. No caso do primeiro a experiência do dia de jogo, na Academia podemos também considerar a "micro-experiência" do dia-a-dia de treino que tenha acesso público. Conforme dito no texto do link acima, duas experiências que carecem de enormes melhorias e que têm um enorme potencial para o Sporting e parceiros. Aguardam-se medidas concretas que visem os objectivos propostos.

 

2. Alargar a rede de Lojas Verde, aproveitando o cada vez maior potencial turístico do nosso país.

 

Uma medida positiva e que tinha também merecido destaque no link acima.

 

3. Garantir, cumprindo os estatutos, o naming do Estádio, Academia e Pavilhão.

 

Conforme também já adiantado no link acima, essa tinha sido já uma promessa de Bruno Carvalho ainda por cumprir e agora "reprometida". Conforme indicado na proposta do candidato, qualquer passo neste sentido tem de ser aprovado em Assembleia Geral. Estranho, portanto, como promete «garantir» algo que não depende só da sua decisão... Em relação ao Estádio e Pavilhão, pessoalmente, acho que os nomes estão bem entregues. José de Alvalade e João Rocha são duas figuras tão incontornáveis no Clube, que revogar os seus nomes seria uma machadada na História do Sporting. Quanto à Academia, só peca por tardio. Mas, há que admitir que a proposta não vai longe o suficiente, existem ainda duas bancadas de Alvalade (lá está, como pensar noutro nome...?) com naming por aproveitar.

 

4. Criar uma fan zone junto ao relvado que permita que associados sorteados possam ter acesso directo aos jogadores.

 

Uma medida simpática. Geradora de valor na relação clube-sócio. Por esse motivo, talvez fizesse mais sentido ter sido incluída nesse grupo de propostas.

 

5. Distribuir gratuitamente o Jornal do clube por meio electrónico a todos os sócios com as quotas em dia.

 

Mais uma medida "simpática". Ao contrário da anterior, acarreta custos. Não o custo directo de execução – pouco significativo – mas o custo indirecto da potencial quebra de receitas no canal tradidional, o papel. Essa quebra de receitas poderia colocar em causa a sustentabilidade da essência do Jornal. Assim, não haveria depois nada para distribuir por meio electrónico... Para preservar a essência da proposta, tentando minimizar a "canibalização" entre canais, deveria ser cobrada uma anuidade de, por exemplo, 10% da anuidade da assinatura do jornal em papel.

 

6. Melhorar a SportingTV com a introdução de novos conteúdos e com transmissão em área reservada no site, na área de sócio dos directos relevantes.

 

Quanto à SportingTV, inteiramente de acordo, pode ser ainda muito potenciada, não só em conteúdos como em fonte de receita com publicidade. Uma coisa, de resto, leva à outra... Quais os conteúdos em mente? Quanto à segunda parte, desde que os directos relevantes sejam os mesmos para os quais já temos licença de transmissão na SportingTV, óptimo! Mas, site... só? Quantas pessoas hoje em dia "consomem" através de um PC e quantas através do telemóvel/tablet? Para quando uma app Sporting, a sério?

 

7. Dinamizar a proximidade de sócios às figuras do clube, aproveitando o site e as plataformas de comunicação organizando, entre outros, live chats regulares.

 

Inteiramente de acordo. Não só numa perspectiva "unilateral", ou seja, sendo o Clube a tomar a exclusiva iniciativa do evento, mas também em colaboração com iniciativas já em marcha. Aqui, destaco claramente o #Sporting160. Pode o Sporting colaborar activamente tornando-as ainda mais interessantes.

 

8. Reforçar a internacionalização da marca Sporting, nomeadamente com a criação de novas Escolas Academias Sporting, com especial ênfase nos PALOPs.

 

Sem dúvida uma prioridade. Não só do Sporting, como de Portugal. Não obstante, não se trata tanto de uma proposta do candidato, pois já é tarefa em marcha há mais de um presidente, sendo mais dar continuidade ao trabalho já desenvolvindo. Há que perseguir mais parcerias locais para repartir custos.

