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O Sporting é a paixão que nos inspira. Não confundimos competência com cultos de personalidade. 110 anos de história de um clube que resiste a tudo e que merece o melhor e os melhores de todos nós. Sporting Sempre


06
Abr17

O vício das queixinhas

por Krassimir

queixinhas.png

Após a saída de Jorge Jesus do Benfica e a sua confirmação como treinador do Sporting, o Benfica interpôs um processo a Jorge Jesus, reclamando uma indemnização de 14 milhões de euros, a qual representaria um euro por cada benfiquista (contabilidade em que devem entrar os nascidos, já falecidos e os que ainda estão por nascer…).

Todos nos recordamos de na época passada o Sporting ter vivido uma parte significativa dos jogos sob o espectro do castigo a Slimani, depois deste ter dado uma cotovelada a Samaris, numa partida com o Benfica, falta que não foi sancionada durante o jogo por Jorge Sousa. Muito se discutiu, primeiro se existia moldura para castigo ou sumaríssimo e depois qual seria o castigo a aplicar, após o Benfica ter feito queixa do Sporting.

Além disso, o clube rival fez também queixa de Bruno de Carvalho, por afirmações suas sobre Vítor Pereira em que dava a entender que este não era imparcial na sua actuação como presidente da APAF, facto que viria a resultar no castigo recente aplicado ao presidente do Sporting de 113 dias de suspensão.

Houve ainda uma outra queixa contra o Sporting, sobre Gauld e Geraldes e a sua saída do Vitória de Setúbal nesta época, num processo nada dignificante para o nosso clube e ainda hoje por explicar, denunciando a quebra de regulamento por parte do emblema de Alvalade, com base no ponto 5, do artigo 78.º, que no fundo impediria o termo do contrato de cedência.

Como se compreende, nos dois últimos casos, o Benfica nem sequer era parte directamente envolvida e mesmo assim decidiu fazer queixas do Sporting. Sem dúvida que isto coloca em causa a tese que é advogada pelos comentadores e paineleiros benfiquistas de que não se preocupam com o Sporting e que o Benfica tem uma postura pacificadora e que não provoca ninguém.

E perante isto o que fez o Sporting?

Além de dedicar grande parte da sua Comunicação e intervenções do seu presidente a falar do Benfica, respondeu à queixa contra Slimani, identificando cinco agressões dos jogadores encarnados sobre os seus jogadores e invocando ainda um empurrão de Jardel a Raul José.

Foram também elaboradas queixas sobre o caso dos vouchers que chegaram inclusive à UEFA.

Em Dezembro de 2015 fez queixa na Liga contra Rui Gomes da Silva, na altura elemento da direção do Benfica, Rui Costa, administrador da Benfica SAD, João Gabriel, então director de comunicação do Benfica e Benfica SAD, e Pedro Guerra pelas declarações que foram fazendo.

Mais recentemente, em fevereiro de 2017, foi feita queixa contra Rui Vitória devido à sua presença na flash interview da RTP, após a derrota com o Moreirense na final da Taça da Liga, depois de ter sido expulso já após o apito final.

E por fim, surgem agora sete queixas contra o rival, já depois da suspensão de BdC, no que parece ser uma resposta a esse castigo, envolvendo: 1) Agressão de Jonas a Nuno Espirito Santo, 2) Processo contra Samaris por agressão a Alex Telles, 3) Queixa contra Rui Vitória por palavras na Conferência de Imprensa, 4) Queixa contra Domingos Almeida Lima (nº2 do Benfica) por declarações no dia 23 Março em Abrantes, 5- Contra Luis Bernardo (director de comunicação) por causa do comunicado da gala das quinas de ouro, 6) Contra o Benfica por declarações antes dos jogos, 7) Queixa no IPDJ por causa do apoio do Benfica às claques não oficiais.

Não pretendendo que esta lista seja exaustiva, pois ainda existiram mais queixas, dá bem para entender ao estado de insensatez a que se chegou e talvez se comece a perceber a crispação que se vive actualmente no desporto em Portugal e em particular no futebol, que se calhar só irá parar ou atenuar-se quando ocorrer alguma tragédia. Só que normalmente nestes casos são os adeptos que sofrem a irresponsabilidade dos dirigentes, que acabam por assobiar para o ar enquanto vão imitando o imperador Nero, vendo Roma a arder, depois de a terem incendiado.

É tempo de dizer basta! Não vamos a lado nenhum desta forma. Obviamente que não há inocentes, mas começa a ser gritante a loucura de todos.

E naquilo que mais nos preocupa e nos envolve directamente, há uma grande falta de coerência. Como podemos ter um presidente que acusa o rival de querer ganhar o campeonato das queixinhas e depois produz sete queixas contra o Benfica ou elementos ligados a esse clube, ainda por cima envolvendo casos que ocorrem num jogo com o Porto, que não nos diz respeito e cobrindo situações que este clube nem sequer entendeu usar da mesma forma? O Porto, que é um clube grande, poderoso e com recursos, precisa que o Sporting seja seu advogado de defesa? Claro, que o que se pretende é atingir o Benfica, mas vale tudo para isso, incluindo a perda da nossa identidade e colarem-nos ao Porto e aos seus interesses?

E que vamos ganhar com isto? Esperamos que Jonas e Samaris sejam castigados e não joguem contra nós? A sério? Mas alguma vez a decisão seria dessa forma ou mesmo com a rapidez necessária para que isso acontecesse?

Claro que há adeptos que exultam com isto e vêm com a máxima de “olho por olho, dente por dente”. Pois, se calhar o resultado disto é ficarmos todos cegos e desdentados… e o pobre futebol português lá vai cada vez mais perdendo competitividade e prestígio.

Queremos ser diferentes e contribuir para a elevação ou achamos que temos de jogar ainda mais baixo do que o rival? Queremos ser selectivos, atacar de forma inteligente e vibrando golpes certeiros, salvaguardando os nossos valores e a nossa diferença ou o que interessa é disparar para todos os lados, desvalorizando o peso da nossa palavra e das nossas acções? Queremos ser os espalha-brasas do futebol nacional, ou pretendemos dar um bofetada de luva branca nos rivais deixando-os sozinhos na lama e atacando-os de uma forma bem mais eficaz?

E por fim… onde nos tem levado esta guerra feita de forma cega e sem estratégia de fundo, sem que se arranjem aliados que nos possam suportar e sem consolidar o clube e a sua voz no desporto? Será este o caminho? Ou pretende-se apenas desviar as atenções daquilo que verdadeiramente interessa, que é a competitividade da nossa equipa, a constituição do plantel e a forma como se vai preparar a próxima época, enquanto continuamos alegremente a coleccionar derrotas dentro e fora do terreno de jogo?

 

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