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O Sporting é a paixão que nos inspira. Não confundimos competência com cultos de personalidade. 110 anos de história de um clube que resiste a tudo e que merece o melhor e os melhores de todos nós. Sporting Sempre


28
Jun18

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Estamos apurados para os oitavos de final do Mundial de Futebol. Poderá discutir-se a preponderância de sorte, justiça ou mérito dos resultados. Poderão ser lançados todos os prognósticos sobre os próximos (esperemos) quatro jogos, ou três, ou dois, ou um…

 

Todas as análises e todas as previsões são válidas, mas pretendo por ora focar-me em alguns factos.

 

Nos três jogos efectuados até aqui tivemos sempre um mínimo de sete jogadores formados no Sporting Clube de Portugal presentes dentro das quatro linhas. Não é, aliás, um número surpreendente se considerarmos que dos vinte e três selecionados onze foram formados no Sporting, sendo assim o Clube cuja Formação é mais representada neste Mundial com doze jogadores (aos portugueses acresce Eric Dier de Inglaterra). À frente de escolas como a do Barcelona ou a do Ajax, ficando ainda de fora “selecionáveis” como Nani ou Bruma.

 

Seria provavelmente isto que José Roquette tinha em mente quando lançou o projecto da Academia de Alcochete.

 

É importante distinguir aqui, para se poder ser rigoroso na análise, entre quem lançou o projecto e os vários executantes do mesmo. O modelo que “faliu” no mandato de Godinho Lopes não foi o mesmo que foi “desenhado” no início do mandato de Roquette, sendo assim um pouco injusto apelidar toda essa sequência de mandatos como Roquettismo.

 

Esse modelo criou a primeira SAD no futebol português. Se o conceito encerrasse em si tantos defeitos, e nenhumas virtudes, não estaria já à data em utilização na Premier League, não teria sido seguido pela maioria dos outros clubes portugueses habitualmente presentes na Primeira Liga e não se manteria até aos dias de hoje. O objectivo era a criação de uma estrutura profissional e empresarial para gerir o futebol, em que o Clube manteria sempre uma maioria “confortável” e em que os sócios teriam a possibilidade de investir (e obter retorno) no seu Clube. Certamente não estaria no horizonte de ninguém ter que realizar vários aumentos de capital, com entrada de outros investidores qualificados, para sair de falência técnica. E muito menos o “inventar” de figuras como os VMOC que colocam em risco a maioria da SAD.

 

Foram pensados um novo Estádio, uma Academia e um Pavilhão. O Estádio e o Pavilhão inseridos num amplo projecto imobiliário. Não foi pensado que, lamentavelmente, o Pavilhão apenas viesse a ser construído no mandato de Bruno Carvalho por, além de culpas próprias, uma enorme burocracia discriminatória por parte do executivo municipal lisboeta. Não foi pensado que a Academia seria vendida a um Banco através de leasing e que o Sporting teria de pagar uma renda para a utilizar. Ninguém pensou que neste momento o Estádio fosse o último reduto de propriedade imobiliária verde e branca por tudo à volta ter sido vendido por necessidade de Tesouraria – e quando se vende em necessidade dificilmente se obtém o melhor preço.

 

Da Academia, state of the art quando foi inaugurada, era suposto saírem jogadores todos os anos para colmatar as necessidades do plantel principal. A eles apenas se deveriam juntar um par de contratações “cirúrgicas” que adicionassem valor, mas sobretudo experiência, ao plantel. Dos jogadores formados, idealmente, um seria vendido a cada ano e assim se garantiria não só a sustentabilidade necessária ao eternizar do modelo, como também se teriam atingido lucros que permitissem atrair mais investidores, com a inerente manutenção de uma boa cotação das acções, permitindo ainda ao Clube aplicar excedentes do futebol obtidos através de dividendos para outras modalidades. Não era suposto continuar a comprar dezenas de jogadores, apesar de todas as épocas se ouvir a palavra “cirúrgicas”. Não era suposto que as vendas ocorressem baseadas no “espartilho” imposto por credores. Não era suposto que as vendas ocorressem ao sabor das influências de empresários. Não era suposto vender jogadores a rivais. E, claramente!, não era suposto que jogadores apresentassem rescisões de contrato unilaterais.

 

O Campeonato Europeu vencido em 2016 foi também uma vitória do modelo teórico, pena que apenas a Selecção tenha colhido esses frutos.

 

Este não é o momento de apontar nomes, nem de revoluções que “queimem” tudo o alcançado – o mau, mas também o bom. Há que ser pragmático e analisar friamente os pontos de melhoria, percebendo que a Formação não só é a garantia do sucesso sustentável como é parte do nosso ADN.

 

É isso que espero ouvir das listas que se apresentarem a eleições, não que vão “rasgar” o que quer que seja, mas sim que vão “construir” em cima do que foi menos bem feito. Acima de tudo com rigor. Acima de tudo o Sporting Clube de Portugal!

 

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