 

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07
Fev17

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Hoje, dia 7 de Fevereiro de 2017, o Sporting vai para quase quinze anos sem vencer um campeonato, com poucos títulos internos nestes anos passados, com eternos problemas internos de liderança, com problemas financeiros, com erros graves de gestão, com tantas asneiras que se abriu a possibilidade a um ilustre desconhecido tomar o poder.

Bruno de Carvalho está no seu quarto ano de mandato. E tudo continua na mesma, ou numa visão financeira, pior. Estamos mais dependentes de terceiros, temos menos percentagem da nossa SAD, o nosso passivo aumenta a olhos vistos, o investimento é cada vez maior e o retorno, seja ele em vendas seja em títulos é praticamente nulo.

Ora, não é necessário tirar um curso de gestão ou um MBA para entender que de onde se tira e não se coloca, algum dia irá faltar, e não existirá onde ir buscar para tapar o buraco.

Hoje, dia 7 de Fevereiro de 2017, a menos de um mês das eleições no Sporting, dois candidatos pouco esclarecem e nada apresentam de soluções.

Não há uma única proposta de rutura. E no caso da Candidatura de Bruno de Carvalho, é ainda mais assustador assistir ao regresso de figuras do passado recente tão violentamente criticados pelo atual Presidente. Eram “estes” o “cancro” do Sporting. Pois bem, como é hábito, as metástases espalham-se e dificilmente conseguem ser eliminadas. E neste caso até se abraçam com a “cura”, apesar de o problema continuar bem visível e a alastrar abruptamente por todo o universo Sporting.

Ora avaliando o estado do Clube, olhando para os péssimos resultados desportivos, para os miseráveis resultados financeiros, para o estado da nossa Formação, para o tom e a forma como Bruno de Carvalho lidera, a questão que se coloca é: Porque desistiu Mário Patrício? Porque não avançou já Benedito? Ganhariam estas eleições, e não sou eu que o digo, é a bancada leonina que não quer Bruno de Carvalho.

Quando olhamos para a Comissão de Honra de Bruno de Carvalho, e conhecendo nós os apoiantes dos Candidatos a Candidatos que nunca o foram e desistiram, começo a ter a certeza que há uma estratégia na sombra, ou melhor, e ao estilo Hollywood, uma golpada.

Ora vejamos, Ricciardi está sempre com quem está no poder. Hoje gosta do Bruno, amanhã tratará de o dizimar. Isso é uma certeza como a fome. Pedro Baltazar quer o poder, Froes quer o poder, Mário Patrício quer o poder, Godinho quer a sua “vendetta”, entre tantos outros ilustres, onde se poderá encontrar Alvaro Sobrinho e Mosquito, grandes “amigos” dos cofres verdes e brancos.

Bruno de Carvalho está a ser dizimado por dentro. A esta equipa apresentada falta somente Carlos Barbosa e Nobre Guedes para se afirmar o passado recente que Bruno prometeu “limpar”. Pois bem, que maior afirmação de fracasso que se ver obrigado a “readmitir” toda esta gente? E que maior afirmação de liderança marioneta que tudo isto?

Bruno não será vencido na urna, cairá sozinho, em desgraça, acabando com um falso mito. E merece cair assim. Um vendedor de banha da cobra que engana, processa, insulta os Sócios que lhe pagam o ordenado e lhe permitem viajar e passear em família e com namoradas por este mundo fora.

Bruno auto-injetou-se com o vírus. A cura não existe. Querem destruí-lo. Mas quem deixou a ferida exposta foi o próprio Bruno. E não se preocupou nunca em cura-la, mas sim em alastrar o fosso e a promover uma divisão e uma guerrilha que nunca poderia ganhar.

Bruno é um pobre diabo. Sem credibilidade perante a banca, sem credibilidade perante as empresas, sem voz nem poder em lado algum. E na sua ignorância e redução à realidade, não é de espantar preferir o banco à bancada presidencial. Pois no banco junto ao relvado está ao seu nível, na cadeira dos negócios é um pobre rapaz, sem propósitos e sem capacidade de envolvimento e visão.

Bruno acabou. Tem os dias contados. E uma vez mais, quem pagará tudo isto é o Sporting.

Mantenham-se atentos, pois o golpe está em marcha, e a perda da SAD é cada vez mais uma realidade.

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editado por Ivaylo a 25/2/17 às 11:51

01
Fev17

My Own Worst Enemy

por Ivaylo

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No dia 30, um dia antes do encerramento do mercado de Inverno em Portugal, o presidente do Sporting Bruno Carvalho faz uns momentos de pausa (legítimos… é um período tranquilo…) e dá a voz ao candidato Bruno Carvalho para acusar o candidato Madeira Rodrigues de destabilizar a equipa.

 

Sobre Madeira Rodrigues, efectivamente ao anunciar a sua candidatura à presidência garantiu que não iria falar sobre a equipa de futebol no decorrer da campanha. Não cumpriu. Ter-lhe-ia ficado bem essa coerência, assim como lhe ficaria muito bem esquecer de uma vez por todas a utopia de despedir Jorge Jesus. Uma coisa é certa, cometer estes erros incoerentes na campanha é bem menos grave do que cometê-los em exercício de funções.

 

No que diz respeito às acusações proferidas por Bruno Carvalho, há que lhe reconhecer muita razão! É evidente que existe alguma desestabilização no futebol leonino, evidentemente tendo como causa Madeira Rodrigues.

 

Porquê? Simples…

 

Foi Madeira Rodrigues que dotou o Sporting de uma estrutura de futebol, corporizada em Jesus e Octávio, que deixa o plantel impermeável a qualquer brisa de contrariedade.

 

Foi Madeira Rodrigues que, em empolgação eleitoralista, decidiu ter esta época o maior orçamento de toda a História do futebol do Sporting Clube de Portugal.

 

Foi Madeira Rodrigues que, em alinhamento com o treinador, decidiu que os defesas laterais que transitaram da última época seriam suficientes em termos qualitativos para atacar 4 provas (com legítimas pretensões de vencer 3).

 

Foi Madeira Rodrigues que tomou a decisão estratégica de, para dotar o plantel de experiência, optar por ceder jogadores provenientes da Formação em empréstimos e, para os seus lugares recrutar jogadores que foram/são uma clara mais-valia para o plantel. Douglas, Petrovic, Elias, Meli, André, Castaignos são exemplos.

 

Foi Madeira Rodrigues que, emotivamente em reacção ao desvio de Carrillo para o Colombo, decide responder “à altura”, “desviando” Markovic de Anfield para Alvalade. «Pelo menos não custou um cêntimo»..., excepto o fee de empréstimo de 1,5M€ aos quais acresceram uma comparticipação mensal do seu vencimento de 40% (ou seja, o tecto salarial do Sporting).

 

Foi Madeira Rodrigues, batendo o pé no chão em fúria com a frustração da eliminação da Taça da Liga (da qual é claramente responsável), que resgatou os atletas André Geraldes e Ryan Gauld do Vitória de Setúbal. Foi igualmente ele que os fez passar o mês de Janeiro numa novela mexicana de destino incerto, destino que acaba por ser o plantel do Sporting (A ou B, veremos…).

 

Por último, é agora Madeira Rodrigues que continua a achar que os defesas laterais do plantel são mais que suficientes para atacar o resto da Liga. Mais que suficientes! Porque até se dá ao luxo de dispensar alguns…

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Naquele que, actualmente, é um dos dois (o outro é o futebol) aspectos fundamentais na estratégia do líder de um clube em Portugal, o candidato Pedro Madeira Rodrigues apresenta oito propostas.

 

1. Recuperar no imediato a posse da Academia Sporting, na posse do Banco Comercial Português desde 2014, com o apoio de investidores que entrarão com um valor a rondar os 14M€.

 

Neste ponto, o que o candidato essencialmente propõe é o pagamento antecipado de todas as rendas e valor residual no contrato de locação financeira que o Sporting assinou com o referido Banco em 2014. Ainda que se discorde do instrumento de financiamento utilizado, o que é certo é que ele existe e constituí uma obrigação para o Sporting. Partindo dos fáceis princípios que o Banco não pode vender o imóvel no decorrer do contrato em vigor, e, que o Banco não se opõe à realização de obras que aumentem o valor do imóvel, é legítimo questionar que vantagem terá o Clube em accionar o pagamento antecipado. Igualmente legitimo seria identificar os investidores e quais seriam as suas contrapartidas.

 

2. Garantir a detenção da maioria de capital da SAD, preparando a recompra de VMOCs.

 

Mais que uma proposta, trata-se de um "desígnio dívino". É impreterível garantir a independência do Clube! Preparar a recompra dos Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis é garantir a disponibilidade de 99M€ até 2026, caso contrário os Bancos financiadores (BCP e NB) tornam-se automaticamente detentores de 45% do capital da SAD, vendo os actuais accionistas as suas participações revistas em proporção. Ou seja, fazendo esse caminho de forma sustentada, deverá o Sporting reservar cerca de 10M€ por ano. Se, pelo que se pode ver no final do link anterior, até ao momento reservámos apenas 3M€, já temos então uma diferença de 7M€ a compensar futuramente. Aguardamos o concretizar, por parte de Madeira Rodrigues, de como planeia reservar 47M€ nos quatro anos de mandato.

 

3. Promover a participação dos actuais investidores e a atracção de novos, estruturando e revendo a abordagem global ao mercado, restabelecendo relações de confiança e procurando novas parcerias.

 

Os principais investidores do Sporting são os seus accionistas, os seus financiadores e os seus patrocinadores. Entre os accionistas temos a Holdimo de Álvaro Sobrinho e a Olivedesportos de Joaquim de Oliveira. Nos financiadores os já citados Banco Comercial Português e o Novo Banco. Seria útil que Madeira Rodrigues esclarecesse em que moldes pretende que os empresários e/ou os Bancos participem mais, com que contrapartidas e em que montantes. Na nova abordagem ao mercado também seria pertinente concretizar quais os sectores, à data não explorados, para os quais o Sporting irá apontar. O recente relatório UEFA, já aqui mencionado noutra oportunidade, aponta para os sectores "Banca e Seguros", "Empresas de Apostas", "Companhias Aéreas" e "Indústria Automóvel".

 

4. Assumir, inequivocamente a transparência na identificação dos investidores.

 

Um excelente princípio pelo qual se deveria reger qualquer Organização. No entanto até ao momento, o candidato Pedro Madeira Rodrigues não divulgou quem serão os investidores do primeiro ponto. Seria também importante perceber em que moldes esses investidores entrariam no Sporting e, se estariam dispostos a canalizar esse investimento de 14M€ para questões mais propensas a gerar valor, nomeadamente as melhorias de infra-estruturas da própria Academia.

 

5. Optimizar a gestão de tesouraria que permita uma gestão eficiente dos activos e impeça a alienação destes para suprimento de faltas.

 

Dizer isto é, basicamente, garantir um fluxo de recebimentos que faça face ao fluxo de pagamentos num determinado período em análise. Não entrando nas obrigações financeiras enunciadas nos pontos anteriores, uma análise muito simplista aponta para o pagamento de vencimentos como o maior desafio nessa gestão. Considerando que a quotização foi alocada em exclusivo às modalidades, são neste momento as receitas de patrocínios, direitos televisivos e mais-valias em vendas de jogadores que financiam o orçamento do futebol. Para tudo isto ser sustentável, como as mais-valias não são constantes, é fundamental reduzir a massa salarial. É isto que Madeira Rodrigues propõe? Não sabemos. Aguardamos.

 

6. Regularizar e fortalecer a relação institucional com os parceiros bancários.

 

Nos dois verbos utilizados – regularizar e fortalecer – é hoje em dia de comum entendimento que os Bancos estarão muito interessados no primeiro e com fraca apetência para o segundo. O que os parceiros bancários, de uma forma transversal a todos os clubes, querem é reduzir a sua exposição a um sector que lhes tem trazido mais dissabores que retorno. Daí a sua flexibilidade na gestão das dívidas actuais, mas é bastante previsível que não tencionem fortalecer as actuais relações.

 

7. Reduzir os gastos com fornecimentos e serviços externos.

 

Um bom prícipio de gestão. No caso do Sporting, mais que uma intenção deve ser uma prioridade considerando os sucessivos recentes aumentos nesta rúbrica. Tratado-se de matérias tão diversas como electricidade, água ou combustíveis, mais que o príncipio aguardamos que Madeira Rodrigues liste quais os principais vectores de poupança e como pretende consegui-lo. Reduzir os encargos com deslocações de comitivas poderia ser uma ideia, mas só o próprio para a consubstanciar.

 

8. Garantir a apresentação regular das contas consolidadas do clube.

 

Uma medida concreta que visa a transparência com que nos devemos relacionar com os demais stakeholders. Recordar que num passado recente Bruno Carvalho lançou esse repto aos rivais, só o cumprindo em casa própria passados 10 meses.

 

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“Um cheque e uma vassoura”.
“Ou Eu ou o caos”.
“Não fosse eu e já não havia Sporting”
“Sou o único capaz de salvar o Sporting”

 

Tantos têm sido os chavões utilizados nos últimos anos para alimentar a esperança e para que certas personagens assumam a imagem de salvador, o mito do sebastianismo para devolver o Sporting aos merecidos e urgentes títulos e sucessos europeus, não só no futebol mas em todas as suas modalidades. E na realidade, nunca o conseguiram, mentiram, não cumpriram, e estamos hoje como sempre temos estado, a lutar por um lugar que garanta entrada direta para a Champions, a ver os rivais vencer nas modalidades e a desprezar de forma contínua a formação.


Estes últimos dias foram intensos para muitos Sócios. A campanha de Pedro Madeira Rodrigues continua a viver num silêncio ensurdecedor, sem dinâmica, sem caras que defendam e apoiem o candidato. Tudo vai acontecendo dentro uma normalidade que é pouco eficaz. E se é pouco eficaz, o retorno não será simpático.

Sobre Bruno de Carvalho, a sua campanha é um copy paste do habitual, vazio total de ideias inovadoras e fraturantes, um conjunto de lugares comuns e de populismo assumido de caça ao voto aos mais afastados e distraídos com o real estado do Sporting.


Mário Patrício construiu nos últimos dias uma bagagem de esperança. O seu nome gerou enormes expetativas. A esperança na união entre este candidato e Pedro Madeira Rodrigues era imperativo para não continuar a adiar o Sporting. Com a sua desistência, perderam as duas candidaturas, corre-se o risco de adiar o Clube mais anos e acima de tudo, deu-se um passo em frente no que poderá ser uma infeliz certeza, que será perder a maioria da SAD. Na falta de soluções, de união, de equipas, o “ou Eu ou o caos” será utilizado novamente e muito em breve, e no contexto de entregar o Sporting a um dono, que como todos sabemos está na Comissão de Honra do atual Presidente, de seu nome José Maria Ricciardi. Essa é a sua missão, essa é a sua vontade, e muito tem feito Bruno de Carvalho para este triste cenário se torne realidade a muito curto prazo.


Ontem e hoje foram dias duros para o Sporting. O constatar que o futuro poderá não acontecer e ficar no mesmo marasmo despesista e sem critério dos últimos anos.


É importante para Pedro Madeira Rodrigues, e acima de tudo para o Sporting, que surja uma nova candidatura. A saída de Rogério Alves do programa Dia Seguinte na SIC imediatamente levantou o boato de uma possível candidatura. Na minha opinião tenho sérias dúvidas desta possibilidade. Mas avaliando e ouvindo muitos Sócios, seria uma candidatura ainda mais consensual que Mário Patrício ou Pedro Madeira. Rogério Alves teria de facto todas as hipóteses de vencer já no próximo dia 4. Sem muito trabalho, sem muito foguetório ou promessas vazias, ao exemplo de Marcelo presidente da República, Rogério Alves tem toda uma imagem cuidada, defendida, reconhecida e amplamente venerada por uma larga margem de Sócios e Adeptos. Acima de tudo, é um Homem educado, que sabe e conhece o Sporting, que com Madeira Rodrigues, que partilha das mesmas virtudes, poderiam acabar de vez com o mito Bruno de Carvalho, um homem que promete o branco, apresenta o vermelho, e defende que foi o branco que sempre apresentou com o vermelho na mão para gáudio de uma plateia de invisuais seguidores.

O tempo passa, o Sporting perde. É preciso um sinal de esperança, os Sócios não querem este rumo para o Clube. O Sporting está de rastos, não quer nem precisa de um salvador, necessita ser debatido e defendido com a grandeza de um Clube centenário e não por gente que “invade” estúdios de televisão via telefone ou em comunicados horrendos e sem nível nas redes sociais.

Estes próximos dias serão importantes para definir a opção de voto. Pedro Madeira tem que ganhar mais espaço mediático. Tem que se rodear de apoios fortes, de vozes que o sustentem e que compreendam o seu programa. Que o defendam. Pedro Madeira tem sido muito corajoso. Sozinho tem dado a cara e o corpo ao manifesto. Sem “paineleiros” plantados nos programas de televisão ou jornalistas alinhados na imprensa, vai trilhando o seu caminho e ganhando votos.

Bruno não tem novidade nem sabe mais. É isto! Pouco mais há a dizer sobre um arruaceiro ou uma criatura mal educada. As palavras valem o que valem, e neste caso valem muito, infelizmente.

Se outro nome surgir na corrida, que surja fundamentado e forte, que não seja mais um infeliz episódio de angariação de mediatismo individual e de promoção de amigos e negócios. O Sporting não merece este triste drama.

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editado por Ivaylo a 25/2/17 às 12:02

23
Jan17

Da Reactividade Necessária

por Pastelão Tecnicista

Como acontece em qualquer momento eleitoral, muitas propostas concorrentes surgem em antítese à praxis em vigor e reflectem uma reacção ao establishment, a despeito da inegável originalidade propositiva que com a reacção deve coabitar. É essa, de resto, a própria essência de qualquer processo democrático, a convivência (salutar) de diversas sensibilidades para com uma instituição que, no caso vertente, se deseja desportivamente vencedora, financeiramente pujante e axiologicamente comprometida com os seus desígnios fundacionais. Relembro o mote de José de Alvalade e os 10 Mandamentos do Sportinguista, de Salazar Carreira que, desde sempre, serviram de mote à conduta desportiva e institucional do Clube e que sempre nos distinguiram como adeptos e sócios diferentes.

 

Serve este excurso como intróito à dissecação do ponto “Liderança e Valores” do programa de candidatura de Pedro Madeira Rodrigues (PMR), área na qual se reafirma a vontade de estar “Sempre na Frente”, como aliás no Futebol de Formação (depauperado e traído na sua essência formativa nos últimos 4 anos), nas Modalidades (onde o imediatismo eleitoralista camufla uma factura que se avizinha financeira e desportivamente penosa, com a excepção honrosa do futsal), no futebol (onde, e para grande pena minha, fã confesso de Jorge Jesus, os resultados da presente temporada se equiparam apenas parcialmente aos anos de Paulo Bento, treinador que nunca apreciei), bem como noutros campos que por agora não explorarei.

 

Parte da reactividade com que iniciei o texto reflecte-se, desde logo, no facto de PMR ter colocado em destacado primeiro lugar o vector de que nos ocupamos aqui, na ordenação da lista do seu programa que, diga-se de passagem, se espera ser aprofundado por documentação adicional e pelos próprios esclarecimentos públicos do candidato. Todos os 8 pontos constante da rubrica “Liderança e Valores” são uma reacção a uma miríade de aspectos que motivaram algumas das críticas mais incisivas à Direcção de Bruno de Carvalho (BdC), uma amálgama de resposta a práticas lesivas da imagem institucional do Sporting, como o sejam i) a hostilização dos sócios contrários à actual Direcção, ii) a comunicação institucional, o sicofantismo (em detrimento da meritocracia constantes do anterior e do actual programas de BdC), a conduta institucional tout court e, claro, a honorabilidade do Presidente, aspecto central na alienação progressiva dos Sportinguistas em relação a esta Direcção (posto que não em relação ao Clube).

 

De outro modo não se explica a proposta de trazer para o clube “sportinguistas com provas dadas”, por oposição aos que hoje parecem controlar o Clube, como se de um feudo pessoal se tratasse (algo que BdC prometeu erradicar, mas continuou a perpetuar), insultando os “não-alinhados” e demonstrando, consecutivamente, um enorme amadorismo na condução de matérias vitais à expansão da Marca e ao prestígio do Clube. Relembro, na esteira de um texto de Drake, no polémico Camarote Leonino, da presença de Vitorino Bastos e Vítor Damas na estrutura de futebol do Sporting, em 2000, aquando do nosso penúltimo campeonato; duas figuras tutelares do Sportinguismo que os jogadores respeitavam: que tem, portanto, André Geraldes a ensinar-nos neste aspecto se se confirmar a sua elevação a Director Desportivo sob Bruno de Carvalho?

 

De outro modo não se explica o “respeito pelos compromissos assumidos”. O caso Doyen, recordam-se? Aquele que parece que nos irá custar uma penhora imobiliária vergonhosa, uma vez que aparentemente não pagamos voluntariamente o que fomos condenados a pagar? Não que não tivesse pessoalmente simpatizado com a iluminação institucional de entidades tão opacas como os fundos; mas creio não ser necessária a presença de um político sagaz para ter antecipado o desfecho deste caso.

 

De outro modo não se explica “a colocação do Sporting no centro da agenda comunicacional”. O inenarravelmente inútil Nuno Saraiva, recordam-se? As suas “bicadas” anedóticas ao nosso rival Benfica? O facto de ser um factótum de BdC com o suposto objectivo de não sobrecarregar a imagem já de si descredibilizada de um Presidente que, a dada altura do seu mandato, achou por bem apelidar os nossos rivais de “nádegas” … O Director de Comunicação que diz assim, para o Presidente dizer assado nas entrevistas prestimosamente concedidas ao Grupo Cofina, ex-encarnação do Diabo na Terra? Como é que se pode incluir seriamente num programa o cliché estafado da “Comunicação a uma só voz”?

 

De outro modo não se explica o “respeito pela pluralidade de sensibilidades” dos associados por oposição aos processos a sócios com vários anos de militância que discordavam (como é seu direito inalienável e constitucionalmente consagrado) da estratégia de um brunismo messiânico que se insinuou no Clube (voltarei a este aspecto mais tarde).

 

De outro modo não se explica a apresentação de um organograma funcional, aspecto importante na clarificação das atribuições profissionais de cada funcionário do Sporting, fundamental numa época onde se permitiu ao treinador da equipa principal de futebol ser simultaneamente manager e scouter.

 

Finalmente, de outro modo não se explica a apresentação da declaração de rendimentos do Presidente no início e no fim dos mandatos. Parece-me uma clara reacção ao inacreditável pagamento de retroactivos ao actual Presidente após a aprovação de duplicação do seu vencimento, adequadamente aprovado em AG pelos sócios… Em teoria, parece-me uma medida que permitirá destrinçar quem serviu o Sporting e quem se serviu do Sporting.

 

Dito isto, por defeito profissional, não embarco no discurso de que os portugueses, sendo miserabilistas, são mais susceptíveis a derivas utópicas, soteriológicas e sebastiânicas, pessoalizadas na figura nietzscheana de um Übermensch. A história do século passado e a conjuntura política mundial actual (trumpismo, lepenismo, orbanismo, etc) desautorizam-me esta leitura. Agrada-me sinceramente que no meu Querido Clube as eleições não sejam meros plebiscitos, como sucede nos rivais. Entristece-me que a inutilização do espírito crítico patente numa larga franja de consócios os impeça de votar em consciência, impedindo-os de perceber a transitoriedade dos mandatados e a eternidade da Instituição.

Foda-se... I.jpg

 

SPORTING SEMPRE

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editado por Ivaylo a 25/2/17 às 12:06



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